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CPI do INSS rejeita relatório que pedia indiciamento de Lulinha e 216 pessoas

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A CPI Mista do INSS rejeitou na madrugada deste sábado, 28 de março de 2026, o relatório final apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL), em sessão realizada no Congresso Nacional, em Brasília. O parecer sugeria o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, além do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A rejeição ocorreu por 19 votos a 12, após articulação da base do governo para barrar o texto da oposição. De acordo com informações da Folha de S.Paulo, a comissão pode terminar sem aprovar um relatório final.

A sessão começou por volta de 9h30 de sexta-feira, 27 de março, e se estendeu até cerca de 1h de sábado. Embora a oposição ocupasse cargos centrais na comissão, presidida pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), o governo reuniu maioria para derrotar o parecer. O texto havia sido apresentado minutos antes do início da reunião.

O que previa o relatório rejeitado pela CPI do INSS?

O parecer de Alfredo Gaspar sugeria o indiciamento de 216 pessoas. Entre os nomes citados estavam Lulinha, Antônio Carlos Camilo Antunes, o senador Weverton Rocha (PDT-MA), o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi (PDT), Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e Augusto Lima, ex-sócio da instituição financeira. O relatório também pedia a prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva, o único citado nominalmente nesse trecho.

Se aprovado, o documento seria encaminhado à Procuradoria-Geral da República, responsável por decidir sobre eventual apresentação de denúncias ou outros desdobramentos. Como o texto foi rejeitado, a investigação corre o risco de ser encerrada sem uma conclusão formal, caso a presidência da comissão não paute um relatório alternativo apresentado pelo PT.

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Por que o governo atuou para derrubar o parecer?

Segundo o texto original, o governo organizou uma reação após a inclusão de Lulinha entre os nomes que poderiam ser indiciados. O relatório de Gaspar buscava associar as fraudes em aposentadorias e pensões ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com diversas menções ao petista e poucas referências à gestão anterior. O nome de Jair Bolsonaro aparece cinco vezes nas 4.340 páginas do documento, enquanto Lula é citado 37 vezes.

O relatório paralelo do PT, por sua vez, não foi pautado para debate. Esse texto sugeria o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro como “chefe da organização criminosa” e excluía Lulinha. Sem votação desse parecer alternativo, a comissão pode encerrar os trabalhos sem aprovar qualquer conclusão oficial após sete meses de investigação.

Como foi a sessão que terminou com a rejeição do relatório?

A reunião foi marcada por bate-boca e confusão. Antes de apresentar o texto, Alfredo Gaspar fez provocações ao Supremo Tribunal Federal. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) reagiu e classificou a sessão como “um circo”. Em meio à discussão, houve novas trocas de acusações, que elevaram a tensão no colegiado.

Depois da votação, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) atribuiu o desfecho a uma disputa política em torno da condução da comissão. Já o presidente da CPI, Carlos Viana, afirmou que a base governista atuou para impedir investigações e derrubar o relatório final apoiado pela oposição.

“Esta comissão concluiu seu trabalho sem ter o relatório aprovado por uma decisão política do presidente, do relator, para impedir que nós pudéssemos indiciar Jair Bolsonaro como chefe dessa organização criminosa.”

“Desde o início da CPMI, a base do governo do PT tentou impedir as investigações, blindou requerimentos. Não mediu esforços até junto com o Supremo Tribunal Federal para tentar nos parar e agora derrubaram o relatório”.

Quais argumentos o relator usou contra os citados no parecer?

No caso de Lulinha, o relatório rejeitado afirmava que os indícios apontariam que ele não seria um “mero conhecido” de Antônio Camilo, mas alguém que teria atuado como facilitador de acesso e possível sócio oculto do lobista em empreendimentos dependentes de decisões administrativas no Ministério da Saúde e na Anvisa. Como o parecer foi rejeitado, essas conclusões não foram adotadas pela comissão.

Sobre Weverton Rocha, o texto dizia que o senador teria tido “atuação estratégica como liderança política e suporte institucional da organização criminosa”. Em relação a Carlos Lupi, o relator sustentava que haveria um padrão de omissão deliberada, prevaricação e blindagem política. Já sobre Daniel Vorcaro, Gaspar apontava “um padrão grave de desconformidades envolvendo o banco Master S.A”.

A empresária Roberta Moreira Luchsinger, que também constava entre os nomes que poderiam ser indiciados se o texto fosse aprovado, afirmou que não havia elemento de materialidade para indiciamento por qualquer delito. Gaspar negou acusações feitas por parlamentares governistas de que a condução do relatório teria sido irregular.

O que acontece agora com a CPI do INSS?

A votação do parecer final foi convocada após o Supremo Tribunal Federal derrubar a prorrogação da CPI. O prazo regimental de funcionamento do colegiado se encerrou neste sábado, 28 de março. Carlos Viana ainda sinalizou que poderia buscar consenso por meio da retirada de trechos, mas não havia definição, segundo o relato, sobre a votação do texto alternativo do PT.

A comissão, presidida pela oposição, também entrou em choque com a cúpula do Congresso ao avançar sobre o escândalo do Banco Master, embora o foco original da investigação fossem os descontos indevidos em aposentadorias.

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