A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado Federal aprovou, nesta terça-feira, 31 de março de 2026, a quebra dos sigilos bancário e fiscal do pastor e empresário Fabiano Zettel. Cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro e preso no estado de São Paulo desde o início de março, Zettel é investigado sob suspeita de atuar como operador financeiro em um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro que envolveria estruturas do Banco Master e da gestora Reag Investimentos. A medida visa rastrear o fluxo de recursos possivelmente ilícitos repassados a integrantes de organizações criminosas.
Por que a CPI aprovou a devassa financeira do empresário?
De acordo com informações do Estadão, o requerimento para a quebra de sigilo foi apresentado pelo senador Humberto Costa (PT-PE). O parlamentar argumentou que existem fortes indícios de que Fabiano Zettel mantém conexões financeiras escusas com estruturas empresariais ligadas ao Banco Master e à Reag Investimentos. O objetivo principal da comissão é investigar o possível uso dessas instituições financeiras para a circulação e a ocultação de recursos de origem ilegal.
A apuração preliminar aponta que o empresário seria o responsável direto por realizar pagamentos a integrantes de uma organização criminosa. Para dificultar o rastreamento por parte das autoridades competentes, o operador supostamente utilizava empresas registradas em nome de terceiros, além de fundos de investimento variados, buscando mascarar a origem e o destino final do dinheiro.
Conforme destaca a reportagem do Brasil 247, Fabiano Zettel encontra-se detido desde o começo de março. A quebra de seus dados fiscais e bancários é considerada um passo relevante pelos senadores para mapear a rede de contatos e identificar os beneficiários finais das transações investigadas.
Qual é a ligação de Fabiano Zettel com o cenário político de 2022?
Além de atuar no setor empresarial e exercer funções religiosas como pastor, Fabiano Zettel ganhou projeção no cenário político nacional durante as eleições de 2022. O empresário foi citado como um dos principais doadores privados daquele pleito.
Segundo o texto, ele também teve atuação destacada no financiamento das campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador de São Paulo, e de Jair Bolsonaro (PL), ex-presidente da República. Como as CPIs do Senado têm poder de investigação próprio de autoridades judiciais em determinados casos, a apuração sobre um financiador com visibilidade eleitoral amplia o interesse público sobre o caso.
Quais outras pessoas e empresas estão na mira da comissão?
A ofensiva da comissão parlamentar não se limitou ao cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro. Durante a mesma sessão de deliberações, os senadores aprovaram a quebra de sigilo de outras três pessoas físicas e de cinco pessoas jurídicas, ampliando o escopo da investigação sobre a teia financeira.
Entre os alvos com requerimentos aprovados está José Carlos Oliveira. Ele ocupou o cargo de ministro da Previdência Social e também a presidência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) durante o governo Jair Bolsonaro. A inclusão de um ex-ministro de Estado eleva o peso político da apuração e ajuda a explicar a relevância do caso no âmbito federal.
No âmbito das pessoas jurídicas e dos veículos de investimento, as medidas atingiram diretamente fundos sob a administração da gestora Reag Investimentos, que já vinha sendo investigada no contexto do caso envolvendo o Banco Master. A comissão autorizou o acesso aos dados bancários dos seguintes fundos corporativos:
- Fundo Laguz I: veículo de investimento administrado pela gestora Reag, investigado por sua possível participação na engrenagem financeira apurada.
- Fundo Kairós: outro fundo ligado à mesma gestora, também submetido ao escrutínio da CPI.
Segundo informações divulgadas pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES), presidente da CPI do Crime Organizado, as investigações apontam que o fundo Kairós teria sido utilizado para realizar repasses direcionados a Fabiano Zettel. Esse ponto foi apresentado como uma das justificativas para o acesso aos extratos e demais registros bancários.
O que motiva as novas aprovações de requerimentos no Senado?
Um detalhe relevante sobre a sessão realizada nesta terça-feira, 31 de março de 2026, é o pano de fundo jurídico e processual que envolve os trabalhos da comissão investigativa. Integrantes do colegiado relataram preocupação com a robustez formal das decisões tomadas. Alguns dos requerimentos de quebra de sigilo já haviam sido aprovados em reuniões anteriores da comissão, mas precisaram ser revalidados.
Segundo o texto, havia entre os parlamentares o receio de que o Supremo Tribunal Federal (STF) pudesse reverter ou anular essas quebras de sigilo por eventuais falhas processuais ou falta de fundamentação adequada nas aprovações originais.



