A Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) anunciou, no encerramento das atividades do Mês Mundial da Água de 2026, os vencedores do Concurso de Maquetes do Complexo Bolonha, em Belém. A iniciativa envolveu estudantes de seis turmas do segundo ano do Ensino Médio da Escola Estadual Albanízia de Oliveira, que transformaram o aprendizado teórico sobre o ciclo da água em representações físicas detalhadas da principal unidade produtora do estado. O projeto mobilizou a comunidade escolar do bairro do Marco, promovendo a integração entre ciência, engenharia e preservação ambiental.
De acordo com informações da Agência Pará, os trabalhos foram expostos no próprio Complexo Bolonha para a avaliação de uma comissão técnica. A votação contou com a participação de funcionários da companhia, incluindo engenheiros e especialistas em projetos de obras, que analisaram a precisão e a criatividade das réplicas desenvolvidas pelos jovens de forma criteriosa. Em um país em que o saneamento básico é tema recorrente de políticas públicas e de saúde, ações de educação ambiental como essa ajudam a aproximar os estudantes do funcionamento dos sistemas de abastecimento de água.
Como funcionou a escolha da maquete vencedora?
O processo de escolha seguiu parâmetros estabelecidos pelo regulamento da Cosanpa. Para serem validadas, as maquetes precisavam representar obrigatoriamente todas as etapas do tratamento de água realizado no local. A criatividade foi um diferencial decisivo, com os alunos utilizando materiais diversos, como isopor, palitos de madeira e sistemas artesanais de iluminação. A turma 206 sagrou-se campeã ao receber 37 votos, destacando-se pela fidelidade técnica e pelo acabamento visual do projeto apresentado.
As miniaturas apresentaram detalhes que impressionaram o corpo técnico da companhia estadual. Algumas equipes utilizaram divisórias de madeira para simular os tanques de decantação e outras reproduziram áreas do entorno do complexo para contextualizar o alcance do serviço prestado. A unidade em questão é responsável pelo abastecimento de quase 1,5 milhão de pessoas nos municípios de Belém e Ananindeua, o que confere ao trabalho uma relevância social direta para os estudantes envolvidos.
Qual a importância pedagógica do concurso para os estudantes?
A integração das turmas na construção das peças foi incorporada às disciplinas de Geografia e Educação Ambiental, sob a orientação da professora Erika Negrão. Segundo a docente, o exercício foi fundamental para que os alunos desenvolvessem competências que vão além da sala de aula tradicional. Ela ressaltou que a atividade exigiu trabalho em equipe, capacidade de resolução de problemas e resiliência diante dos desafios técnicos surgidos durante a montagem das estruturas complexas.
A gente aprendeu a trabalhar mais em equipe. É uma habilidade. Essa atividade nos interligou como pessoas, e esse é um grande ganho para a vida em sociedade. Construímos maquetes e amizades.
Este depoimento do aluno Matheus Felipe resume o impacto social do concurso no ambiente escolar. Para Mayana Martins, de 15 anos, integrante do grupo vencedor, a experiência de participar da construção permitiu uma compreensão profunda de como funciona o tratamento da água que chega às residências. O aprendizado prático foi reforçado pelo esforço coletivo necessário para finalizar o projeto a tempo da exposição oficial no complexo hídrico.
Como a Cosanpa incentiva a educação ambiental no Pará?
O presidente da Cosanpa, o coronel Dilson Júnior, destacou que a companhia recebe anualmente mais de mil visitantes em suas instalações, transformando as unidades produtivas em espaços de aprendizado. Ele reforçou que o Complexo Bolonha serve como inspiração para pesquisas acadêmicas e projetos escolares que buscam soluções sustentáveis para a região Norte. O objetivo é reduzir as desigualdades sociais por meio da disseminação do conhecimento científico sobre o saneamento básico. No contexto brasileiro, a compreensão sobre captação, tratamento e distribuição de água também tem impacto direto em debates sobre saúde pública, meio ambiente e infraestrutura urbana.
- Desenvolvimento de metodologias de ensino fora da sala de aula;
- Estímulo ao conhecimento sobre saneamento básico e saúde pública;
- Promoção da consciência sobre a preservação de fontes hídricas regionais;
- Integração entre a comunidade estudantil e os técnicos de engenharia da estatal.
O assessor da presidência, coronel Getúlio Rocha, também celebrou o engajamento dos jovens, notando que as turmas compreenderam a complexidade e os desafios logísticos de gerir o abastecimento para uma metrópole. Para as instituições que desejam participar desse intercâmbio, a companhia mantém um programa de visitas guiadas. O percurso, que dura cerca de duas horas, permite que os visitantes conheçam desde a captação até o monitoramento final da qualidade da água produzida no estado.
As visitas ao Complexo Bolonha são gratuitas e podem ser agendadas por meio de contato eletrônico oficial. Os interessados devem fornecer o nome da instituição, o curso ou ano de ensino, a quantidade de alunos e sugerir datas para o agendamento. Essa abertura reafirma o compromisso da gestão estadual em aproximar os serviços de infraestrutura urbana da população acadêmica e escolar do Pará, incentivando a cidadania e o cuidado com o meio ambiente.


