A Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias (CMS) da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, no domingo, 29 de março de 2026, a inclusão de 40 novas espécies migratórias sob proteção internacional. A decisão foi tomada durante a 14ª Conferência das Partes (COP14) da CMS, realizada em Samarcanda, no Uzbequistão. Entre os animais listados estão a coruja-das-neves, famosa por aparecer na saga Harry Potter, e a ariranha, mamífero aquático encontrado no Brasil e em outros países da América do Sul. A medida visa estabelecer cooperação transfronteiriça para a conservação dessas espécies, cujas rotas de migração cruzam várias nações.
De acordo com informações do UOL Notícias, a coruja-das-neves (Bubo scandiacus) e a ariranha (Pteronura brasiliensis) agora integram os apêndices da convenção, que obrigam os países signatários a adotar medidas para preservar seus habitats e controlar ameaças. A coruja-das-neves, que habita regiões árticas e migra para áreas mais ao sul, enfrenta riscos como as mudanças climáticas. Já a ariranha, nativa de rios e lagos da América do Sul, sofre com a perda de habitat, poluição e caça.
Quais outras espécies foram incluídas no acordo?
Além da coruja-das-neves e da ariranha, outras 38 espécies migratórias passaram a receber proteção internacional. A lista inclui animais de diversos grupos, como mamíferos, aves, peixes e répteis. A aprovação ocorreu após negociações entre os mais de 130 países membros da convenção, que reconheceram o declínio populacional dessas espécies devido a fatores como degradação ambiental, colisões com infraestruturas humanas e exploração não sustentável.
O acordo reforça a necessidade de ações coordenadas entre os países por onde essas espécies transitam. Para os animais listados no Apêndice I, considerado o de maior proteção, os países devem proibir a captura e trabalhar para conservar e restaurar seus habitats. Já as espécies do Apêndice II exigem acordos internacionais de cooperação para sua gestão e conservação.
Qual a importância da proteção para espécies migratórias?
A proteção de espécies migratórias é um desafio complexo, pois depende da colaboração entre várias nações. Um animal que se reproduz em um país pode se alimentar ou passar o inverno em outro, atravessando fronteiras onde as leis de proteção podem variar. A CMS, também conhecida como Convenção de Bonn, estabelece justamente o marco legal para essa cooperação global.
“A inclusão dessas espécies é um passo crucial. Sem uma ação coordenada internacionalmente, esforços de conservação isolados em um único país podem ser ineficazes para salvar populações que dependem de ecossistemas em múltiplas jurisdições”, explicou uma autoridade da convenção durante o evento.
Para a ariranha, por exemplo, a proteção internacional pode impulsionar projetos de conservação que envolvam o Brasil e países vizinhos como Bolívia, Peru e Venezuela, onde a espécie também ocorre. As principais ameaças a serem combatidas de forma conjunta incluem:
- Desmatamento e degradação de margens de rios
- Contaminação dos corpos d’água por mercúrio (proveniente da mineração) e agrotóxicos
- Caça ilegal por conflito com pescadores ou comércio de peles
- Perturbação do habitat pelo turismo não regulamentado
No caso da coruja-das-neves, a cooperação entre países do Ártico e de latitudes mais temperadas será essencial para monitorar suas populações e mitigar os impactos do aquecimento global em seu ciclo de vida. A espécie, que é um indicador ambiental da saúde do ecossistema ártico, tem tido suas migrações alteradas e sua disponibilidade de alimento reduzida.
A decisão da COP14 representa um avanço significativo na governança ambiental global. Ela demonstra um reconhecimento crescente de que a biodiversidade não respeita fronteiras políticas e que sua preservação é uma responsabilidade compartilhada. A efetividade da medida, no entanto, dependerá da implementação prática dos compromissos pelos países membros, do financiamento para projetos de conservação e do monitoramento contínuo do status dessas populações animais.

