O técnico Dorival Júnior foi demitido do comando do Corinthians nesta segunda-feira, 6 de abril, após a derrota por 1 a 0 para o Internacional, de Porto Alegre, em partida disputada na Neo Química Arena, localizada na zona leste de São Paulo. A decisão da diretoria ocorreu na esteira de uma sequência negativa de nove jogos sem vitórias no Campeonato Brasileiro de 2026. A instabilidade tática e a ausência de evolução no setor criativo foram os fatores determinantes para o encerramento do vínculo do treinador com o clube paulista.
De acordo com informações do GE Futebol, o diretor de futebol Marcelo Paz resumiu o sentimento da cúpula alvinegra em relação ao esgotamento das alternativas de jogo. Em seu pronunciamento, o dirigente foi categórico ao justificar a medida adotada pelo departamento esportivo:
“O trabalho bateu no teto”.
Quais foram os principais problemas ofensivos do time?
O declínio de rendimento da equipe tornou-se evidente ao longo dos meses de março e abril, período em que o desempenho ofensivo despencou. Atualmente, o elenco possui o pior ataque do torneio nacional, um dado alarmante considerando o investimento em jogadores de renome, como Memphis, Lingard, Yuri Alberto e Garro. Estatisticamente, a agremiação mantinha uma média de posse de bola próxima a 55% e registrava cerca de sete finalizações por confronto, porém, o controle territorial não se convertia em oportunidades claras de gol.
A falta de profundidade e a postura estática dos atletas em campo agravaram a situação. Sem a presença de jogadores capazes de ditar o ritmo de forma fluida, o sistema ofensivo tornou-se previsível. Contra o Internacional, por exemplo, a tentativa de adotar uma formação em 4-4-2 resultou em uma equipe engessada diante de uma defesa visitante bem postada, evidenciando a dependência de lampejos individuais, como as ultrapassagens do lateral Matheuzinho e do meio-campista Bidon.
Como as ausências afetaram o planejamento de Dorival Júnior?
O planejamento tático foi severamente comprometido por problemas físicos que afastaram peças fundamentais do time titular. As lesões forçaram o treinador a abandonar o esquema 4-3-1-2 que havia rendido bons frutos no passado. Entre os principais desfalques enfrentados pela comissão técnica, destacam-se as seguintes situações:
- A ausência de Garro, considerado o principal responsável por desequilibrar as defesas adversárias, em grande parte das partidas recentes.
- A lesão de Memphis sofrida durante o jogo contra o Flamengo, em março, que o retirou dos gramados por mais de 11 dias.
- A falta de Carrillo atuando pelo lado direito, o que eliminou uma importante via de escape e de infiltração pelo setor.
Qual é o legado deixado pelo treinador no clube?
Apesar do término conturbado e da dificuldade em propor jogo contra defesas recuadas em 2026, Dorival Júnior deixa um saldo vitorioso em sua passagem de 63 partidas pelo Corinthians. O profissional foi o arquiteto de duas conquistas de grande relevância institucional: a Copa do Brasil e a Supercopa do Brasil. Seu ápice no clube ocorreu quando conseguiu estruturar uma equipe letal nos contra-ataques e nas transições rápidas.
O sucesso nas competições eliminatórias foi construído sob a eficiência do chamado “trio GYM”, formado por Garro, Yuri Alberto e Memphis. Nessa configuração tática, o time aceitava ter menos a posse de bola em troca de descidas mortais, aproveitando os espaços cedidos pelos adversários. No entanto, à medida que os oponentes passaram a estudar essa estratégia e a adotar posturas mais defensivas, as linhas de passe foram definitivamente bloqueadas.
O encerramento do ciclo de Dorival Júnior marca o fim de um período de títulos importantes, mas também expõe a urgência do Corinthians em reinventar seu modelo de jogo. Agora, a diretoria foca as atenções na busca por um novo comandante que seja capaz de superar o limite de desempenho atual, integrar o elenco estrelado e restaurar a competitividade da equipe na temporada, resolvendo as carências na criação de jogadas de forma imediata.