Em partida disputada no estádio Nilton Santos na noite desta quinta-feira (nove), o Botafogo estreou na fase de grupos da Copa Sul-Americana com um empate frustrante por um a um diante do Caracas, da Venezuela. O confronto, válido pela primeira rodada do Grupo E, foi marcado pela pressão da torcida alvinegra sobre o novo treinador e por um desempenho coletivo que rendeu protestos generalizados ao time carioca ao longo dos 90 minutos.
A estreia na competição continental também marcou o primeiro desafio do técnico português Franclim Carvalho sob o comando do Botafogo. No entanto, o cenário esteve longe de ser o ideal para o comandante europeu. A equipe, apesar de manter a posse de bola na maior parte do tempo, apresentou lentidão e dificuldades significativas na transição ofensiva, falhando repetidas vezes em costurar jogadas que levassem perigo consistente à defesa do Caracas. Essa ineficiência gerou forte insatisfação nas arquibancadas, culminando em vaias pesadas tanto na saída para o intervalo quanto no apito final.
Como foi o desempenho do Botafogo no primeiro tempo?
A etapa inicial evidenciou as imensas dificuldades de criação do time mandante. De acordo com informações da CNN Brasil, a primeira oportunidade real de gol do Botafogo surgiu apenas aos dez minutos de jogo. Na jogada, Vitinho realizou um cruzamento perigoso e encontrou Matheus Martins em boa posição dentro da área, mas o cabeceio do atacante acabou indo para fora, frustrando a torcida local.
A partida seguiu tensa, com o time da casa rondando a área adversária sem grande contundência. Aos 26 minutos, ocorreu um dos momentos mais polêmicos da partida. O camisa dois alvinegro, Matheus Martins, invadiu a grande área e caiu no gramado após uma dividida com o jogador Eduardo Fereira, do Caracas. A arbitragem de campo chegou a assinalar a penalidade máxima em um primeiro momento, mas, conforme relatado pela Jovem Pan, o árbitro voltou atrás e anulou a marcação após a revisão minuciosa recomendada pela equipe do VAR.
Na reta final do primeiro tempo, os visitantes começaram a assustar e a explorar os espaços deixados pelo adversário. Aos 41 minutos, Wilfred Correa puxou um rápido contra-ataque e acionou Figueroa, que arriscou um chute de fora da área sem sucesso. Contudo, o panorama do jogo mudou drasticamente no minuto seguinte. Após uma cobrança de escanteio executada pelo jogador venezuelano Cova, o atleta Barboza tentou fazer o corte defensivo para afastar o perigo, mas acabou entregando a bola de forma desastrosa nos pés de Wilfred Correa. Completamente livre de qualquer marcação, o jogador do Caracas não desperdiçou o presente e finalizou com precisão no canto do goleiro Raul, abrindo o placar aos 42 minutos. O Botafogo ainda tentou uma reação desesperada nos acréscimos, mas desceu para os vestiários sob intensas e sonoras vaias de seus torcedores.
Qual foi a reação do time na segunda etapa do jogo?
A postura da equipe carioca precisou mudar de imediato na volta do intervalo para evitar uma derrota vexatória dentro de casa logo na estreia da competição internacional. A resposta, impulsionada pela necessidade técnica, ocorreu de forma relâmpago, logo aos cinco minutos do segundo tempo. Em um lance de intensa disputa física e insistência dentro da grande área, o jogador Danilo conseguiu dividir a bola com o goleiro venezuelano Benítez.
A sobra dessa dividida truncada ficou extremamente favorável para o atacante Arthur Cabral, que acompanhava a jogada de perto. Com a meta adversária escancarada e o goleiro batido no lance anterior, Arthur Cabral apenas empurrou a bola para o fundo das redes vazias, decretando o empate em um a um no marcador do estádio Nilton Santos e aliviando momentaneamente o clima de tensão que pairava sobre o estádio.
Após alcançar o gol de igualdade, o time da casa tentou manter o ímpeto ofensivo para buscar a sonhada virada diante de seus torcedores. Aos 25 minutos da etapa complementar, Danilo decidiu arriscar um arremate potente de longa distância, exigindo uma defesa de alto nível do goleiro Benítez, que evitou o que seria o segundo gol botafoguense na partida. Apesar de aumentar o volume de jogo e tentar pressionar o bloco defensivo venezuelano na reta final, o placar não sofreu novas alterações, confirmando um empate com sabor de derrota para os mandantes.
Como fica a situação do Grupo E da Copa Sul-Americana?
O resultado amargo no Rio de Janeiro deixou tanto o Botafogo quanto o Caracas com apenas um ponto somado na tabela de classificação, ocupando as posições intermediárias do grupo. A chave, no entanto, já conta com uma equipe isolada na primeira colocação após a rodada inaugural. Trata-se do tradicional Racing, da Argentina, que confirmou o seu favoritismo jogando como mandante.
A equipe de Avellaneda fez o dever de casa com propriedade e superou o Independiente Petrolero, representante da Bolívia, com uma vitória contundente por três a um. Este cenário estabelece uma pressão imediata sobre os demais clubes da chave, visto que apenas o melhor classificado de cada grupo avança diretamente para a fase de oitavas de final da competição, enquanto o segundo colocado precisa disputar uma repescagem contra as equipes eliminadas da Copa Libertadores.
O que muda para o clube carioca nas próximas rodadas?
O tropeço na primeira rodada impõe uma urgência de resultados para a comissão técnica liderada por Franclim Carvalho e para todo o elenco alvinegro. O saldo da noite evidencia as dificuldades estruturais de um time que ainda busca sua melhor identidade tática sob o comando do novo treinador. A agenda do torneio não permite grandes pausas para lamentos, e os próximos passos já estão definidos com um grau elevadíssimo de dificuldade para o representante brasileiro.
A sequência da equipe no Grupo E apresenta as seguintes definições fundamentais para a continuidade do projeto continental:
- O próximo adversário direto será justamente o Racing, atual líder isolado do grupo.
- A partida é válida pela segunda rodada da fase de grupos da Sul-Americana.
- O confronto está agendado para a próxima quarta-feira.
- A bola rola a partir das 19h (pelo horário de Brasília).
- O duelo decisivo ocorrerá longe do Rio de Janeiro, no território argentino, aumentando o nível de complexidade do embate.
O jogo na Argentina assume contornos de verdadeira final antecipada para as pretensões do clube. Uma derrota frente aos líderes pode distanciar irremediavelmente o Botafogo da briga pela liderança da chave, complicando drasticamente o planejamento para o restante da temporada continental e aumentando ainda mais a pressão sobre o recém-chegado trabalho da comissão técnica portuguesa.