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COP15 em Campo Grande cria bosque com 250 mudas e avança proteção de espécies

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Pessoas plantando mudas de árvores em um terreno aberto, com mãos segurando terra e vegetação ao fundo.
Reprodução / agenciabrasil.ebc.com.br

Participantes da COP15, a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres, plantaram 250 mudas de espécies nativas e frutíferas na tarde de sábado, 28 de março de 2026, em Campo Grande, durante a criação do Bosque da COP15. A ação reuniu diplomatas, delegados, representantes de movimentos ambientalistas e moradores da cidade como parte da agenda do encontro global, que também discutiu medidas de conservação a serem formalmente adotadas na plenária final de domingo, 29 de março de 2026. De acordo com informações da Agência Brasil, a iniciativa foi apresentada como um legado concreto da conferência para o território anfitrião.

Segundo o relato, o plantio foi alinhado ao tema do evento, Conectando a Natureza para Sustentar a Vida. O bosque reúne espécies do Cerrado e frutíferas, como sapoti, pitanga, angico e manduvi. A proposta, além de ampliar a arborização urbana, busca favorecer a presença de fauna silvestre na cidade, incluindo espécies que dependem dessas árvores para alimentação ou reprodução.

Por que o Bosque da COP15 foi criado em Campo Grande?

A escolha do local está ligada a uma estratégia municipal de expansão de áreas verdes em regiões com poucas árvores. Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, sediou a conferência e está em uma área de influência do Cerrado e do Pantanal, dois biomas relevantes para a conservação de espécies no país. A bióloga Sílvia Ray Pereira, da Gerência de Arborização da prefeitura, afirmou que o bosque se integra a um projeto lançado no ano passado para a criação de miniflorestas em espaços urbanos.

“O Bosque da COP15 entra em um projeto que lançamos ano passado para a criação de miniflorestas onde há poucas árvores, principalmente praças, para que a gente concilie arborização urbana, saúde da população e ainda atenda os animais silvestres”, destaca a bióloga.

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Entre as espécies plantadas, o manduvi recebeu atenção especial por sua relação com a arara-azul. De acordo com a bióloga, a árvore é muito usada pela ave para a construção de ninhos, o que pode contribuir para a aproximação da espécie de áreas urbanas com maior cobertura vegetal.

“A ideia é a atrair a espécie que já está voltando a se aproximar da cidade. Tendo a expansão das áreas verdes com o manduvi, a arara-azul vai encontrar aqui um local seguro para fazer a nidificação”, explica.

O que foi decidido na plenária antes do encerramento da COP15?

Na manhã de sábado, 28 de março de 2026, a plenária que antecedeu o último dia da conferência deliberou sobre os temas pendentes da agenda. Segundo o texto original, houve consenso para encaminhar mais de 100 itens à plenária final em quase todas as discussões realizadas ao longo do encontro.

O presidente da COP15, João Paulo Capobianco, afirmou que as decisões encaminhadas seriam oficialmente adotadas pela convenção no domingo. Capobianco é secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Entre as medidas lideradas ou apoiadas pelo Brasil estão ações voltadas à conservação de espécies migratórias aquáticas e marinhas.

“Amanhã, na plenária final, elas serão oficialmente adotadas pela convenção”, afirma o presidente da COP15, João Paulo Capobianco.

Quais medidas e espécies entraram nas deliberações da convenção?

Entre os pontos mencionados estão a aprovação do Plano de Ação para a Conservação dos Grandes Bagres Migratórios Amazônicos e a promoção de ações internacionais concentradas para a conservação do tubarão-mangona e do tubarão-peregrino.

Após a plenária final, também devem passar a integrar as listas de proteção da CMS espécies distribuídas em diferentes anexos da convenção, de acordo com o grau de ameaça e a necessidade de cooperação internacional.

  • Anexo I: maçarico-de-bico-torto e maçarico-de-bico-virado.

  • Anexo II: peixe pintado, tubarão cação-cola-fina e caboclinho-do-pantanal.

  • Nas duas listas: ariranha e petréis, também chamados de grazinas.

O texto informa ainda que, sem consenso para dar continuidade à avaliação, o Brasil retirou a proposta de inclusão do tubarão cação-anjo-espinhoso no Anexo II. Assim, o tema não avançou para deliberação final nesta rodada da conferência.

Como a ação simbólica se conecta às decisões da conferência?

Ao reunir representantes de diversos países em uma atividade de plantio, a organização buscou associar a discussão diplomática sobre espécies migratórias a uma intervenção concreta no espaço urbano. A Convenção sobre Espécies Migratórias, conhecida pela sigla CMS, é um tratado internacional voltado à proteção de animais silvestres que cruzam fronteiras. A secretária executiva da Convenção de Espécies Migratórias de Animais Silvestres, Amu Fraenkel, defendeu essa relação entre debate internacional e ação local.

“Esse é o mais importante evento de toda a COP, porque a ação importa mais e é para que ela aconteça que nos reunimos. Tem um ditado antigo que diz pensar global e agir local e é o que estamos fazendo hoje, porque todos têm um papel a desempenhar para a proteção das espécies migratórias”, afirmou a secretária executiva da Convenção de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), Amu Fraenkel.

Com isso, a COP15 encerra sua programação em Campo Grande combinando decisões formais da convenção com uma iniciativa ambiental de alcance local. O Bosque da COP15 passa a funcionar, segundo os participantes, como um legado físico do encontro e como parte de uma estratégia mais ampla de conexão entre conservação, cidade e biodiversidade.

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