A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou nesta sexta-feira, 27 de março de 2026, a manutenção da bandeira tarifária verde durante todo o mês de abril no Brasil. Com a decisão, os consumidores continuam sem cobrança adicional na conta de luz, em um cenário sustentado pelo volume de chuvas registrado em março e pelos níveis considerados satisfatórios nos reservatórios das hidrelétricas. De acordo com informações do Monitor Mercantil, a medida mantém o quadro observado desde o início de janeiro.
Segundo a Aneel, a permanência da bandeira verde reflete condições favoráveis de geração de energia no país. Com reservatórios em situação satisfatória, reduz-se a necessidade de acionamento de usinas termelétricas, que têm custo de produção mais elevado. Na prática, isso evita a cobrança de valores extras nas faturas dos consumidores.
O que significa a bandeira verde na conta de luz?
O sistema de bandeiras tarifárias foi implementado em 2015 como uma forma de sinalizar o custo real da energia elétrica no país. A classificação pode variar entre verde, amarela e vermelha, conforme as condições de geração. Quando a bandeira está verde, não há cobrança adicional sobre o consumo de energia.
De acordo com o texto original, essa classificação leva em conta fatores como:
- disponibilidade de recursos hídricos;
- avanço das fontes renováveis;
- necessidade de acionamento de fontes térmicas.
Mesmo com o cenário considerado positivo, a agência reforçou a importância do uso consciente da eletricidade. A orientação é evitar desperdícios, tanto para reduzir consumo desnecessário quanto para contribuir com a sustentabilidade do setor elétrico.
Por que a Aneel manteve a bandeira verde em abril?
A justificativa apresentada pela Aneel está ligada ao comportamento das chuvas em março. O volume registrado no período ajudou a garantir níveis satisfatórios nos reservatórios das hidrelétricas, o que favorece uma geração mais eficiente e menos dependente de fontes mais caras.
Esse contexto é relevante porque a matriz elétrica brasileira tem forte participação das hidrelétricas. Quando os reservatórios estão em condições melhores, o sistema opera com menor pressão de custos. Já em cenários de escassez hídrica, aumenta a probabilidade de uso de termelétricas e, consequentemente, de cobrança adicional por meio de bandeiras amarela ou vermelha.
O que aconteceu no leilão de transmissão realizado pela Aneel?
Além do anúncio sobre a bandeira tarifária, a sexta-feira também foi marcada pelo primeiro leilão de transmissão de energia do ano, promovido pela Aneel na sede da B3, na capital paulista. A B3 é a bolsa de valores do Brasil e costuma sediar esse tipo de certame de infraestrutura. O certame ofertou cinco lotes, com investimentos estimados em R$ 3,3 bilhões e previsão de mais de 8,4 mil empregos.
A licitação prevê a construção e manutenção de 798 quilômetros de linhas de transmissão e de 2.150 megavolt-ampères em capacidade de transformação de subestações, além de compensadores síncronos. Os empreendimentos estão distribuídos em 11 estados:
- Bahia;
- Ceará;
- Mato Grosso;
- Minas Gerais;
- Pará;
- Paraná;
- Rio de Janeiro;
- Rio Grande do Norte;
- Sergipe;
- Santa Catarina;
- São Paulo.
O prazo para conclusão das obras varia entre 42 e 60 meses. Segundo o texto, o leilão foi concorrido e registrou deságios de até 54,8%.
As empresas Engie Transmissão de Energia e Cymi Construções e Participações foram as que mais venceram lotes, com dois cada. A Cymi ficou com os lotes um e cinco, enquanto a Engie levou o lote dois e o lote três, este último composto por quatro sublotes. O lote quatro foi arrematado pelo Consórcio BR2ET.
No lote um, com instalações no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, a Cymi apresentou oferta de R$ 46.611.311,00, com deságio de 46,85% em relação ao teto definido pelo regulador. No lote dois, referente a instalações no Paraná e em Santa Catarina, a Engie venceu com proposta de R$ 18.137.374,70 e deságio de 46,89%.
Já o lote três, dividido em quatro sublotes com instalações no Rio Grande do Norte e no Ceará, foi arrematado pela Engie com ofertas de R$ 22,8 milhões no sublote 3A, R$ 20,6 milhões no 3B, R$ 39,6 milhões no 3C e R$ 21,6 milhões no 3D, resultando em deságio médio de 54,83%. O lote quatro, na Bahia e em Sergipe, ficou com a BR2ET Transmissora, com proposta de R$ 25.563.777,00 e deságio de 37,89%.
O lote cinco, voltado ao suprimento das regiões de Cláudia e Novo Progresso, em Mato Grosso e no Pará, foi arrematado pela Cymi Construções e Participações por R$ 91.194.333,00, com deságio médio de 50,89% sobre a Receita Anual Permitida inicial estabelecida pela Aneel.


