A Comissão Permanente Mista de Combate à Violência contra a Mulher do Congresso Nacional promove, na terça-feira (14) e na quarta-feira (15) de abril, um seminário voltado à discussão de estratégias para o fortalecimento da rede de proteção a meninas e mulheres em território nacional. O evento será sediado no plenário seis da ala Nilo Coelho, no Senado Federal, com início previsto para as 09h30 no primeiro dia e 09h00 no segundo, reunindo especialistas e autoridades para debater a eficácia das políticas públicas atuais.
De acordo com informações da Câmara dos Deputados, a iniciativa partiu da deputada Luizianne Lins (PT-CE), que preside o colegiado. A parlamentar enfatiza que a abordagem adotada para as discussões é transversal e intersetorial, visando não apenas a punição de agressores, mas a construção de uma estrutura de suporte que seja capaz de acolher as vítimas de maneira humanizada e eficiente em diferentes esferas da sociedade brasileira.
Como será a estrutura do seminário no Congresso Nacional?
O evento foi planejado para ser um espaço de diálogo aberto e interativo. Diferente de sessões legislativas convencionais, o seminário permitirá que o público acompanhe as discussões em tempo real e envie perguntas aos convidados, promovendo uma maior transparência e participação social. A organização dividiu as atividades em dois dias intensos de debates, focando tanto em aspectos técnicos da rede de proteção quanto em propostas legislativas para o futuro próximo.
A escolha do plenário seis da ala Nilo Coelho, no Senado, reflete a natureza mista da comissão, que une senadores e deputados federais em um esforço conjunto. A participação de diversos setores da sociedade é incentivada, uma vez que o aperfeiçoamento da rede de enfrentamento depende da colaboração entre o Poder Público e as instituições civis que atuam na ponta do atendimento às mulheres agredidas.
Quais são os principais objetivos da iniciativa parlamentar?
Segundo a deputada Luizianne Lins, o seminário busca, primordialmente, o aprimoramento da rede de enfrentamento. Isso envolve a identificação de gargalos institucionais — falhas em processos ou na comunicação entre órgãos — que muitas vezes retardam a assistência às vítimas. O foco está em garantir que as políticas públicas sejam mais eficientes, evitando a revitimização e promovendo um atendimento que considere as particularidades de cada caso.
Outro ponto central é a busca por políticas humanizadas. Isso significa que o Estado deve estar preparado para oferecer suporte psicológico, jurídico e social de forma integrada. O seminário pretende servir como um laboratório de propostas que possam ser transformadas em projetos de lei ou recomendações ao Poder Executivo, fortalecendo o arcabouço legal de proteção ao público feminino.
Qual a importância da parceria com o Ministério das Mulheres?
O evento foi planejado em conjunto com o Ministério das Mulheres e o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. Essa parceria é estratégica, pois permite que as discussões legislativas estejam em total sintonia com o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio. Este pacto é uma iniciativa do governo federal que visa coordenar ações em todo o país para reduzir as mortes violentas de mulheres motivadas por questões de gênero.
A colaboração interinstitucional garante que as contribuições colhidas durante os dois dias de seminário possam ser aplicadas de forma prática em programas nacionais. A presença do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher assegura, ainda, que as vozes de representantes de diversos movimentos sociais sejam ouvidas, trazendo a realidade das ruas para dentro do plenário do Congresso.
Quais eixos temáticos serão discutidos no evento?
A programação foi estruturada para cobrir as áreas mais críticas da segurança e proteção feminina. De acordo com a organização, o seminário focará em eixos centrais que são considerados os pilares para uma proteção integral. Os debates serão organizados em torno de quatro pontos principais:
- O diálogo interinstitucional entre polícia, justiça e serviços de assistência;
- A interseccionalidade, observando como raça e classe impactam a violência;
- Justiça e segurança pública focadas na agilidade processual;
- O combate às violências emergentes, como o assédio digital.
Sobre a importância desta agenda temática, a deputada Luizianne Lins destacou a necessidade de uma visão moderna e abrangente sobre o problema da criminalidade contra o gênero feminino em solo brasileiro:
O seminário pretende focar em eixos centrais para a proteção de meninas e mulheres, tais como: o diálogo interinstitucional, a interseccionalidade, justiça e segurança e violências emergentes.
Ao tratar de violências emergentes, a comissão sinaliza uma atenção especial aos novos crimes que surgem com a evolução tecnológica, como o stalking e o compartilhamento não autorizado de imagens. Já o foco na interseccionalidade demonstra o reconhecimento de que mulheres negras, indígenas e rurais enfrentam barreiras específicas que exigem soluções igualmente específicas do Estado.