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Companhias aéreas chinesas ampliam em 2.350 o número de voos para a Europa

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As companhias aéreas chinesas planejam adicionar 2.350 voos para a Europa Ocidental nos próximos seis meses, aproveitando uma vantagem geopolítica significativa em relação às concorrentes globais. De acordo com informações do Valor Empresas, enquanto outras empresas aéreas enfrentam rotas mais longas e combustíveis caros devido a conflitos no Oriente Médio, as transportadoras asiáticas operam com custos operacionais reduzidos por manterem acesso irrestrito ao espaço aéreo da Rússia.

Após as escaladas militares entre Estados Unidos, Israel e Irã no final de fevereiro, os corredores aéreos entre a Europa e a Ásia tornaram-se mais restritos. Com os espaços aéreos russo e ucraniano efetivamente fechados para empresas ocidentais, as companhias europeias são obrigadas a realizar desvios, o que resulta em viagens prolongadas e consumo elevado de combustível de aviação em meio à alta global do petróleo.

Por que as companhias chinesas possuem vantagem na aviação comercial?

O cenário atual cria uma dominância prática para as empresas da China, que continuam autorizadas a sobrevoar o território russo. Essa autorização permite trajetos consideravelmente mais curtos e diretos, garantindo margens financeiras superiores às das operadoras ocidentais, que sofrem com a inflação dos insumos operacionais.

As companhias aéreas chinesas mantêm uma vantagem estrutural nas rotas entre a Europa e a Ásia, porque podem voar perto de trajetórias de grande círculo sobre a Rússia, enquanto as companhias aéreas europeias precisam desviar para o sul

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, explicou Linus Bauer, chefe da consultoria de aviação BAA & Partners.

Bauer estima que os desvios exigidos pelas restrições de guerra custam às companhias europeias um valor adicional significativo. O gasto extra varia de US$ 8 mil a US$ 20 mil por hora apenas em combustível. Ao somar todas as despesas operacionais, projeta-se um aumento total que varia de US$ 15 mil a US$ 30 mil por trajeto realizado.

A discrepância de custos reflete diretamente no valor das passagens repassado aos consumidores. Um levantamento na plataforma Skyscanner demonstrou que um bilhete de Frankfurt para Xangai operado pela Air China custa em média 870 euros, o equivalente a US$ 1.015. Em contrapartida, a mesma rota ofertada pela companhia alemã Lufthansa atinge o valor de 1.008 euros.

Como as rotas mais curtas afetam a expansão dos voos para a Europa?

Segundo o diretor para o Sudeste Asiático na consultoria empresarial Dezan Shira & Associates, Marco Forster, a equação é simples: rotas encurtadas representam menor gasto de combustível e tarifas finais mais atrativas ao passageiro. O levantamento da provedora de dados OAG aponta que o crescimento planejado para a temporada primavera-verão, que se estende de março a outubro, é liderado por três gigantes da aviação asiática:

  • Air China: liderança absoluta com 969 voos adicionais na malha aérea.
  • China Eastern Airlines: acréscimo de 697 trajetos diretos operacionais.
  • China Southern Airlines: aumento de 410 rotas comerciais programadas.

Além da expansão numérica, novas conexões diretas estão sendo inauguradas ligando o Aeroporto Internacional de Daxing, localizado em Pequim, a importantes centros como Frankfurt, Helsinque e Milão, com mais de 100 voos atendendo essas rotas. A isenção de vistos promovida pelo governo chinês para diversos países europeus neste ano impulsiona ainda mais essa dominância de mercado, restando apenas o desafio de aprimorar serviços de bordo e proficiência em idiomas estrangeiros.

Qual é a perspectiva para as empresas ocidentais frente ao mercado asiático?

No curto prazo, as companhias europeias mantêm certa estabilidade graças a estratégias de proteção financeira contra a volatilidade do petróleo, conhecidas como contratos de repasse. Especialistas do setor estimam que algumas transportadoras tenham até 90% do consumo de combustível protegido, mas essa blindagem possui um limite de tempo estabelecido.

A Kpler, empresa global de análise de commodities e logística marítima, alerta que gargalos operacionais podem provocar cancelamentos de voos entre os continentes, com picos previstos para o mês de maio. O analista sênior Zameer Yusof ressaltou que as recentes negociações de cessar-fogo no Oriente Médio são insuficientes para garantir alívio imediato no abastecimento comercial.

Se o cessar-fogo se mantiver e for seguido por uma paz mais ampla, ainda levará algum tempo para que as viagens aéreas para e através do Oriente Médio retornem aos padrões anteriores

, projetou Edmond Rose, diretor da consultoria ASM Global Route Development.

Apesar das dificuldades e do fato de o Reino Unido ser o maior importador líquido de querosene de aviação do mundo, empresas europeias tentam capitalizar a fuga de passageiros dos hubs de conexão do Golfo Pérsico. A Finnair registrou um aumento médio de 15% nos bilhetes para a Ásia devido a essa demanda transferida. A British Airways também ampliou frequências para destinos seguros, como Bangcoc e Cingapura, além de programar novos voos para Melbourne e Colombo em 2026.

Edmond Rose avalia que os europeus dispostos a pagar tarifas mais altas para evitar o Oriente Médio tornam o aumento dos custos de combustível gerenciável no momento. Contudo, Linus Bauer adverte que esse acréscimo de voos é estritamente oportunista. A longo prazo, a exclusão da rota sobre a Rússia desenha uma dura reconfiguração de competitividade econômica entre os continentes, conferindo às empresas chinesas uma liderança estrutural robusta.

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