A escalada das tensões no Oriente Médio, com o acirramento do conflito entre EUA-Israel e Irã, está causando sérios impactos no comércio e na economia da região. Em Dubai e outros centros comerciais importantes, muitas lojas estão fechadas ou operando com equipes reduzidas, refletindo o caos instaurado nos negócios e nas viagens.
A intensificação do conflito, com ataques aéreos e troca de mísseis e drones, tem gerado grande apreensão no setor varejista. A situação se agravou após o ataque que resultou na morte do líder supremo do Irã e de civis, incluindo crianças, em uma escola.
O Chalhoub Group, que opera 900 lojas de marcas como Versace, Jimmy Choo e Sephora, informou o fechamento de suas unidades no Bahrein. Nos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Jordânia, as lojas permanecem abertas, mas com equipes reduzidas e presença de funcionários voluntária. “Operamos com uma equipe enxuta formada por membros que se voluntariaram e se sentem confortáveis em vir à loja”, disse Lynn al Khatib, vice-presidente de comunicações da Chalhoub.
A gigante do e-commerce Amazon suspendeu as entregas em toda a região e fechou seus centros de distribuição em Abu Dhabi, orientando seus funcionários na Arábia Saudita e na Jordânia a permanecerem em casa. A Kering, proprietária da Gucci, também anunciou o fechamento temporário de suas lojas nos Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Bahrein e Catar, além da suspensão de viagens para o Oriente Médio.
O mercado de luxo também está sentindo os efeitos do conflito. As ações de grupos como LVMH, Hermes e Richemont (proprietária da Cartier) registraram quedas significativas. Embora o Oriente Médio represente uma pequena fatia dos gastos globais com luxo, a região se destacou como um dos mercados de melhor desempenho no ano passado.
A interrupção dos fluxos turísticos devido ao fechamento de aeroportos e os ataques de mísseis, como o que danificou o hotel Fairmont Palm em Dubai, devem impactar negativamente o setor. Victor Dijon, sócio sênior da consultoria Kearney, estima que o varejo de viagens na região possa perder centenas de milhões de dólares se a situação persistir.
Marcas de luxo como Cartier e Louis Vuitton têm investido em novas lojas e eventos exclusivos na região. A Primark, varejista de moda econômica, também planejava abrir lojas em Dubai, Bahrein e Catar. A Associated British Foods, proprietária da Primark, informou que está monitorando a situação de perto.
Outras empresas como a Apple e a H&M também fecharam suas lojas em Dubai e em outros países da região. O grupo de bens de consumo Reckitt orientou seus funcionários no Oriente Médio a trabalharem de casa, fechou sua unidade de fabricação no Bahrein e suspendeu viagens de negócios.
