O comércio no Rio de Janeiro registrou queda de 1,3% nas vendas em 2025, enquanto o setor em âmbito nacional cresceu 1,6%. A desaceleração da economia brasileira, com impactos diferenciados nos estados, afetou especialmente o varejo fluminense ao longo do ano passado.
De acordo com informações do Monitor Mercantil, a economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, gerando R$ 12,7 trilhões. O comércio contribuiu com alta de 1,1% nesse resultado. O aumento de 1,3% na despesa de consumo das famílias foi um dos fatores que impulsionaram o desempenho nacional.
No entanto, a economia brasileira enfrentou desaceleração ao longo de 2025 devido à alta do dólar no primeiro semestre, pressão sobre preços, juros elevados e endividamento de famílias e empresas.
O que explica a diferença de desempenho entre Brasil e Rio de Janeiro?
Enquanto o comércio nacional cresceu 1,6% em comparação com 2024, o Rio de Janeiro teve retração de 1,3%. Entre abril e julho de 2025, o setor registrou quatro quedas mensais consecutivas em nível nacional: abril (-0,3%), maio (-0,3%), junho (-0,1%) e julho (-0,2%). Ao longo de todo o ano, foram seis variações negativas e seis positivas.
A análise pela taxa acumulada em 12 meses mostra que o indicador nacional se manteve positivo em todos os meses. Já no Rio de Janeiro, as variações ficaram negativas de março a dezembro. O faturamento do varejo nacional variou de 4% em janeiro para 1,6% em dezembro. No comércio fluminense, o índice foi de 0,9% em janeiro para queda de 1,3% ao final do ano.
Quais são os principais entraves para o comércio no Rio?
Os resultados indicam desafios maiores para os comerciantes no estado. A lista de obstáculos inclui carga tributária elevada, concorrência desleal, camelotagem, contrabando, violência, roubos de carga e veículos, além do caos urbano.
A redução ou eliminação desses entraves é vista como medida necessária para permitir maior desenvolvimento do setor, com potencial de gerar mais empregos. Especialistas defendem a implementação de políticas de incentivo ao investimento e ao fortalecimento do comércio local.
O balanço revela que o ritmo de evolução do comércio fluminense ficou abaixo de outros estados, o que reforça a necessidade de medidas específicas para o Rio de Janeiro. O estado tem peso relevante no varejo e na economia nacional, o que dá dimensão mais ampla ao desempenho do comércio fluminense.
A avaliação faz parte de análise assinada por Aldo Gonçalves, que atua como presidente do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDLRio) e do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio de Janeiro (SindilojasRio).
O desempenho diferenciado entre o comércio nacional e o fluminense reflete as dificuldades regionais mesmo em um cenário de leve crescimento da economia brasileira. Os dados compilados pelo IBGE, responsável pelas principais pesquisas econômicas oficiais do país, servem de base para o entendimento dos movimentos do varejo ao longo de 2025.
