Coiotes urbanos assumem mais riscos do que os rurais, aponta estudo nos EUA - Brasileira.News
Início Meio Ambiente Coiotes urbanos assumem mais riscos do que os rurais, aponta estudo nos...

Coiotes urbanos assumem mais riscos do que os rurais, aponta estudo nos EUA

0
8
Coiote caminha atento por uma rua residencial pavimentada durante o dia, em área urbana com casas ao fundo.
Foto: Autor / Flickr (CC BY)

Os coiotes urbanos nos Estados Unidos tendem a assumir mais riscos e a demonstrar menos medo diante de estímulos desconhecidos do que os coiotes de áreas rurais, segundo um estudo citado pelo jornal. A pesquisa comparou o comportamento dos animais em 16 pares de locais pelo país, com 623 estações de monitoramento, e sugere que a diferença pode estar ligada à menor exposição a perseguição humana nas cidades. De acordo com informações do Guardian Environment, os resultados foram publicados na revista Scientific Reports em dezembro de 2025.

Embora os coiotes não façam parte da fauna brasileira, a discussão sobre adaptação de animais silvestres às cidades tem paralelo no Brasil, onde espécies como capivaras, gambás, quatis e até jacarés aparecem com frequência em áreas urbanizadas. Em ambos os casos, pesquisadores e gestores públicos observam como a oferta de alimento e a convivência mais próxima com humanos podem alterar o comportamento da fauna.

O trabalho foi conduzido por pesquisadores que analisaram a reação de coiotes urbanos e rurais a objetos novos instalados em estações com câmeras acionadas por movimento. Em metade dos pontos, os cientistas montaram uma estrutura com quatro postes e barbante, considerada incomum para os animais, além de isca de carne e um atrativo olfativo. Segundo o estudo, os coiotes urbanos do oeste dos EUA permaneceram cerca de quatro segundos a mais perto da área com isca do que os animais de zonas rurais.

O que o estudo identificou sobre os coiotes nas cidades?

De acordo com Javier Monzón, biólogo da Pepperdine University, em Malibu, e coautor do estudo, o padrão observado foi consistente. Em declaração reproduzida pela reportagem, ele afirmou que os coiotes urbanos “assumem mais riscos” do que os rurais, mas isso não significa que sejam mais agressivos. A interpretação é que esses animais estariam menos temerosos diante de situações ou objetos desconhecidos.

— Publicidade —
Google AdSense • Slot in-article

“Os coiotes urbanos em todo o país assumem mais riscos em comparação com os coiotes de áreas rurais.”

“Isso não significa que eles sejam mais agressivos; significa apenas que têm menos medo de estímulos desconhecidos.”

A pesquisa também foi apresentada como uma forma de discutir uma questão mais ampla sobre a vida selvagem em ambientes urbanos. Como os coiotes estão amplamente distribuídos no território americano, os autores os consideraram um bom modelo para investigar se animais de cidades se comportam de forma diferente de seus equivalentes no campo.

Como os pesquisadores chegaram a essa conclusão?

Os cientistas instalaram câmeras de armadilha remota, acionadas por qualquer animal de sangue quente que passasse em frente ao equipamento. Em parte dos locais, os pesquisadores adicionaram uma estrutura inédita para os coiotes e colocaram, dentro dela, uma colher de chá cheia de isca de carne e um tablete de odor para atraí-los. A comparação entre as reações em áreas urbanas e rurais revelou a diferença de comportamento.

Segundo os autores, essa distância comportamental provavelmente é resultado de um medo menor de assédio nas cidades, onde a caça recreativa costuma ser proibida e os coiotes enfrentam menos ameaças diretas de humanos. A reportagem observa que a espécie vive no oeste dos EUA há milhares de anos, mas se expandiu rapidamente para outras partes do continente nas últimas décadas, em um contexto de ausência de predadores e ampla oferta de alimento.

  • Foram 623 estações de monitoramento.
  • O estudo comparou 16 pares de áreas urbanas e rurais.
  • Os resultados saíram na Scientific Reports em dezembro de 2025.
  • Os coiotes urbanos do oeste permaneceram cerca de quatro segundos a mais perto da isca.

Por que essa diferença importa para as cidades?

A expansão dos coiotes em áreas urbanas tem aumentado a preocupação de comunidades com possíveis encontros envolvendo pessoas, crianças e animais domésticos. A reportagem cita um estudo de 2016 segundo o qual coiotes estavam presentes em 96 de 105 cidades pesquisadas nos EUA. Também menciona uma pesquisa de 2019 do National Park Service que apontou que 20% da dieta de coiotes urbanos é composta por gatos.

Para o leitor brasileiro, esse tipo de estudo ajuda a entender um desafio comum a grandes centros: como reduzir conflitos entre humanos e animais silvestres em áreas urbanas, tema que também envolve órgãos ambientais e prefeituras no Brasil. A questão tem impacto sobre segurança, manejo de fauna e orientação da população sobre alimentação indireta de animais e descarte de lixo.

Para Monzón, os resultados podem ajudar no manejo da espécie em centros urbanos. Como o padrão apareceu em diferentes cidades, ainda que de forma mais acentuada no oeste do país, a avaliação é que técnicas de manejo bem-sucedidas em um lugar possivelmente possam funcionar em outro.

Quais dúvidas continuam em aberto?

Niamh Quinn, ecóloga de vida selvagem da University of California Division of Agriculture and Natural Resources, disse à reportagem que os resultados não a surpreendem e descreveu os coiotes como altamente adaptáveis. Ela destacou, porém, que ainda há incerteza sobre a eficácia do chamado hazing, prática usada para tornar a presença humana desconfortável para o animal por meio de gritos, gestos amplos ou dispositivos sonoros.

“Os coiotes são extremamente adaptáveis.”

Quinn afirmou que a resposta pode variar conforme o indivíduo, e por isso tenta capturar coiotes, colocar colares de monitoramento e aplicar o método em parte deles para medir se o uso do espaço muda depois. Já Monzón disse que permanece em aberto se a mudança de comportamento decorre de habituação ao ambiente urbano ou de um processo evolutivo, como adaptação genética para maior ousadia. A reportagem acrescenta que esse possível efeito das cidades sobre o comportamento pode se estender a outras espécies, como corvos, esquilos e aves.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here