Coelho tapiti: espécie nativa do Brasil enfrenta ameaça na Mata Atlântica - Brasileira.News
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Coelho tapiti: espécie nativa do Brasil enfrenta ameaça na Mata Atlântica

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a rabbit sitting on the ground
a rabbit sitting on the ground Foto: Alessandra Pashanase via Unsplash — Unsplash License (livre para uso)

O tapiti (Sylvilagus brasiliensis) é uma espécie de coelho nativa e exclusiva do Brasil, encontrada predominantemente na Mata Atlântica do Nordeste, que, em abril de 2026, enfrenta sérias ameaças à sua sobrevivência. De acordo com informações do site ((o))eco, o pequeno mamífero orelhudo, descrito originalmente em 1758 pelo cientista Carolus Linnaeus, sofre com o avanço do desmatamento e a caça ilegal na região conhecida como Centro de Endemismo Pernambuco, localizada ao norte do rio São Francisco.

A distribuição geográfica desta espécie concentra-se principalmente nos estados de Alagoas, Pernambuco e Sergipe, alcançando ainda uma pequena extensão ao sul do estado da Bahia. Esta área específica da floresta atlântica é reconhecida internacionalmente pela sua rica biodiversidade, mas também figura entre as regiões que possuem as maiores taxas proporcionais de devastação ambiental do ecossistema nacional.

Quais são as principais características biológicas do coelho nativo?

Diferente das representações comerciais da época de Páscoa, o verdadeiro coelho brasileiro possui características físicas únicas para garantir sua sobrevivência em ambiente florestal. O animal apresenta um comprimento que varia entre 20 e 40 centímetros e atinge um peso máximo de 1,2 kg, sendo as fêmeas geralmente maiores que os machos. A cauda da espécie é extremamente curta, chegando a ser quase imperceptível visualmente.

A pelagem do mamífero exibe uma coloração marrom-amarelada, que funciona como uma camuflagem natural altamente eficiente entre a vegetação rasteira, especialmente nas bordas das matas e nas margens dos rios. Uma particularidade biológica notável do coelho original em relação aos demais mamíferos semelhantes do continente americano é a presença de três pares de mamas. A dieta do animal é estritamente herbívora, baseada no consumo regular de componentes vegetais como:

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  • Folhas e talos verdes da floresta;
  • Raízes diversas da vegetação nativa;
  • Frutos silvestres da estação;
  • Sementes encontradas no sub-bosque.

Por que o tapiti está ameaçado de extinção na natureza?

De hábitos noturnos e comportamento solitário, o tapiti é um animal extremamente discreto, o que não o impede de ser uma vítima frequente da ação de caçadores e de ataques promovidos por cachorros domésticos. Contudo, a captura ilegal divide espaço com a supressão da vegetação nativa no ranking de maiores perigos para a continuidade da espécie.

A plataforma pública SALVE, administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), autarquia federal vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, alerta para a drástica redução do habitat natural do pequeno mamífero silvestre. O documento oficial do instituto aponta: “A perda de habitat por desmatamento e assentamento humano representa uma ameaça para esta espécie, já que 94,4% da cobertura florestal na faixa geográfica dessa espécie foi perdida”.

Embora o órgão federal brasileiro admita que os dados ainda são insuficientes para cravar o grau exato do risco de extinção em nível nacional, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) já classifica o coelho brasileiro como um animal em perigo de extinção globalmente. O isolamento das populações agrava o quadro, uma vez que a maioria dos fragmentos florestais remanescentes na região possui áreas inferiores a dez hectares.

Quais as diferenças entre o tapiti e a lebre-europeia?

Os especialistas ambientais alertam para a necessidade de não confundir o nativo tapiti com o lebrão (Lepus europaeus), uma espécie exótica introduzida em território nacional há cerca de 140 anos. Enquanto o coelho do Brasil evoluiu em ecossistemas fechados e estritamente florestais, a lebre europeia é adaptada a ambientes de campos abertos e planícies.

Essa diferença evolutiva permitiu que a espécie invasora vinda da Europa se adaptasse com grande facilidade aos biomas do sul do país, como o Pampa, onde passou a causar severos prejuízos para o setor agrícola devido à alimentação baseada em lavouras comerciais. A expansão territorial do lebrão pelo Brasil é monitorada por cientistas como uma ameaça adicional e potencial para os coelhos nativos, que já se encontram altamente vulnerabilizados pela devastação constante da Mata Atlântica nordestina.

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