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Codec articula produção de biochar com caroço de açaí para bioeconomia no Pará

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Pilha de caroços de açaí próximos a equipamentos industriais de processamento em uma fábrica no Pará.
Foto: Autor / Flickr (CC BY)

A Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec) promoveu, na segunda-feira, 23 de março de 2026, uma agenda estratégica voltada ao fortalecimento da bioeconomia regional por meio do aproveitamento de resíduos industriais. O encontro híbrido reuniu representantes da Flor de Açaí, empresa responsável pela operação da marca Oakberry no estado, e da Actus Consultoria. O objetivo central da reunião foi a apresentação de uma proposta técnica para a produção de biochar (biocarvão) a partir do caroço do açaí, visando transformar um passivo ambiental em ativo econômico para o território paraense.

De acordo com informações da Agência Pará, a iniciativa marca o início das tratativas para a avaliação técnica e institucional de possíveis parcerias sustentáveis. O estado do Pará, principal produtor de açaí do país, enfrenta o desafio de gerir o elevado volume de caroços que sobram após o processamento da polpa. A proposta apresentada busca oferecer uma destinação nobre a esse resíduo, alinhando o desenvolvimento econômico à preservação ambiental amazônica.

Como o biochar pode beneficiar a cadeia produtiva do açaí?

Durante o encontro, Wander Oliveira, representante da Actus Consultorias e Projetos, detalhou as potencialidades do biocarvão amazônico. O material é obtido por processos térmicos que estabilizam o carbono presente na biomassa vegetal. Segundo a proposta, o uso do biochar derivado do caroço do açaí pode gerar impactos positivos em diversas frentes:

  • Recuperação de áreas degradadas na região amazônica;
  • Melhoria significativa da fertilidade do solo para agricultura;
  • Fortalecimento de sistemas agroflorestais (SAFs);
  • Potencial para geração e comercialização de créditos de carbono.

A viabilidade do projeto depende de etapas rigorosas que foram debatidas pelos participantes, incluindo a caracterização química dos compostos presentes no caroço, validação científica por meio de certificações laboratoriais e a estruturação de uma modelagem de negócio que atraia investimentos nacionais e internacionais.

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Qual a importância estratégica desta iniciativa para o Pará?

Para a Codec, propostas que envolvem a economia circular e a sociobiodiversidade são fundamentais para a diversificação da matriz econômica do estado. A Codec é uma companhia pública vinculada ao governo do Pará e atua na atração de investimentos e no desenvolvimento econômico estadual. O diretor de Atração de Investimentos da companhia, Manoel Ibiapina, ressaltou que a atuação institucional busca criar um ambiente favorável para que inovações tecnológicas encontrem viabilidade comercial no setor produtivo.

O açaí é uma cadeia com escala produtiva, inserção internacional e elevada relevância econômica para o Estado. Projetos que ampliam o aproveitamento do caroço e o transformam em novos insumos contribuem para expandir o alcance dessa atividade e gerar novas oportunidades de negócio.

O diretor-geral da Flor de Açaí, Carlos Alberto Brito Soares, manifestou o interesse da empresa em avançar na análise técnica da solução. Ele ponderou que o volume de resíduos gerados atualmente é expressivo e ainda subutilizado. Soares destacou a necessidade de compreender a fundo os componentes do produto final para garantir que a transição para uma lógica de economia circular ocorra com segurança jurídica e operacional.

Quem participou das tratativas para o desenvolvimento do projeto?

A reunião contou com a presença de um corpo técnico multidisciplinar da Codec, incluindo a gerente de Atendimento a Novos Negócios, Sabrina Sena; a assessora da Diretoria de Atração de Investimentos, Lorena Aguiar; o gerente de Comércio Exterior, Eduardo Rodrigues; e o assessor da Diretoria de Estratégia e Relações Institucionais, Evandro Diniz. Também estiveram presentes o empresário Michel Pidner, responsável pela área prevista para a implantação da unidade, e a sócia da consultoria, Marlucia Oliveira.

A agenda encerrou-se com o compromisso de continuidade das tratativas diretas entre as empresas e a consultoria. Os próximos passos envolvem o aprofundamento técnico e a avaliação de viabilidade econômica para que a produção de biochar se torne uma realidade industrial no estado, consolidando o Pará como hub de inovação sustentável na Amazônia.

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