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CNPE orienta ANP a estudar medidas contra etanol em bebidas ilícitas

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Força-tarefa integrada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Procon e Inmetro fiscaliza pos
Força-tarefa integrada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Procon e Inmetro fiscaliza postos revendedores de combustíveis em Brasília. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil — EBC/Agência Brasil — CC BY 3.0 BR

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão de assessoramento da Presidência da República para o setor, aprovou, nesta quarta-feira (1º de abril de 2026), uma série de diretrizes estratégicas que orientam a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a iniciar estudos técnicos aprofundados. O objetivo central da iniciativa é estabelecer mecanismos regulatórios e de fiscalização para coibir o desvio de etanol hidratado combustível para a fabricação de bebidas alcoólicas clandestinas em território nacional.

De acordo com informações do UOL Notícias, a decisão foi tomada durante reunião do colegiado e foca na preservação da integridade do mercado de combustíveis e, sobretudo, na proteção da saúde dos consumidores brasileiros. A prática de utilizar o biocombustível destinado a veículos na indústria de bebidas é considerada uma infração grave, envolvendo crimes contra a economia popular e sonegação fiscal.

Qual é o objetivo principal da nova diretriz do CNPE?

A determinação do CNPE busca fechar brechas regulatórias que permitem que o etanol hidratado (utilizado diretamente nos tanques de veículos flex), comercializado nos postos de combustíveis ou distribuído pelas usinas, seja desviado de sua finalidade original. O estudo técnico solicitado à ANP deverá avaliar o ciclo de vida do produto e identificar os pontos de maior vulnerabilidade na cadeia logística, desde a produção nas usinas sucroalcooleiras até o destino final.

Com essa movimentação, o governo federal pretende aumentar o rigor sobre a rastreabilidade do produto. O Conselho Nacional de Política Energética entende que a modernização das normas é fundamental para garantir que o incentivo ao uso de biocombustíveis no setor de transportes não seja deturpado por organizações criminosas que atuam no mercado de bebidas adulteradas.

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Como o desvio de combustível afeta a segurança pública e a saúde?

O uso de etanol combustível em bebidas alcoólicas representa um risco severo à saúde pública, uma vez que o produto destinado aos motores pode conter substâncias tóxicas, impurezas e aditivos químicos não autorizados para o consumo humano. A ingestão dessas substâncias pode causar danos irreversíveis ao organismo, incluindo cegueira e falência renal, além de potencial risco de morte em casos de contaminação por metanol.

Além dos riscos sanitários, o desvio alimenta uma cadeia de ilegalidade que gera prejuízos bilionários aos cofres públicos. Estima-se que a evasão fiscal no setor de combustíveis e bebidas comprometa investimentos em áreas essenciais. A ANP deverá, portanto, colaborar com órgãos de segurança e de vigilância sanitária para desenhar um modelo de controle mais eficiente.

Quais são os próximos passos para a regulação do setor?

A partir da orientação oficial, a agência reguladora deverá estruturar grupos de trabalho para analisar a viabilidade de novas exigências para os agentes do setor. Entre os pontos que podem ser abordados nos estudos da ANP, destacam-se:

  • A implementação de marcadores químicos específicos para o etanol combustível;
  • O endurecimento das penalidades para distribuidores e postos envolvidos em desvios;
  • O aprimoramento do sistema de notas fiscais eletrônicas e controle de estoque;
  • A cooperação técnica com a Receita Federal e o Ministério da Agricultura e Pecuária.

A expectativa é que os resultados desses estudos técnicos fundamentem novas resoluções da agência nos próximos meses. O fortalecimento da governança no setor de energia é visto como um pilar essencial para a estabilidade econômica e para a segurança do consumidor final, garantindo que o etanol brasileiro continue sendo uma referência de sustentabilidade e legalidade.

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