Uma mãe desesperada clama por sua filha soterrada sob os escombros de um prédio residencial destruído por um ataque aéreo israelense em Teerã, no Irã. O incidente ocorreu em 9 de março de 2026 no bairro de Resalat, zona leste da capital iraniana, em meio à guerra que o país trava há um mês contra Estados Unidos e Israel, com ataques que têm causado dezenas de mortes entre a população civil.
De acordo com informações do G1, a análise da BBC Eye revela que os bombardeios contra alvos militares localizados em áreas densamente povoadas têm gerado consequências letais para moradores que vivem nas proximidades. Para o Brasil, a escalada no Oriente Médio tem potencial de pressionar o mercado internacional de petróleo e combustíveis, além de mobilizar posicionamentos diplomáticos do Itamaraty em fóruns multilaterais.
O que aconteceu com o prédio residencial em Resalat?
Dezenas de famílias viviam no complexo de apartamentos de vários andares em Resalat antes de o local ser atingido por um ataque aéreo israelense em 9 de março de 2026. Uma mulher e sua filha pequena foram encontradas mortas sob os escombros dias após o bombardeio. O marido sobreviveu.
Outro prédio de apartamentos do outro lado da rua também foi destruído. Um homem de 55 anos que morava no local relatou que o ataque foi tão repentino que ele foi arremessado para o outro lado do cômodo. Autoridades locais e moradores estimam que entre 40 e 50 pessoas morreram apenas neste ataque.
Quais bombas Israel estaria utilizando em Teerã?
Especialistas militares consultados pela BBC Eye afirmam que a Força Aérea Israelense provavelmente utiliza bombas da série Mark 80, especialmente a Mark 84, que pesa 907 quilos. A escala de destruição observada em Resalat é compatível com o uso dessa bomba de grande porte.
Imagens de satélite mostram pelo menos quatro edifícios destruídos na sequência do ataque. Edifícios a até 65 metros de distância foram gravemente danificados. Moradores descreveram múltiplas explosões em intervalos de poucos segundos.
“A explosão atingiu o local três vezes. Talvez com três ou cinco segundos de intervalo. Tentei me levantar, mas os escombros caíram sobre a minha cabeça.”
A Basij, força paramilitar ligada à Guarda Revolucionária do Irã, teria sido o alvo pretendido por Israel, que classificou o prédio como instalação militar. No entanto, a maior parte dos danos atingiu estruturas residenciais ao redor.
Como os ataques afetam civis em outros bairros de Teerã?
Em 1º de março de 2026, um ataque israelense atingiu uma delegacia de polícia em Abbasabad, próximo à praça Niloufar, onde famílias estavam reunidas após o Ramadã. Testemunhas relataram pelo menos 20 mortos, embora o número não tenha sido verificado de forma independente.
Os ataques americanos e israelenses têm como alvos delegacias, prédios da milícia Basij, quartéis da polícia, residências da Guarda Revolucionária e possíveis depósitos de munição, muitos deles situados em bairros residenciais movimentados de Teerã.
Desde o início do conflito, Israel afirma ter lançado mais de 12 mil bombas em todo o Irã, sendo 3,6 mil apenas na capital. O Comando Central dos Estados Unidos informou ter atingido mais de nove mil alvos em território iraniano. Em Brasília, crises desse tipo costumam ser acompanhadas de perto pelo Ministério das Relações Exteriores, responsável pela posição diplomática brasileira e pela eventual assistência a cidadãos brasileiros no exterior.
O que dizem os especialistas em direito internacional?
Dois especialistas em direito humanitário internacional ouvidos pela BBC Eye consideram que o uso de bombas tão pesadas em áreas densamente povoadas seria desproporcional e possivelmente ilegal, uma vez que o dano esperado a civis deve ser proporcional à vantagem militar concreta.
A agência HRANA (Human Rights Activists News Agency) afirma que 1.464 civis, incluindo ao menos 217 crianças, foram mortos no Irã no primeiro mês do conflito. Os ataques também geram indignação entre a própria população que critica o regime iraniano.
A ONU já havia alertado sobre os riscos do uso de bombas potentes em zonas urbanas densas. Israel confirmou os ataques relatados, mas não fez comentários adicionais sobre as consequências para civis. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos não respondeu aos questionamentos.
O conflito também provocou ações do Irã, que atacou infraestrutura civil e prédios residenciais em países vizinhos, especialmente em nações do Golfo aliadas a Washington. A população civil de Teerã permanece presa entre os bombardeios estrangeiros e a repressão interna do regime.


