Estudo indica que plástico “sumido” no mar virou nanopartículas

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Cientistas do Royal Netherlands Institute for Sea Research (NIOZ) descobriram que parte do plástico considerado “desaparecido” nos oceanos não sumiu, mas se transformou em trilhões de nanopartículas invisíveis que se espalharam pela água, pelo ar e por organismos vivos. A revelação, divulgada em 29 de março de 2026, foi obtida a partir de amostras coletadas no Atlântico Norte e busca explicar o mistério de onde estaria grande parte do plástico produzido pela humanidade.

De acordo com informações do ScienceDaily, a maior parte da poluição plástica nos oceanos agora existe na forma de nanoplásticos, partículas menores que um micrômetro. Embora o estudo tenha analisado o Atlântico Norte, o tema também interessa ao Brasil, país com extensa costa no Atlântico e grandes bacias hidrográficas que desembocam no mar.

O que são os nanoplásticos e por que eles representam um problema?

Essas partículas minúsculas estão presentes em quantidades muito superiores às de microplásticos e macroplásticos visíveis. O estudo representa a primeira estimativa confiável do volume real de nanoplásticos no oceano.

Helge Niemann, pesquisador do NIOZ e professor de geoquímica na Universidade de Utrecht, afirmou que há mais plástico na forma de nanopartículas flutuando apenas naquela porção do Atlântico do que em todo o restante dos plásticos maiores presentes no Atlântico ou mesmo em todos os oceanos do mundo.

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“Essa estimativa mostra que há mais plástico na forma de nanopartículas flutuando nessa parte do oceano do que na forma de microplásticos ou macroplásticos maiores flutuando no Atlântico ou até mesmo em todos os oceanos do mundo.”

A pesquisa foi conduzida por Sophie ten Hietbrink, mestranda da Universidade de Utrecht, que passou quatro semanas a bordo do navio de pesquisa RV Pelagia, viajando dos Açores até a plataforma continental europeia. Foram coletadas amostras de água em 12 locais diferentes.

Como os pesquisadores conseguiram medir os nanoplásticos?

Cada amostra foi filtrada para remover partículas maiores que um micrômetro. O material restante foi seco e aquecido, permitindo a identificação de moléculas características de diferentes tipos de plástico por meio de espectrometria de massa no laboratório de Utrecht.

A estimativa, ao ser extrapolada para toda a região do Atlântico Norte, chegou a cerca de 27 milhões de toneladas de nanoplásticos flutuando apenas nessa área.

“Uma quantidade chocante.”

Essa quantidade ajuda a explicar por que grande parte do plástico produzido pela humanidade ao longo das décadas parecia ter desaparecido dos registros de monitoramento. Para o leitor brasileiro, o achado reforça a preocupação com a poluição marinha e costeira, já que resíduos plásticos descartados em terra também podem alcançar o oceano por rios, chuvas e sistemas de drenagem.

Quais são as principais fontes dos nanoplásticos nos oceanos?

Os nanoplásticos têm origem em diversos caminhos. Plásticos maiores se fragmentam ao longo do tempo pela ação da luz solar. Rios transportam partículas plásticas do continente para o mar. Além disso, os nanoplásticos podem viajar pela atmosfera e chegar ao oceano por meio da chuva ou por deposição seca diretamente na superfície da água.

Os pesquisadores alertam que essas partículas são pequenas o suficiente para penetrar em organismos vivos. Elas já foram detectadas em tecidos cerebrais humanos.

“Já se sabe que os nanoplásticos podem penetrar profundamente em nossos corpos. Eles foram encontrados até mesmo em tecido cerebral.”

Como estão presentes em toda a coluna de água, é provável que percorram toda a cadeia alimentar, desde microrganismos até peixes e, finalmente, seres humanos. Os impactos completos sobre ecossistemas e saúde humana ainda não são conhecidos e demandam mais estudos.

Quais plásticos comuns não foram detectados?

Os cientistas não encontraram certos plásticos muito comuns, como polietileno e polipropileno, na fração de partículas menores. Niemann sugere que eles podem ter sido mascarados por outras moléculas durante a análise.

A equipe também pretende verificar se níveis semelhantes de nanoplásticos existem em outros oceanos. Indícios iniciais apontam nessa direção, mas são necessárias mais pesquisas.

É possível remover os nanoplásticos dos oceanos?

Uma das conclusões mais preocupantes do estudo é que as nanopartículas, por serem tão pequenas e disseminadas, não podem ser removidas do ambiente.

“Os nanoplásticos que já estão lá nunca poderão ser totalmente removidos.”

Por isso, os pesquisadores enfatizam que a única solução viável é impedir a entrada de mais plástico nos oceanos antes que ele se degrade ainda mais e se torne um problema completamente invisível e persistente.

O estudo foi publicado na revista Nature e contou com a colaboração entre pesquisadores de oceanografia e ciências atmosféricas da Universidade de Utrecht, incluindo Dušan Materić.

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