China proíbe apartamentos usados para guardar cinzas e urnas funerárias - Brasileira.News
Início Internacional China proíbe apartamentos usados para guardar cinzas e urnas funerárias

China proíbe apartamentos usados para guardar cinzas e urnas funerárias

0
11
Prédio residencial com janelas iluminadas ao anoitecer, destacando a fachada de um complexo de apartamentos moderno.
Foto: dionhinchcliffe / flickr (by-sa)

A China vai proibir, a partir de 31 de março de 2026, o uso de apartamentos residenciais para guardar cinzas e urnas funerárias, prática que se expandiu diante da alta dos custos de jazigos e da escassez de espaço em cemitérios urbanos. A medida foi anunciada poucos dias antes do Festival de Qingming, quando famílias visitam túmulos de parentes para limpeza e oferendas. De acordo com informações do G1 Mundo, o governo também vai vetar enterros e construção de túmulos fora de áreas oficialmente destinadas a essa finalidade.

Segundo o texto, muitos chineses passaram a comprar imóveis encalhados para armazenar as cinzas de parentes cremados. Esses chamados “apartamentos de cinzas” costumam ficar em grandes complexos residenciais e, em geral, têm janelas lacradas ou cortinas fechadas. No interior, são usados como espaços de rituais, com velas, luzes vermelhas e urnas organizadas por geração familiar.

Por que apartamentos passaram a ser usados como espaço funerário?

A prática ganhou espaço porque, em vários casos, manter urnas em apartamentos pode sair mais barato do que adquirir um lote em cemitério público. Além do custo, as famílias também buscam maior controle sobre os processos funerários, segundo a mídia chinesa citada na reportagem.

O cenário é influenciado por uma combinação de fatores. O envelhecimento da população e a taxa de mortalidade acima da taxa de nascimentos intensificaram a pressão sobre os serviços funerários. Ao mesmo tempo, a urbanização acelerada elevou os custos dos terrenos disponíveis para sepultamento nas cidades.

— Publicidade —
Google AdSense • Slot in-article

A reportagem também informa que os preços dos imóveis caíram cerca de 40% entre 2021 e 2025, conforme dado citado do jornal The Guardian. Esse movimento ocorreu em meio à crise prolongada do setor imobiliário chinês e à campanha do presidente Xi Jinping para conter a especulação excessiva no mercado.

No Brasil, a realidade funerária e imobiliária é diferente, mas o tema também envolve custo e disponibilidade de espaço, sobretudo em grandes centros urbanos. A notícia ajuda a ilustrar como pressões demográficas, regras urbanas e preço da terra podem afetar a forma como diferentes países organizam sepultamentos, cremações e guarda de restos mortais.

O que muda com a nova proibição na China?

A nova regra veta o uso de imóveis residenciais especificamente para armazenar restos mortais cremados. Também proíbe o enterro de corpos e a construção de túmulos em locais que não tenham destinação formal para esse fim, como os cemitérios públicos.

Além disso, o órgão regulador do mercado chinês anunciou novas normas para enfrentar fraudes e a falta de transparência nos preços cobrados por serviços funerários. A decisão foi divulgada nesta terça-feira, 31 de março de 2026, de acordo com o artigo original.

  • Proibição de usar imóveis residenciais para guardar restos mortais cremados
  • Vedação a enterros e túmulos em áreas não autorizadas
  • Novas regras contra fraudes no setor funerário
  • Medidas divulgadas antes do Festival de Qingming

Quais fatores ajudam a explicar a pressão sobre os cemitérios?

Outro elemento citado na reportagem é a diferença entre os direitos de uso. Na China, os contratos de arrendamento de lotes em cemitérios são de 20 anos, enquanto imóveis residenciais contam com direitos de uso garantidos por 70 anos. Essa disparidade ajudou a tornar os apartamentos uma alternativa para parte das famílias.

A antropóloga Xinyi Wu, doutoranda na Universidade da Califórnia, afirmou à AFP que a prática é sensível para as autoridades por embaralhar os limites entre espaços destinados aos vivos e aos mortos.

“Confunde a fronteira entre os espaços para os vivos e os espaços para os mortos, o que é sensível do ponto de vista administrativo e cultural.”

A discussão ocorre em um contexto mais amplo de dificuldades para lidar com a superlotação dos cemitérios. Em novembro de 2025, autoridades regionais do sudoeste da China impuseram cremação obrigatória dos mortos. Segundo a reportagem, a medida provocou protestos da população miao, para a qual a cremação pode ser interpretada como desrespeito à pessoa falecida e ruptura com a família e a ancestralidade.

Com a nova proibição, o governo chinês busca restringir soluções improvisadas para o armazenamento de cinzas em áreas residenciais e reforçar o controle oficial sobre práticas funerárias em meio ao aumento de custos, à falta de espaço e às tensões culturais em torno do tema.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here