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Cavalo lavradeiro de Roraima enfrenta risco de desaparecimento no Lavrado

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O cavalo lavradeiro, população de equinos que vive em liberdade no Lavrado de Roraima, é tema de um artigo publicado em 13 de abril de 2026 que alerta para o risco de desaparecimento desses animais e defende mecanismos efetivos de proteção. De acordo com informações do EcoDebate, o texto sustenta que esses cavalos formam um patrimônio vivo ligado à savana amazônica e que sua preservação depende do reconhecimento da singularidade ecológica da região e das pressões que ela sofre.

O artigo, assinado por Reinaldo Dias, retoma uma discussão que o autor diz acompanhar desde 2017 e afirma que a situação dos exemplares que ainda permanecem em vida livre se agravou. A argumentação central é a de que, mais do que discutir a caracterização genética desses animais ou seu eventual uso como raça doméstica, o ponto principal é assegurar sua permanência em liberdade e a formulação de políticas públicas de proteção em diferentes níveis de governo.

O que é o Lavrado e por que ele aparece no centro da discussão?

O texto descreve o Lavrado como a porção brasileira da maior área contínua de savana do extremo norte da Amazônia, situada no nordeste de Roraima e conectada a um sistema transfronteiriço que alcança Guiana e Venezuela. Segundo o artigo, trata-se de um mosaico de ecossistemas, com campos, buritizais, ilhas de mata e diferentes combinações de solo, relevo e dinâmica hídrica.

O autor afirma que essa formação ainda recebe menos atenção do que as áreas de floresta densa normalmente associadas à imagem da Amazônia. No texto, são citados o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), mencionados como referências para a compreensão da diversidade ecológica do Lavrado e da dificuldade de incorporar essa complexidade ao debate ambiental e às políticas de preservação.

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Também é mencionada uma reportagem publicada em 2008 por O Eco sobre a proposta de criação de um Parque Nacional do Lavrado e sobre a pressão do agronegócio na região. De acordo com o artigo, a discussão sobre proteção institucional segue marcada por impasses, inclusive porque parte do território está em áreas indígenas, o que oferece proteção indireta a parcelas da paisagem, mas não resolve de forma ampla a conservação do sistema ecológico.

Quais pressões ambientais sobre o Lavrado são apontadas no artigo?

O texto afirma que o diagnóstico mais recente do IPAM para Roraima registra a ocorrência de grandes eventos críticos de incêndio desde 1998, inclusive em 2024. O autor pondera que nem todo fogo tem a mesma origem ou produz os mesmos efeitos ecológicos, mas sustenta que o quadro revela um ambiente sujeito a perturbações frequentes e em transformação.

Segundo o artigo, quando esse cenário se combina com a expansão agropecuária, a alteração de paisagens abertas e a redução de áreas usadas de forma extensiva, forma-se uma pressão acumulada sobre um ecossistema ainda sem proteção equivalente à sua relevância. Nesse contexto, o cavalo lavradeiro aparece como parte inseparável dessa paisagem e de sua história ecológica.

  • expansão da pecuária;
  • avanço da agricultura mecanizada;
  • recorrência de incêndios;
  • alteração das paisagens abertas.

Como o cavalo lavradeiro se formou historicamente?

De acordo com o texto, a origem do lavradeiro está ligada à ocupação pastoril da savana amazônica a partir do fim do século XVIII. A expansão da pecuária bovina levou equinos para o manejo do gado, e o sistema extensivo favoreceu a multiplicação de manadas vivendo soltas em áreas abertas.

O artigo afirma que, segundo a Embrapa, cavalos sem marca e sem dono passaram a ser chamados de “selvagens” por fazendeiros, embora descendessem de animais domésticos que, ao longo de gerações, foram submetidos à seleção natural e às adversidades do Lavrado. Ainda conforme o texto, a reconstrução histórica reunida pela instituição indica que esses animais provavelmente descendiam de diferentes raças e tipos ibéricos introduzidos na Amazônia em momentos diversos.

O autor acrescenta que a composição do lavradeiro teria recebido outras contribuições, entre elas a influência de cavalos Puro Sangue Inglês vindos da Guiana, menção que o artigo atribui a criadores e a estudos genéticos citados em documento técnico da Embrapa. A conclusão apresentada é que o lavradeiro não surgiu de uma única linhagem, mas de cruzamentos sucessivos e de uma longa adaptação às condições ambientais da savana roraimense.

Por que o texto defende proteção específica para esses animais?

Na avaliação do articulista, o ponto decisivo não é apenas a origem remota dos cavalos, mas o processo histórico posterior, marcado por mais de dois séculos de permanência em um ecossistema específico, sob pastagem nativa de baixo valor nutritivo, sazonalidade climática, grandes distâncias e, em muitos casos, sem contato direto com humanos. O artigo diz que é esse enraizamento ecológico e territorial que confere ao lavradeiro sua condição particular.

Ao final do trecho disponibilizado, a defesa apresentada é a de que proteger os cavalos selvagens de Roraima significa preservar simultaneamente uma população singular de animais e uma expressão rara da história ecológica e territorial brasileira. O texto argumenta que o Lavrado deve ser reconhecido como uma savana amazônica com identidade própria e que a conservação desse ambiente é inseparável da manutenção do cavalo lavradeiro em liberdade.

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