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Caso Henry Borel: julgamento de Jairinho e Monique começa no Rio após cinco anos

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Jairinho e Monique Medeiros sentados lado a lado em um tribunal, com semblantes sérios, durante sessão de julgamento.
Foto: Autor / Flickr (CC BY)

Teve início nesta segunda-feira (23 de março de 2026), no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, o julgamento do caso Henry Borel, o menino de quatro anos morto em março de 2021 no apartamento onde vivia com a mãe e o padrasto na Barra da Tijuca, na zona oeste da capital fluminense. Os réus Monique Medeiros, mãe da criança, e Jairo Souza Santos Júnior, o ex-vereador conhecido como Dr. Jairinho, enfrentam o júri popular após cinco anos de trâmites processuais e recursos das defesas. O julgamento, presidido pela juíza Elizabeth Machado Louro, deve durar ao menos dez dias e contará com o depoimento de 26 testemunhas, além dos próprios acusados.

Quais são as acusações contra Jairinho e Monique?

Jairinho responde por homicídio qualificado, enquanto Monique é acusada de homicídio por omissão de socorro. Se condenados, ambos podem receber penas que ultrapassam três décadas de prisão. De acordo com informações do Poder360, os réus foram presos em abril de 2021 e denunciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, órgão responsável pela acusação criminal no estado.

A denúncia do MP-RJ aponta que Henry era vítima de uma rotina de tortura praticada pelo padrasto e que a mãe tinha conhecimento das agressões sofridas pela criança. O laudo da necropsia realizado pelo Instituto Médico-Legal identificou 23 lesões provocadas por ação violenta no corpo do menino, incluindo laceração hepática e hemorragia interna — ferimentos incompatíveis com a versão de acidente doméstico inicialmente apresentada pelo casal ao hospital onde a criança foi levada na madrugada de 8 de março de 2021.

O que revelaram as investigações sobre a morte de Henry?

Henry Borel tinha apenas quatro anos quando morreu. O menino chegou a ser levado a um hospital particular na Barra da Tijuca, onde Jairinho e Monique alegaram que a criança havia sofrido um acidente doméstico. Porém, as conclusões da perícia e das investigações conduzidas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro contradisseram essa versão de forma contundente.

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As apurações policiais concluíram que os ferimentos eram resultado de agressões sistemáticas e que o padrasto era o responsável direto pelas violências físicas contra o menino. A gravidade das lesões descritas no laudo necroscópico — 23 marcas de ação violenta — apontou para um cenário de brutalidade que chocou a opinião pública e transformou o caso em um dos mais emblemáticos de violência doméstica contra crianças no Brasil.

Como funciona o Tribunal do Júri neste caso?

Conforme reportado pelo Brasil 247, o caso está sendo julgado pelo Tribunal do Júri, instância da Justiça responsável por julgar crimes dolosos contra a vida. Diferentemente de outros tipos de processos penais, a decisão final não cabe exclusivamente a um magistrado, mas a sete jurados escolhidos entre cidadãos comuns por meio de sorteio.

Esse modelo processual busca garantir a participação direta da sociedade em julgamentos de grande impacto. A complexidade do caso Henry Borel — com 26 testemunhas convocadas, múltiplas etapas processuais e a previsão de duração superior a dez dias — torna este um dos júris mais extensos e acompanhados dos últimos anos no Rio de Janeiro.

Por que o julgamento demorou cinco anos para acontecer?

O intervalo de cinco anos entre a morte de Henry, em março de 2021, e o início do julgamento, em 23 de março de 2026, se explica pela sucessão de trâmites processuais e recursos impetrados pelas defesas dos réus. A fase de instrução criminal, que inclui a coleta de depoimentos, a produção de provas periciais e a oitiva de testemunhas, é naturalmente mais longa em casos de grande complexidade. Além disso, os advogados de Jairinho e Monique utilizaram instrumentos legais para questionar aspectos do processo, o que contribuiu para o prolongamento do andamento judicial.

Ambos os réus estão presos desde abril de 2021, quando foram detidos após as investigações apontarem a participação de cada um na morte do menino. A pronúncia — decisão judicial que encaminha os acusados ao Tribunal do Júri — foi confirmada ao longo do processo, e o julgamento passou a ser o último capítulo esperado pela família de Henry e pela sociedade que acompanhou o caso desde o início.

Qual a repercussão do caso na sociedade brasileira?

O caso Henry Borel ganhou enorme repercussão nacional e reacendeu o debate sobre a violência doméstica contra crianças no Brasil. A condição de Jairinho como ex-vereador do Rio de Janeiro adicionou uma camada política ao caso, levantando questionamentos sobre impunidade e sobre a capacidade das instituições de proteger menores em situação de vulnerabilidade. O julgamento é considerado um dos mais esperados da Justiça fluminense nos últimos anos.

A expectativa é que o júri popular avalie todas as provas reunidas ao longo de cinco anos de investigação e instrução processual, incluindo laudos periciais, depoimentos de testemunhas e as versões apresentadas pelos acusados. A sentença será definida pelos sete jurados, que decidirão pela absolvição ou condenação de cada um dos réus de forma independente.

Fontes consultadas

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