O julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, e de Monique Medeiros no caso da morte de Henry Borel foi adiado nesta segunda-feira, 23 de março de 2026, no 2º Tribunal do Júri, no centro do Rio de Janeiro, após a defesa de Jairinho pedir o adiamento por alegada falta de acesso às provas e abandonar o plenário depois de a solicitação ser negada pela juíza Elizabeth Machado Louro. Com isso, uma nova data foi marcada para 25 de maio. De acordo com informações da Agência Brasil, a magistrada também determinou a soltura de Monique Medeiros por excesso de prazo.
O júri começaria nesta segunda e analisaria a acusação contra os dois réus no processo sobre a morte de Henry Borel, ocorrida na madrugada de 8 de março de 2021. Jairinho é acusado de homicídio qualificado, enquanto Monique responde por homicídio por omissão de socorro. A defesa de Monique era contrária ao adiamento do julgamento.
Por que o julgamento do caso Henry Borel foi adiado?
Segundo o relato da defesa de Jairinho, o pedido de adiamento foi apresentado sob a alegação de que nem todos os documentos, provas e dados solicitados haviam sido entregues. Após o indeferimento da solicitação pela juíza responsável pelo caso, os advogados do réu deixaram o plenário, o que levou ao adiamento da sessão.
Um dos advogados de defesa, Rodrigo Faucz, afirmou que não seria possível prosseguir com o julgamento diante do que classificou como omissão de documentos e provas. Em declaração reproduzida pela reportagem original, ele disse:
“A defesa solicitou essas provas no dia 12 de agosto de 2025. A juíza mandou nos entregar. Recebemos apenas informações parciais. Querem colocar a opinião pública, mais uma vez, contrária. Isso é um absurdo”.
O que a decisão judicial definiu além do adiamento?
Além de remarcar o júri para 25 de maio, a juíza Elizabeth Machado Louro determinou a soltura de Monique Medeiros por excesso de prazo. A informação consta na cobertura da Agência Brasil sobre a sessão desta segunda-feira.
O pai de Henry, Leniel Borel, esteve no Fórum de Justiça e comentou a expectativa em torno do julgamento. Ao falar sobre a espera pelo desfecho do caso, afirmou que já são cinco anos de luto e de luta desde a morte do filho. Na chegada ao fórum, ele declarou:
“A condenação é o mínimo para aqueles dois monstros. Três pessoas entraram vivas no apartamento. Depois dois adultos e uma criança saíram mortos. O que aconteceu com o meu filho naquele apartamento? Eu acho que eles não vão falar o que ocorreu”.
Quais são as acusações e o que apontam as investigações?
Henry Borel morreu no apartamento em que vivia com a mãe e o padrasto, na Barra da Tijuca, bairro da zona oeste do Rio de Janeiro. Conforme a reportagem, o menino chegou a ser levado a um hospital particular da região, onde o casal alegou que a criança teria sofrido um acidente doméstico.
No entanto, de acordo com o laudo de necropsia do Instituto Médico-Legal, Henry sofreu 23 lesões por ação violenta, incluindo laceração hepática e hemorragia interna. As investigações da Polícia Civil concluíram que a criança era vítima de rotinas de tortura atribuídas ao padrasto e apontaram que a mãe tinha conhecimento das agressões, segundo o texto original.
Os dois foram presos em abril de 2021 e denunciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, órgão responsável pela acusação criminal no estado. A denúncia sustenta que Jairo Souza Santos Júnior causou as lesões corporais que levaram à morte de Henry e que Monique Medeiros, na condição de garantidora legal da vítima, teria se omitido de sua responsabilidade, concorrendo para o crime, conforme descrito no processo.
- Data do adiamento: 23 de março de 2026
- Nova data do júri: 25 de maio
- Local: 2º Tribunal do Júri, no centro do Rio de Janeiro
- Decisão adicional: soltura de Monique Medeiros por excesso de prazo
Na acusação, o Ministério Público do Rio de Janeiro também afirma que, em outras três ocasiões, no mês de fevereiro de 2021, Henry Borel foi submetido a sofrimento físico e mental com emprego de violência. Para o advogado assistente de acusação, Cristiano Medina da Rocha, o conjunto probatório é conclusivo. Em fala reproduzida pela Agência Brasil, ele declarou:
“Não há dúvida alguma de que Jairo torturou de forma cruel o Henry Borel. Esse crime aconteceu pelo fato de Monique Medeiros ter abdicado do seu dever sagrado de proteger o seu filho”.

