A deputada federal Carol de Toni (PL-SC) tornou-se o centro de uma intensa campanha de difamação em plataformas digitais após a divulgação de levantamentos internos e pesquisas de intenção de voto para o Senado Federal. O movimento coordenado contra a parlamentar utiliza recorrentemente o termo “sabotagem” para classificar sua liderança em relação a Carlos Bolsonaro (PL), que também figura como um dos nomes cotados para a disputa pela mesma vaga no estado de Santa Catarina.
De acordo com informações do UOL Notícias publicadas em 4 de abril de 2026, o acirramento dos ânimos no ambiente virtual reflete uma divisão interna dentro da base de apoio do Partido Liberal. A parlamentar, que possui base eleitoral consolidada no território catarinense, passou a ser alvo de questionamentos e críticas agressivas por parte de grupos que defendem a prioridade da candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro na região.
Quais os motivos dos ataques contra Carol de Toni nas redes sociais?
A principal motivação dos ataques reside no desempenho eleitoral de Carol de Toni, que apareceu significativamente à frente de Carlos Bolsonaro nos dados coletados no início de abril de 2026. Para setores da militância digital, a vantagem da deputada é interpretada não como um reflexo de sua atuação parlamentar ou popularidade local, mas como uma estratégia para inviabilizar o projeto político da família Bolsonaro em Santa Catarina. O uso da palavra “sabotagem” busca delegitimar os números e criar uma narrativa de traição interna.
Os ataques ocorrem predominantemente em redes como o X (antigo Twitter) e grupos de mensagens instantâneas, onde perfis influentes passaram a disseminar conteúdos que vinculam a deputada a uma suposta articulação contra os interesses do núcleo central do partido. Até o momento, a parlamentar tem mantido sua agenda oficial, enquanto o cenário para as eleições de 2026 começa a desenhar uma disputa fratricida dentro da direita catarinense.
Qual o papel de Carlos Bolsonaro nesta disputa pelo Senado?
Carlos Bolsonaro, que atualmente exerce mandato como vereador no Rio de Janeiro — cargo para o qual foi reeleito em 2024 para o seu sétimo mandato —, tem sido apontado como um provável candidato ao Senado por Santa Catarina, estado onde o bolsonarismo possui ampla maioria. A movimentação de transferência de domicílio eleitoral ou a simples sondagem de seu nome na região gerou expectativas entre seus apoiadores, que veem na sua figura a representação máxima do legado de seu pai. No entanto, a presença de nomes locais fortes, como o de Carol de Toni, impõe um desafio logístico e político para o Partido Liberal.
A resistência à liderança da deputada nos levantamentos estatísticos evidencia a dificuldade de acomodação de interesses entre os quadros técnicos e ideológicos do partido. Enquanto uma ala defende o reconhecimento do trabalho de base realizado por parlamentares catarinenses, outra parcela exige a submissão das estratégias regionais aos planos da família Bolsonaro, independentemente do desempenho individual nas pesquisas de opinião.
Como o Partido Liberal está lidando com o conflito interno?
O Partido Liberal enfrenta o desafio de pacificar as alas divergentes para evitar que o desgaste digital comprometa o desempenho da legenda no pleito futuro. A disputa pelas duas vagas ao Senado em Santa Catarina, que estarão em jogo nas eleições de 2026, é considerada estratégica, e a fragmentação da base pode beneficiar adversários políticos. As instâncias partidárias ainda não emitiram uma nota oficial definitiva sobre a moderação dos ataques, mas interlocutores sugerem que a prioridade será manter a unidade em torno de nomes que garantam a vitória da sigla.
A dinâmica dos ataques revela pontos cruciais sobre a política contemporânea:
- A influência direta de pesquisas de intenção de voto no comportamento de militâncias digitais;
- A utilização de narrativas de traição para resolver disputas internas de poder;
- O peso do nome Bolsonaro frente a lideranças regionais estabelecidas;
- A antecipação do cenário eleitoral de 2026 no estado de Santa Catarina.
Especialistas em comunicação política observam que este tipo de conflito tende a escalar à medida que os prazos de filiação e definição de candidaturas se aproximam. A deputada Carol de Toni, eleita com votação expressiva em 2022 — quando se tornou a candidata à Câmara dos Deputados mais votada da história de Santa Catarina —, representa uma força política que, embora alinhada ao ex-presidente, agora enfrenta a fúria de parte do mesmo eleitorado que a elegeu, demonstrando a volatilidade das alianças no campo da direita brasileira.



