O Carnaval brasileiro está se consolidando como um campo estratégico para a produção de conhecimento e formulação de políticas públicas, além de ser um motor de desenvolvimento social. Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Cultura em fevereiro de 2026, essa visão é fruto de estudos realizados a partir da vivência direta nos territórios do samba. O MinC é o órgão do governo federal responsável pela política cultural no país.
“Para cada pessoa que brilha na avenida, existem centenas de trabalhadores nos barracões e nos bastidores garantindo o sustento de suas famílias. Nossa missão é valorizar essas trajetórias, tratando o Carnaval não como um gasto sazonal, mas como um investimento em política pública contínua de desenvolvimento e inclusão social”, evidenciou o secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares.
Como o Carnaval se tornou um campo de pesquisa?
Referência no campo da pesquisa, Rafaela Bastos, presidente do Instituto Fundação João Goulart e vice-presidente de Projetos Especiais da Estação Primeira de Mangueira, tem uma trajetória que une a avenida, a pesquisa e a formulação de políticas públicas. A Mangueira é uma das escolas de samba mais tradicionais do Rio de Janeiro, cidade que concentra alguns dos desfiles mais conhecidos do país.
“Eu fui passista da Mangueira por treze anos, depois musa da comunidade por dez anos e, hoje, sou vice-presidente de Projetos Especiais da escola, vivências muito distintas daquelas que geralmente aparecem na televisão, mas que me formaram profundamente”, afirma Rafaela.
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A pesquisadora iniciou seus estudos focando na figura da mulher passista, observando os estereótipos e preconceitos que enfrentou em sua carreira.
Quais são os desafios econômicos do Carnaval?
Rafaela Bastos também se debruçou sobre a economia do Carnaval, analisando desde macroeconomia até o impacto econômico.
“Eu fui entendendo o Carnaval como um ecossistema produtivo complexo, que envolve cadeias de produção, serviços, circulação de cultura e geração de emprego e renda”, explica.
Entre 2017 e 2021, ela aprofundou a análise sobre o processo de tomada de decisão de investidores carnavalescos e a relação das escolas de samba com mecanismos de fomento, como a Lei Rouanet, principal mecanismo federal de incentivo fiscal à cultura.
Qual é a visão do Ministério da Cultura sobre o Carnaval?
O Ministério da Cultura vem aprofundando o olhar sobre o Carnaval como eixo estratégico do desenvolvimento cultural, econômico e social do país. Uma missão internacional de pesquisa de campo sobre Carnaval, economia criativa e valor público teve início em fevereiro de 2026, em cooperação com o Institute for Innovation and Public Purpose.
“O Carnaval mostra como cultura não é um custo, mas um investimento que amplia capacidades produtivas, fortalece o bem-estar coletivo e gera valor público ao longo do tempo”, destacou a secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do MinC, Márcia Rollemberg.


