O papa Leão 14 nomeou nesta segunda-feira, 30 de março de 2026, o climatologista brasileiro Carlos Nobre, de 75 anos, como membro do Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral, conselho do Vaticano voltado ao desenvolvimento humano em sintonia com a doutrina da Igreja Católica. A indicação foi anunciada em meio ao debate sobre mudança climática e inclui também bispos, padres e pesquisadores em teologia. De acordo com informações da Folha Ambiente, o grupo também atua em temas ligados às necessidades de pessoas forçadas a deixar seus países, incluindo vítimas de desastres.
O dicastério foi criado em agosto de 2016 e, segundo o site oficial citado pela reportagem, tem a missão de fomentar o desenvolvimento humano integral. Na estrutura da Santa Sé, os dicastérios funcionam como órgãos da Cúria Romana, responsável pela administração central da Igreja Católica. A nomeação de Nobre insere um cientista brasileiro reconhecido por pesquisas sobre a Amazônia e as mudanças climáticas em um colegiado que reúne lideranças religiosas e especialistas de outras áreas.
O que Carlos Nobre disse sobre a nomeação?
Nobre afirmou ter recebido a indicação com orgulho e satisfação. Ao jornal, ele relacionou sua atuação científica de décadas ao novo papel no conselho do Vaticano.
“Tenho 43 anos trabalhando sobre a Amazônia, como proteger todos os biomas e combater a emergência climática que todo o planeta está vivendo. Sinto que fui chamado como cientista, para trazer o valor de buscarmos soluções rápidas”
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Em seguida, o pesquisador destacou a importância do engajamento religioso no debate ambiental.
“É muito importante que as religiões também entendam o risco em que nós estamos colocando a Terra”
“O desenvolvimento humano só vai ser integral e sustentável se nós combatermos todos esses riscos pelos quais o planeta passa.”
Qual é a trajetória de Carlos Nobre citada na reportagem?
A reportagem descreve Carlos Nobre como uma referência global em estudos sobre mudanças climáticas e Amazônia. Ele é um dos autores do relatório do painel científico das Nações Unidas que recebeu o Nobel da Paz em 2007.
Nobre é pesquisador da USP, membro da Academia Brasileira de Ciências e da Royal Society. A USP é a maior universidade pública do país e uma das principais instituições de pesquisa da América Latina. Sua formação inclui engenharia eletrônica pelo ITA e doutorado em meteorologia pelo MIT. O texto também informa que ele integrou o grupo Planetary Guardians, criado por Richard Branson, voltado à elaboração e divulgação de pesquisas científicas sobre meio ambiente, proteção de populações vulneráveis diante da crise climática e transição energética.
O que a indicação sinaliza para a pauta ambiental na Igreja?
Segundo a reportagem, a escolha de Nobre sinaliza um esforço para incluir a pauta ambiental nos debates da Igreja Católica. O texto relembra que, em 2015, o papa Francisco ajudou a impulsionar o movimento global contra as mudanças climáticas com a encíclica Laudato Si’.
A matéria também recorda que, em dezembro daquele ano, 195 países assumiram o compromisso de adotar o Acordo de Paris, descrito como o principal tratado internacional para conter o aquecimento da Terra. O Brasil está entre os signatários do acordo, firmado no âmbito da Convenção do Clima da ONU. No aniversário de dez anos da encíclica, ainda de acordo com a reportagem, Leão 14 conclamou católicos e cidadãos de todo o mundo a continuarem a defesa do meio ambiente e a não tratarem o tema como uma questão divisiva.
Em julho de 2025, conforme o texto original, o papa celebrou uma missa especial sobre preservação ambiental e declarou:
“Hoje vivemos em um mundo que está queimando, tanto por causa do aquecimento global quanto dos conflitos armados”.
Quem mais foi indicado para o dicastério?
A lista publicada na reportagem reúne nomes de diferentes países e funções religiosas e acadêmicas. Entre os indicados, estão:
- arcebispo Rogelio Cabrera López, do México;
- arcebispo Fulgence Muteba Mugalu, da República Democrática do Congo;
- bispo Lizardo Estrada Herrera, do Peru;
- padre Daniel Gerard Groody, da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos;
- padre Rampeoane Hlobo, da Rede Jesuíta de Justiça e Ecologia – África, no Quênia;
- irmã Linah Siabana, de Uganda;
- Meghan J. Clark, da Universidade Saint John’s, nos Estados Unidos;
- Dylan Mason Corbett, do Hope Border Institute, nos Estados Unidos;
- Léocadie Wabo Lushombo, da Universidade Santa Clara, nos Estados Unidos;
- Christine Nathan, da Comissão Católica Internacional de Migração, em Genebra, na Suíça;
- Carlos Nobre, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, no Brasil.
A nomeação coloca o cientista brasileiro em um órgão da Santa Sé que articula temas sociais, humanitários e ambientais em diálogo com a doutrina católica.