O cardiologista Daniel Pereira Kollet, de 55 anos, é investigado pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul após o número de possíveis vítimas subir para 40, segundo informação divulgada na sexta-feira (10). O médico está preso preventivamente desde 30 de março, e a apuração reúne relatos de mulheres que o acusam de importunação sexual, violação sexual mediante fraude, estupro e estupro de vulnerável. O caso começou em Taquara, na Região Metropolitana de Porto Alegre, e foi ampliado após denúncias também na capital. De acordo com informações do iG, a polícia apura se a conduta investigada ocorria havia pelo menos dois anos.
Quando o médico foi preso, em 30 de março, havia três depoimentos colhidos. Agora, o avanço da investigação levou a Polícia Civil a ampliar o número de possíveis vítimas para 40. Todas são mulheres, segundo a apuração policial. Na quarta-feira (08), agentes realizaram buscas e apreensões em locais ligados ao investigado e recolheram pendrives, telefones e computadores. Os materiais estão em análise.
O que a polícia apura sobre a atuação do médico?
Segundo o delegado Valeriano Garcia Neto, os relatos das vítimas apresentam semelhanças sobre a forma como Daniel Pereira Kollet agia durante as consultas. De acordo com a investigação, ele pedia que pacientes mulheres se despissem e, nesse contexto, teria praticado contatos físicos inapropriados. Ao fim dos atendimentos, ainda segundo os depoimentos reunidos, ele pedia sigilo.
A investigação também aponta ao menos um caso em que uma vítima relatou ter sido dopada durante o atendimento. A Polícia Civil não divulgou detalhes adicionais sobre esse episódio no material reproduzido. O conteúdo apreendido em dispositivos eletrônicos poderá ser usado para aprofundar a apuração.
Qual é a posição da defesa do cardiologista?
O advogado Ademir Campana, que representa o médico, questiona a consistência das denúncias. Segundo ele, há intervalo de tempo entre os supostos fatos e os relatos apresentados à polícia. A defesa também afirma que existem menções a pessoas que, em princípio, sequer eram pacientes de Daniel Pereira Kollet.
“há menções envolvendo pessoas que, em princípio, sequer eram pacientes” do médico Daniel Kollet.
A defesa informou ainda que protocolou um pedido de liberdade contra a prisão preventiva, que aguarda análise judicial. Até a publicação das informações originais, não havia decisão mencionada sobre esse pedido.
O que foi informado sobre o depoimento da mulher do médico?
A mulher do cardiologista prestou depoimento à Polícia Civil na delegacia de Taquara, na quinta-feira (09), e ficou em silêncio. Segundo a polícia, ela trabalhava na recepção do consultório onde o médico teria cometido os crimes investigados. A identidade dela não foi divulgada.
O advogado do casal afirmou que ela nunca presenciou qualquer conduta relacionada às acusações dirigidas ao marido, nem teve conhecimento dos fatos por meio de suposta vítima ou de terceiros.
“[ela] nunca presenciou qualquer conduta relacionada às acusações dirigidas ao seu marido, tampouco teve conhecimento dos fatos por meio da suposta vítima ou de terceiros”.
Como a investigação está sendo conduzida agora?
A Polícia Civil segue reunindo depoimentos e analisando os materiais apreendidos. O caso, que teve início em Taquara, passou a considerar também relatos de Porto Alegre, o que ampliou o escopo da investigação. Como o médico é suspeito de crimes sexuais, a apuração depende tanto de testemunhos quanto da análise técnica de equipamentos recolhidos.
Entre os pontos já informados sobre o andamento do caso estão:
- prisão preventiva do médico desde 30 de março;
- aumento de três para 40 possíveis vítimas, segundo a polícia;
- buscas e apreensões realizadas na quarta-feira (08);
- análise de pendrives, telefones e computadores recolhidos;
- pedido de liberdade apresentado pela defesa e pendente de decisão.
Denúncias anônimas, de acordo com a informação publicada, podem ser encaminhadas pelo telefone (51) 98443-3481. O caso segue sob investigação.