Capacidade solar da Lituânia ultrapassa 3 GW no fim de 2025

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A Lituânia alcançou a marca de 3.040 MW em capacidade de energia solar instalada até o fim de 2025. O avanço reflete a adição de cerca de 600 MW à infraestrutura elétrica ao longo do último ano, consolidando o país báltico, no nordeste da Europa, como um dos destaques da União Europeia em geração renovável per capita. Os dados apurados apontam que a produção atual já atende a uma parcela significativa do consumo interno de energia, transformando o perfil energético da nação.

De acordo com informações da PV Magazine, que repercutiu a mais recente atualização do relatório Country Updates 2025 elaborado pelo Programa de Sistemas de Energia Fotovoltaica da Agência Internacional de Energia (IEA-PVPS), o país conseguiu gerar 1,79 TWh de eletricidade solar ao longo de 2025. Esse volume de energia limpa representa 14,2% de todo o consumo elétrico nacional registrado no período. O desempenho equivale a uma taxa de 1.053 kW per capita, fato que coloca a Lituânia entre os Estados-membros da União Europeia com maior destaque nesse indicador. Para o leitor brasileiro, o caso chama atenção por mostrar como incentivos a geração distribuída, armazenamento e adaptação da rede se tornaram temas centrais também em mercados solares em expansão.

Como o mercado de energia solar cresceu na Lituânia?

O principal impulsionador do desenvolvimento acelerado do setor foi uma política pública implementada pelo Ministério da Energia do país. O crescimento do mercado foi liderado pelos chamados prossumidores, usuários que produzem e consomem a própria energia. Atualmente, os registros indicam a existência de cerca de 170 mil prossumidores ativos no território nacional, responsáveis por aproximadamente 70% da produção total de eletricidade solar em 2025.

Esses produtores residenciais e empresariais foram beneficiados por um sistema de medição líquida que, em seu formato original, não estabelecia limites de capacidade para as instalações. As empresas comerciais de grande porte já realizaram a transição para um sistema de faturamento líquido, enquanto a medição líquida tradicional ainda é aplicada para domicílios e entidades sem fins lucrativos. As famílias e pequenas e médias empresas também receberam apoio financeiro por meio de esquemas governamentais de investimento, que chegam a cobrir até 30% dos custos totais de instalação dos equipamentos fotovoltaicos. O tema tem paralelo com o debate brasileiro sobre geração distribuída, modalidade que também depende de regras de compensação, conexão à rede e previsibilidade regulatória.

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Quais são os limites estruturais para a expansão da rede elétrica?

Embora as autoridades tenham emitido licenças técnicas prévias para a instalação de mais quatro gigawatts de energia solar, especialistas de mercado avaliam que a infraestrutura local de transmissão está operando próxima do seu limite de segurança. O diretor de pesquisa do Instituto de Pesquisa Aplicada para Tecnologias Prospectivas e colaborador do relatório da IEA-PVPS, Juras Ulbikas, afirmou que o mercado está atingindo um ponto de saturação devido à falta de capacidade ociosa da rede elétrica nacional.

Solar e eólica já estão cobrindo 68,1% da demanda de eletricidade. Esse número já excede as metas da estratégia da Lituânia para eletricidade a partir de fontes de energia renovável, que estava alinhada com as medidas de desenvolvimento da rede.

Ulbikas ressaltou que, atualmente, os prossumidores enfrentam obstáculos burocráticos e operacionais para adquirir novas licenças técnicas exigidas para as instalações fotovoltaicas. Segundo o especialista, o crescimento futuro do mercado dependerá do avanço de tecnologias complementares capazes de equilibrar a geração flutuante sem impor pressão excessiva sobre o sistema de distribuição local.

Quais soluções de armazenamento a Lituânia está adotando?

Para contornar os gargalos da rede elétrica e manter a expansão, o país tem direcionado esforços para sistemas integrados de armazenamento de energia em baterias. Quase dois gigawatts em instalações de baterias independentes receberam licenças técnicas finais em 2025. O governo organizou uma licitação para estabilizar a rede e acelerar o armazenamento em grande escala com as seguintes definições:

  • Lançamento de um edital governamental para a retenção de 800 MWh de energia em fevereiro de 2025.
  • Contratação de 1,7 GW e de quatro gigawatts-hora de capacidade, superando as expectativas.
  • Estabelecimento de subsídios focados em fazendas híbridas, que unem parques solares com bancos de baterias, além de sistemas de retenção autônomos.
  • Facilitação das licenças ambientais e operacionais para grandes usinas solares que aceitem compartilhar o mesmo ponto de conexão física com usinas eólicas.

O relatório da agência também acrescenta que a integração do armazenamento de energia térmica está aumentando com a implantação de sistemas com bombas de calor nas residências urbanas. A nova Estratégia Nacional de Independência Energética da Lituânia, adotada em 2024, estabeleceu a meta de atingir 100% da eletricidade proveniente de fontes renováveis até 2030. Esse planejamento abriu caminho para a sincronização do país com a rede elétrica da Europa continental, concretizada em fevereiro de 2026 juntamente com os vizinhos Estônia e Letônia.

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