Campanha do Vaticano incentiva desinvestimento em setores de mineração globais

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O Vaticano lançou nesta sexta-feira, 20 de março de 2026, uma campanha global para incentivar o desinvestimento em indústrias de mineração. A iniciativa pede que a Igreja Católica e outras organizações cristãs alinhem seus investimentos às diretrizes ecológicas defendidas pela instituição religiosa, em conformidade com a encíclica ambiental Laudato Si’, publicada pelo papa Francisco em 2015. O anúncio ocorreu em uma coletiva na cidade de Roma, com participação de líderes de diversos grupos cristãos, especialmente da América Latina. Para o Brasil, o tema tem peso especial por envolver um dos principais setores da economia nacional e um país que reúne a maior população católica do mundo.

De acordo com informações do Mongabay, a campanha é liderada pela rede ecumênica Igrejas e Mineração, que reúne tanto representantes católicos quanto de outras denominações cristãs. O movimento, inspirado pelas críticas de Francisco às grandes corporações que exploram recursos naturais em detrimento principalmente de povos indígenas e comunidades vulneráveis, busca incentivar igrejas locais a revisarem suas estratégias financeiras. No contexto brasileiro, a discussão dialoga com debates recorrentes sobre mineração em territórios indígenas, segurança de barragens e impactos ambientais em estados com forte atividade mineral, como Minas Gerais e Pará.

Como o Vaticano justifica a iniciativa de desinvestimento?

A proposta do Vaticano é fundamentada nos princípios de justiça ecológica e distributiva. Segundo o cardeal Álvaro Ramazzini, da Guatemala, a extração de minérios realizada por empresas estrangeiras oferece ganhos de curto prazo para algumas comunidades locais, mas os maiores beneficiários acabam sendo acionistas dessas corporações. “Foi uma atividade legal? Sim. Promoveu o desenvolvimento holístico das comunidades? Não”, afirmou Ramazzini durante o lançamento. Questões sobre a equidade e os impactos socioambientais dessas operações foram destacadas como principais preocupações.

Yolanda Flores, liderança do povo Aymara no Peru, relatou na mesma ocasião os efeitos nocivos para comunidades indígenas, mencionando o medo de mães locais de estarem contaminando seus filhos devido à poluição da água causada pelos rejeitos de mineração. Ela questionou:

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O grande problema é: Quem financia isso? Quem oferece o dinheiro para nos envenenar?

Quais medidas práticas estão sendo propostas pelo Vaticano?

A campanha orienta igrejas locais a revisarem e, quando necessário, retirarem investimentos de empresas envolvidas em mineração. O objetivo é também informar povos indígenas sobre o tipo de extração realizada em seus territórios. Em resposta à possibilidade de haver investimentos da própria Santa Sé nesses setores, o cardeal Fabio Baggio, da área de ecologia do Vaticano, afirmou não saber detalhes sobre o portfólio anterior, mas destacou a necessidade de examinar as ações internas nessas situações.

  • Revisão de estratégias de investimento
  • Compartilhamento de informações com comunidades indígenas
  • Incentivo a práticas financeiras alinhadas à doutrina social da Igreja

Em 2022, o papa Francisco criou um comitê de investimentos para assegurar que os recursos do Vaticano obedeçam aos princípios éticos e sociais da Igreja, além de garantir rentabilidade e adequação. Mais recentemente, o banco do Vaticano anunciou índices de referência (benchmarks) que seguem critérios católicos de investimento, nomeadamente o Morningstar IOR Eurozone Catholic Principles e o Morningstar IOR US Catholic Principles.

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