As câmeras retrô, as máquinas analógicas, as digitais compactas e as chamadas “charmeras” passaram a dividir espaço com os celulares entre o público do Lollapalooza Brasil 2026, realizado no Autódromo de Interlagos, na zona sul de São Paulo. A tendência foi observada durante os dias do festival como uma alternativa aos registros instantâneos feitos para redes sociais, com preferência por imagens consideradas mais imperfeitas, espontâneas e nostálgicas. De acordo com informações do Canaltech, o movimento também apareceu em ativações de marcas presentes no evento.
Segundo a reportagem, ao circular pelo festival era possível encontrar pessoas com câmeras de filme, modelos com impressoras portáteis e pequenas filmadoras em formato de chaveiro, apelidadas de “charmeras”. O uso desses aparelhos contrasta com a lógica dos celulares, que permitem publicação imediata, e reforça um tipo de registro que muitas vezes só é visto depois, após a transferência dos arquivos ou a revelação dos filmes.
Por que câmeras antigas e digitais compactas chamaram atenção no festival?
A reportagem aponta que o apelo desses equipamentos está na busca por uma estética menos tratada e mais distante do pós-processamento presente nos smartphones. Em vez de priorizar definição máxima e correções automáticas de imagem, parte do público recorreu a aparelhos mais simples, com limitações técnicas que acabam interferindo no resultado final das fotos e vídeos.
Outro ponto destacado é que esses registros nem sempre são publicados no mesmo momento em que são feitos. No caso das câmeras digitais compactas, os arquivos podem depender de transferência por cabo. Já nas analógicas, o conteúdo só aparece após a revelação do filme. Com isso, a lembrança do festival pode surgir mais tarde, em vez de acompanhar o ritmo imediato das redes sociais.
Como frequentadores descrevem o uso desses equipamentos?
A produtora e comunicadora de moda Larissa Cruvinel, de 32 anos, disse ao Canaltech que levou aos três dias de festival diferentes equipamentos, entre eles câmeras analógicas, uma Fujifilm Instax e uma Sony Cybershot. Segundo a reportagem, o interesse dela por fotografia analógica veio da família, inclusive com o uso de máquinas antigas herdadas.
“Para mim, a graça está exatamente no pós: é viver primeiro e depois ver os registros, compartilhar com os meus amigos. A câmera analógica é exatamente por isso, porque eu acho que você revela ela depois, passou o evento, com toda aquela euforia e todo mundo postando naquele momento. Aí você revê e aí vem aquele sentimento de novo do que você viveu no festival”, comenta.
Cruvinel também associou esse tipo de fotografia a uma forma de registrar o festival com mais nostalgia e menos semelhança com os filtros dos celulares. Na mesma entrevista, ela destacou características visuais específicas desses aparelhos.
“O granulado da analógica tem um charme, a Cybershot também tem o flash que deixa a foto com um aspecto diferente do celular”, completa.
De que forma as marcas exploraram essa tendência no Lollapalooza Brasil?
A nostalgia observada entre os frequentadores também apareceu nas ativações de patrocinadoras. De acordo com a reportagem, a marca de cerveja Flying Fish distribuiu pequenas câmeras digitais no festival, em uma ação alinhada à estética Y2K, referência visual ligada ao início dos anos 2000.
A diretora de marketing da empresa, Thaís Soares, explicou ao Canaltech que a escolha buscava dialogar com referências culturais do público. Ela relacionou a ação a uma procura por imagens menos editadas e mais espontâneas.
“Existe uma autenticidade característica dessa geração, que tem um olhar único e que busca por algo mais real, menos perfeito e menos editado. A proposta das mini câmeras digitais, que resgata a estética dos anos 2000, entra exatamente nesse espaço. Elas trazem um visual mais cru e espontâneo”, afirmou ao Canaltech.
A Budweiser também apostou na nostalgia, mas com foco em áudio. Segundo o texto, a marca distribuiu um gravador de voz em fitas para os fãs. A diretora de marketing da empresa, Mariana Santos, associou a iniciativa a um momento de revisita a símbolos do passado por parte das novas gerações.
“Identificamos uma forte tendência de revisitar símbolos do passado, principalmente entre as novas gerações, que resgatam objetos icônicos e reinterpretam o vintage de um jeito atual, seja na moda, na música ou na forma de se expressar. Os anos 2000 nunca foram tão amados”, conclui.
Quais elementos resumem essa onda retrô no evento?
- Uso de câmeras analógicas pelo público
- Presença de digitais compactas, como a Sony Cybershot
- Popularização das “charmeras”, filmadoras pequenas em formato de chaveiro
- Valorização de imagens com aparência menos tratada
- Ações de marcas inspiradas na estética dos anos 2000
O cenário descrito pela reportagem indica que, em meio à gravação constante por celulares, parte do público do festival buscou outra relação com a memória do evento: menos imediata, mais material e marcada pela estética de dispositivos que voltaram a circular como objeto de desejo e de expressão visual.
