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Calor extremo ameaça segurança de estudantes atletas nos EUA e expõe desigualdade escolar

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A male runner cools down with water during a summer marathon by the seaside.
A male runner cools down with water during a summer marathon by the seaside. Foto: RUN 4 FFWPU — Pexels License (livre para uso)

Com o avanço das mudanças climáticas, o calor extremo se tornou uma ameaça iminente e letal para estudantes atletas de escolas de ensino médio nos Estados Unidos. O cenário norte-americano serve de alerta para o Brasil, que também tem registrado frequentes ondas de calor severo avaliadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), fenômeno que afeta diretamente a rotina de atividades físicas escolares no país. Diante da falta de uma regulamentação nacional padronizada nos EUA, diferentes estados tentam adaptar suas regras de segurança esportiva, mas as medidas esbarram na desigualdade de recursos financeiros. De acordo com informações do site especializado Grist, a disparidade orçamentária entre as instituições de ensino tem definido quem tem acesso a equipamentos básicos para evitar mortes e lesões por insolação durante os treinos.

O estudante George LaComb, representante do Conselho Nacional de Estudantes, percebeu essa diferença na prática ao mudar de escola em Orlando, na Flórida. Na nova instituição, que possui mais recursos, a equipe de futebol americano conta com uma sala de recuperação, um preparador físico em tempo integral, grandes banheiras de gelo e instalações cobertas para dias quentes. Já em sua antiga escola, os atletas dividiam uma única banheira improvisada e descansavam em mesas de refeitório quando passavam mal.

Quais são os riscos do calor extremo para os jovens atletas?

As estatísticas revelam um cenário preocupante para o esporte amador estadunidense. Mais de nove mil estudantes do ensino médio recebem tratamento para doenças relacionadas às altas temperaturas todos os anos, de acordo com estimativas dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Em 2021, que concentra os dados mais recentes disponíveis, nove adolescentes morreram devido à insolação por esforço físico, marcando um recorde histórico. Desde o ano 2000, pelo menos 65 jovens perderam a vida por causas ligadas diretamente às fortes ondas de calor no país.

Especialistas alertam que as crianças e os adolescentes enfrentam vulnerabilidades biológicas únicas sob temperaturas severas. Seus corpos levam mais tempo para se adaptar ao clima e produzir suor, o que os torna consideravelmente mais propensos à desidratação rápida. Autumn Burton, especialista da Federação de Cientistas Americanos, aponta que a intensidade, a duração e a abrangência do clima atual são completamente inéditas. Segundo a pesquisadora, o calor está atingindo comunidades que nunca lidaram com esse fenômeno no passado e, portanto, não possuem infraestrutura de saúde para proteger os jovens adequadamente.

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Como as escolas e os governos locais tentam solucionar a crise?

Enquanto o governo federal e a Administração de Segurança e Saúde Ocupacional (OSHA) desenvolvem normas para o ambiente de trabalho que possam se estender às instituições de ensino, os governos estaduais têm avançado com regras próprias de segurança. Para evitar tragédias, as escolas estão sendo orientadas a implementar diretrizes rigorosas, que geralmente incluem:

  • Ajuste obrigatório nos horários de treinos ao ar livre;
  • Aquisição de equipamentos profissionais de resfriamento corporal rápido;
  • Contratação de treinadores e médicos licenciados para identificar sintomas precoces de insolação;
  • Implementação de períodos graduais de aclimatação ao clima no início das temporadas esportivas.

O Korey Stringer Institute, uma organização dedicada a avaliar as políticas de proteção aos jovens atletas, elabora um ranking sobre as normas adotadas no país. Estados como Flórida, Geórgia, Nova Jersey e Carolina do Norte lideram a lista positiva por exigirem banheiras de imersão em água fria em todos os treinos quentes e adotarem o padrão de diminuir a temperatura corporal da vítima antes do transporte ao hospital. Em contrapartida, locais sem proteções formais contra o calor, como Colorado e Maine, ocupam as piores posições na avaliação de segurança.

Qual é o impacto da desigualdade financeira na prevenção de tragédias?

A capacidade de implementar equipamentos de ponta, como os termômetros de globo de bulbo úmido — considerados o padrão ouro por medir temperatura do ar, umidade, vento e radiação solar —, depende intrinsecamente do orçamento escolar. Colégios particulares da Nova Inglaterra, região nordeste dos EUA, por exemplo, conseguem reunir doações de ex-alunos para comprar tinas de imersão, superando com facilidade as exigências estaduais, enquanto distritos públicos periféricos lutam com o básico.

John Balbus, ex-funcionário do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, enfatizou o perigo que essa disparidade gera no sistema educacional: “A falta de financiamento e capacidade em muitos lugares do país quase certamente levará a uma continuação das proteções de saúde contra o calor em formato de ‘queijo suíço’ em níveis estatais e locais”, declarou. Até que diretrizes federais abrangentes e igualitárias se tornem efetivas em todos os estados e territórios norte-americanos, a proteção à vida dos estudantes permanecerá condicionada ao código postal e à riqueza de suas escolas.

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