No sábado, 22 de março de 2026, data em que se celebra o Dia Mundial da Água, a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) reforçou a importância da gestão eficiente dos recursos hídricos para assegurar a saúde pública e a dignidade humana em todo o estado. O processo de transformação da água bruta em potável é apontado como um dos pilares do desenvolvimento socioeconômico cearense, exigindo rigor técnico e monitoramento constante para atender aos padrões de qualidade previstos na legislação brasileira.
De acordo com informações do Governo do Estado do Ceará, a garantia de que o recurso chegue com qualidade às residências depende de uma operação ininterrupta, realizada em regime de 24 horas. O epicentro desse trabalho é a Estação de Tratamento de Água (ETA) Gavião, considerada a maior unidade do sistema no Ceará e uma das mais importantes estruturas de saneamento da região Nordeste, sendo responsável por abastecer a maior parte da Região Metropolitana de Fortaleza. Em um contexto nacional, a operação se insere no esforço de ampliação e qualificação dos serviços de saneamento no país, tema que ganhou ainda mais relevância após o novo Marco Legal do Saneamento, em vigor desde 2020.
Como funciona o processo de tratamento de água da Cagece?
O ciclo de tratamento na ETA Gavião é caracterizado por uma sequência de etapas físico-químicas precisas. A jornada começa com a captação do recurso no Açude Gavião, de onde a água segue por canais subterrâneos para iniciar os procedimentos de pré-oxidação, coagulação e fluoretação. Essas fases iniciais são essenciais para preparar o líquido, aglutinando impurezas e facilitando a remoção posterior durante a filtragem.
O núcleo operacional do sistema conta com 16 filtros descendentes de alta performance. Segundo Mércio Pinheiro, coordenador de produção da unidade, esses equipamentos são fundamentais para a retenção de partículas finas. Após passar pelos filtros, a água recebe uma desinfecção terminal com cloro, etapa obrigatória para eliminar vírus, bactérias e outros micro-organismos nocivos, garantindo a potabilidade estabelecida pelo Ministério da Saúde. O controle da qualidade da água distribuída é uma exigência central do setor de saneamento no Brasil e tem impacto direto na saúde pública.
Quais tecnologias asseguram a qualidade final do produto?
Um dos diferenciais de segurança da companhia é a manutenção da acreditação ISO 17025 pelo seu Laboratório Central. Essa certificação valida a precisão das análises químicas e biológicas realizadas periodicamente. A cada duas horas, técnicos monitoram parâmetros críticos como o potencial hidrogeniônico (pH), a turbidez e os níveis de cloro residual livre no sistema de distribuição.
Esta certificação internacional garante que as análises feitas a cada duas horas — monitorando parâmetros como turbidez, cloro residual livre e pH — seguem os padrões de qualidade mais rigorosos do mundo
, ressalta a técnica em química Amanda Gondim. Esse monitoramento milimétrico é o que permite o ajuste imediato dos dosadores de produtos químicos, assegurando que não haja oscilações na qualidade da água que chega aos consumidores finais.
Qual é a infraestrutura necessária para o abastecimento em larga escala?
Para vencer os desafios geográficos e levar o recurso tratado até a capital e municípios vizinhos, a Cagece opera um robusto sistema de adução. A água precisa ser elevada a uma altura de aproximadamente 100 metros para alcançar o reservatório do Ancuri. Esse transporte é viabilizado por oito bombas de alta potência que funcionam sem interrupções. A manutenção desse maquinário é estratégica, com foco em modelos preventivos para evitar falhas que comprometam o fluxo hídrico.
Os principais pontos que sustentam a eficiência da ETA Gavião incluem:
- Realização de 90% das manutenções com a planta em pleno funcionamento para evitar desabastecimento;
- Monitoramento constante de eficiência energética para otimização de custos operacionais;
- Planejamento rigoroso de paradas programadas apenas em casos de absoluta necessidade técnica;
- Operação descentralizada que interliga reservatórios estratégicos por gravidade a partir do Ancuri.
O supervisor de manutenção eletromecânica, João Batista, enfatiza que o planejamento é a chave para a segurança do sistema. Ao priorizar intervenções preditivas, a companhia busca minimizar o impacto na rotina da população cearense. Em um país com fortes desigualdades no acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário, estruturas como a ETA Gavião ajudam a dimensionar a relevância do saneamento para a vida urbana e para o desenvolvimento regional.



