O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e o Serviço Florestal Brasileiro (SFB), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, firmaram um acordo de cooperação técnica com o Google em 2 de abril de 2026. A iniciativa conjunta tem como principal objetivo otimizar a eficiência do sistema do Cadastro Ambiental Rural (CAR), um registro público eletrônico obrigatório para todas as propriedades rurais do país, utilizando tecnologia de ponta para o monitoramento governamental.
De acordo com informações da Agência Brasil, a parceria estratégica já permitiu a disponibilização imediata de imagens de satélite de alta resolução referentes ao ano de 2008. Neste primeiro momento, os registros espaciais contemplam os estados do Maranhão, Rondônia, Mato Grosso, Tocantins e Pará, áreas que englobam a Amazônia Legal e o Cerrado, consideradas estratégicas para o monitoramento e a preservação ambiental no país.
Como a tecnologia vai ajudar os produtores rurais?
A ministra Esther Dweck, titular do MGI, detalhou as vantagens do acordo durante entrevista concedida ao programa Bom Dia Ministra, transmitido pelo CanalGov. Segundo ela, a incorporação dessa base de dados visual trará impactos positivos imediatos para o agronegócio e para a sustentabilidade, acelerando processos burocráticos fundamentais.
“Vai facilitar muito e vai permitir a todos os agricultores que estão em dia com a legislação terem a vida facilitada, porque o CAR é base para crédito rural, vai ser base para o mercado de carbono e uma série de outros benefícios”, explicou a ministra.
Qual é a importância do marco temporal de 2008?
A relevância do ano de 2008 está diretamente ligada às diretrizes estabelecidas pelo Código Florestal, legislação aprovada em 2012. A lei estipula os percentuais de áreas privadas que estão autorizadas a sofrer desmatamento em cada bioma brasileiro (como a exigência de manutenção de 80% de vegetação nativa na Amazônia e 20% em outras regiões do país), criando uma ferramenta de natureza autodeclaratória para o controle governamental e ambiental.
O sistema utiliza o marco temporal de 22 de julho de 2008 como a principal referência para calcular o quanto ainda é permitido avançar na supressão de áreas verdes para o desenvolvimento de atividades como a agricultura, a pecuária e a instalação de outros grandes empreendimentos comerciais que demandam extensas faixas de terra.
“Uma das coisas que para a gente era importante eram imagens de alta resolução desse marco temporal de 2008 e, desde o início do governo a gente veio conversando e com o Google a gente viu uma possibilidade. Então, eles fizeram uma doação das imagens”, relatou Esther Dweck sobre as negociações.
Onde as novas imagens de satélite estão disponíveis?
A gestão do CAR foi transferida oficialmente para o Ministério da Gestão e da Inovação em 2023. O intuito dessa mudança foi promover melhorias estruturais no sistema criado pelo Código Florestal, facilitando a declaração de áreas preservadas e de locais que já haviam sofrido alterações no uso do solo pelos proprietários rurais.
Conforme destacado pela ministra, o sistema já vinha passando por aperfeiçoamentos contínuos, como a integração dos dados de registro de terras. Essa unificação de informações possibilitou, por exemplo, a oferta do serviço de licenciamento ambiental pré-preenchido. Agora, com a doação do acervo fotográfico, o governo conseguirá avançar significativamente na validação técnica dos dados declarados pelos donos das propriedades.
Desde 1º de abril de 2026, o conjunto de imagens espaciais de alta resolução está liberado para o acesso da população. O Ministério da Gestão disponibilizou o acervo de forma pública e gratuita diretamente no catálogo de dados das plataformas digitais Google Earth Engine e Google Earth.

