Uma equipe de cientistas registrou o nascimento de um filhote de cachalote com apoio de outras fêmeas do grupo em 8 de julho de 2023, perto da costa de Dominica, país insular do Caribe oriental. O caso envolveu uma fêmea de 19 anos chamada Rounder, que estava prestes a dar à luz seu segundo filhote, enquanto familiares e outras baleias se aproximavam para auxiliá-la. De acordo com informações do Guardian Environment, os dados foram publicados na quinta-feira (26) nas revistas Scientific Reports e Science.
O registro foi feito por pesquisadores do Project Ceti, iniciativa internacional voltada ao estudo da comunicação das baleias. Durante quase cinco horas e meia, a equipe acompanhou o comportamento de um grupo de 11 animais a partir de uma embarcação, com imagens aéreas por drones e captação de sons sob a água. Segundo o relato, trata-se de um registro raro na história da ciência, tanto pelo parto em ambiente selvagem quanto pela participação de fêmeas não aparentadas à mãe.
A descoberta também dialoga com estudos sobre cetáceos no Atlântico Sul, já que a cachalote (Physeter macrocephalus) ocorre em águas brasileiras, especialmente em áreas oceânicas mais profundas do litoral. Para a ciência no Brasil, observações desse tipo ajudam a comparar comportamentos sociais e reprodutivos de uma espécie de ampla distribuição, mas difícil de acompanhar no ambiente natural.
Por que o registro foi considerado raro pelos cientistas?
Entre 93 espécies de cetáceos, grupo que reúne baleias, golfinhos e botos, apenas nove haviam sido observadas dando à luz na natureza, segundo o texto. O caso descrito se destacou ainda mais porque outras baleias, inclusive sem parentesco com a mãe, atuaram durante e após o nascimento.
Em declaração reproduzida pela reportagem, o integrante do Project Ceti Shane Gero afirmou ao New Scientist que este é o primeiro indício de assistência ao parto em animais não primatas e que é fascinante observar o apoio entre gerações, da avó à filha em trabalho de parto, além da ajuda de outras fêmeas sem parentesco.
O parto durou 34 minutos, contados desde o momento em que as caudas surgiram na superfície até o nascimento do filhote. Durante o trabalho de parto, outras fêmeas adultas mergulharam sob a nadadeira dorsal de Rounder, muitas vezes de barriga para cima e com a cabeça voltada para a fenda genital da mãe.
Como o grupo reagiu logo depois do nascimento?
De acordo com o estudo citado na reportagem, o comportamento do grupo mudou rapidamente após o parto. Todos os adultos ficaram ativos e passaram a tocar o recém-nascido com o corpo e a cabeça. Os pesquisadores relataram que as baleias direcionavam o focinho ao filhote, empurrando-o sob a água e também sobre seus corpos na superfície.
Os cientistas sugerem que esse comportamento ajuda a evitar que o recém-nascido afunde e facilita suas primeiras respirações. O texto explica que filhotes de cachalote nascem com a cauda primeiro, ao contrário do que ocorre com outros mamíferos, e que, embora aprendam a nadar em poucas horas, afundam imediatamente após o nascimento.
- O parto foi registrado na natureza, algo incomum entre cetáceos.
- O grupo observado tinha 11 baleias.
- O nascimento durou 34 minutos.
- Outras fêmeas auxiliaram a mãe e o filhote logo após o parto.
O que os sons gravados podem indicar sobre o comportamento das baleias?
A equipe também registrou vários sons emitidos pelas baleias e identificou mudanças importantes no estilo de vocalização durante momentos decisivos. Segundo o estudo, isso ocorreu inclusive quando um grupo de baleias-piloto se aproximou do conjunto depois do nascimento.
Para os pesquisadores, essas alterações sonoras podem indicar coordenação do grupo para apoiar o parto ou proteger o recém-nascido. A reportagem lembra que cachalotes têm uma das gestações mais longas do reino animal, com duração de até 16 meses. Quando nascem, os filhotes já medem cerca de quatro metros e dependem do leite materno por pelo menos dois anos.
O que aconteceu com o filhote após o registro?
Depois da filmagem em 2023, o grupo não voltou a ser avistado por mais de um ano. O filhote, porém, foi visto novamente em 25 de julho de 2025 ao lado de Accra e Aurora, os outros jovens do grupo. Para a equipe do Project Ceti, sobreviver ao primeiro ano foi um sinal positivo para que o animal alcance a fase adulta.
A reportagem também destaca que, à medida que crescem, os jovens passam a ocupar o centro da unidade social do grupo, com outras baleias ajudando nos cuidados enquanto a mãe busca alimento. O registro, segundo o texto original, amplia o conhecimento científico sobre o comportamento social e reprodutivo das cachalotes em ambiente natural.
