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Cabo submarino TAT-8 é recuperado do oceano após 35 anos de operação

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Exercício inédito da Marinha garante manutenção de cabos submarinos Tecnologia é responsável por 95% de toda a comunicação mu
Exercício inédito da Marinha garante manutenção de cabos submarinos Tecnologia é responsável por 95% de toda a comunicação mundial. A fiscalização de ações que possam prejudicar o funcionamento dos si Foto: Marinha do Brasil — CC BY-SA 2.0

O fundo do Oceano Atlântico tornou-se palco de uma operação inédita de resgate tecnológico com a extração do TAT-8, o primeiro cabo submarino de fibra óptica intercontinental da história. Engenheiros e equipes especializadas iniciaram o recolhimento desta estrutura colossal, que entrou em operação no ano de 1988, com o objetivo de reciclar metais de alto valor agregado e promover a limpeza das profundezas marinhas. De acordo com informações do Olhar Digital, o complexo processo de içamento se estenderá até o ano de 2026 e representa um marco logístico para a indústria e para a economia circular global. Esse precedente é de grande interesse para o Brasil, que abriga um dos maiores entroncamentos de cabos submarinos do mundo, concentrado principalmente em Fortaleza (CE), infraestrutura fundamental para a internet nacional.

Por que a recuperação do cabo submarino impulsiona a economia circular?

A extração de infraestruturas de telecomunicações obsoletas demonstra uma nova fronteira lucrativa e sustentável para o reaproveitamento de recursos industriais. Uma publicação acadêmica da Submarine Networks destaca que a operação utiliza ganchos metálicos colossais, projetados especificamente para içar toneladas de materiais que permaneceram esquecidos por quase quatro décadas no leito marinho, em profundidades abissais que atingem até cinco mil metros abaixo do nível do mar.

O esforço da engenharia contemporânea não tem como único propósito a preservação ambiental, pois também gera viabilidade comercial direta por meio da venda de commodities com elevado grau de pureza técnica. Com a constante valorização no preço dos metais ferrosos no mercado internacional, a recuperação de equipamentos eletrônicos descartados no passado consolidou-se como uma estratégia empresarial rentável e estritamente alinhada às exigências sustentáveis das grandes companhias de tecnologia.

Quais as fases do projeto e os materiais extraídos do fundo do mar?

A trajetória operacional da rede divide-se em três marcos cronológicos essenciais. No ano de 1988, ocorreu o lançamento oficial da estrutura, conectando os Estados Unidos, o Reino Unido e a França em um sistema inédito. Posteriormente, em 2002, o maquinário foi desativado em função do surgimento de novas tecnologias de transmissão de dados significativamente mais velozes. Atualmente, ocorre a fase definitiva de remoção focada no descarte ecológico inteligente.

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O projeto original da fiação foi desenvolvido para suportar pressões esmagadoras e o intenso desgaste provocado pela corrosão salina ao longo dos anos. Protegendo a fibra óptica central, existem diversas camadas de isolamento que mantiveram sua integridade estrutural praticamente intacta, o que facilita drasticamente a separação industrial dos componentes após o resgate. Os principais materiais retirados das águas profundas incluem os seguintes itens industriais:

  • Cobre de alta pureza: metal empregado inicialmente na condução de energia elétrica para os amplificadores de sinal do equipamento submarino.
  • Aço galvanizado: estrutura metálica que proporcionou alta resistência à tração e blindagem mecânica contra acidentes externos no oceano.
  • Polietileno: material plástico de alta densidade aplicado rigorosamente para garantir o isolamento térmico e elétrico da rede interna.
  • Blindagem de alumínio: elemento posicionado em seções específicas da fiação para certificar a vedação contra a altíssima pressão hidrostática.

Como é executado tecnicamente o resgate no ambiente oceânico?

O recolhimento de materiais tão extensos exige o emprego de embarcações de proporções colossais, obrigatoriamente equipadas com modernos sistemas de posicionamento dinâmico que garantem a estabilidade necessária em mar aberto. As equipes de navegação manuseiam uma ferramenta técnica conhecida como “grapnel”, uma espécie de âncora provida de múltiplos dentes afiados, que é arrastada no leito oceânico para capturar a fiação com exatidão cirúrgica.

Após a captura no fundo das águas, o material obsoleto é seccionado e erguido de forma gradual por guinchos hidráulicos de tração compensada. Esse maquinário de altíssima potência possui capacidade operacional para suportar centenas de toneladas de carga. O foco primário dessa logística extrema concentra-se estritamente na separação de metais ferrosos e elementos condutores de alta eficiência térmica.

Quais os impactos diretos da remoção para o meio ambiente?

Antes da consolidação da década de 1990, as ligações telefônicas internacionais dependiam unicamente de fiações coaxiais de cobre, caracterizadas por uma capacidade de transmissão de dados bastante restrita. A implementação da primeira rede transatlântica óptica no passado permitiu o envio simultâneo de dezenas de milhares de chamadas, estabelecendo os alicerces do que viria a ser a internet e conectando o polo financeiro de Nova York aos centros tecnológicos da Europa.

No âmbito do ecossistema, qualquer intervenção direta no fundo marinho demanda rigorosos relatórios e estudos de impacto para prevenir a degradação de recifes de corais ou a perturbação de habitats frágeis. Contudo, a comunidade científica e especialistas convergem no entendimento de que a retirada controlada destas redes abandonadas resulta em benefícios substanciais a longo prazo, eliminando focos duradouros de poluição gerada por plásticos industriais no oceano.

Além do benefício local nas águas, a reciclagem pesada dos componentes resgatados diminui a dependência global da exploração mineral terrestre, uma atividade reconhecida internacionalmente por seu alto grau de agressão ambiental. O resgate complexo figura, portanto, como uma medida exemplar para purificar o rastro de lixo eletrônico gerado durante a expansão primária da infraestrutura digital.

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