Em 2025, a BYD consolidou-se como a maior fabricante global de veículos híbridos plug-in (PHEVs), veículos elétricos (BEVs) e veículos de nova energia (NEVs), além de liderar as exportações de ônibus elétricos e a produção de sistemas de armazenamento de energia por capacidade instalada. Apesar disso, seu lucro líquido caiu 18,97% em relação a 2024, com margem líquida de 4,1%, ante 5,2% no ano anterior. A receita cresceu apenas 3,5% no período. De acordo com informações do CleanTechnica, o segmento automotivo — responsável por 80,7% da receita total — viu sua margem bruta recuar 1,8 ponto percentual, chegando a 20,5%.
O desempenho da montadora tem reflexos no Brasil, onde a BYD ampliou sua presença nos últimos anos e disputa a liderança no mercado de carros eletrificados, além de manter planos industriais no país. Por isso, a redução de margem da companhia é acompanhada de perto também no mercado brasileiro, especialmente em decisões sobre expansão, oferta de modelos e investimentos.
A empresa chinesa também pagou mais em impostos domésticos do que obteve em lucro líquido no ano. Mesmo com essa redução, sua margem líquida superou a da Tesla, cuja receita declinou em 2025 e que não pagou imposto de renda federal nos Estados Unidos. Enquanto montadoras tradicionais como GM, Ford, Stellantis e Renault registraram prejuízos, e Volkswagen obteve margem líquida de apenas 2,1%, a BYD manteve rentabilidade positiva, embora moderada.
Como a BYD se compara com outras montadoras?
No mercado chinês, a Geely — cujas vendas de NEVs representam cerca de metade de seu total — teve margem líquida de 4,9%, superior à da BYD, mas com queda mais acentuada em relação ao ano anterior (de 6,9%). Já Hyundai apresentou margem de 5,9%, também com recuo anual significativo. Toyota projeta margem de 7,1%, mas com queda ainda maior na comparação interanual. Apesar das variações, a BYD segue à frente de concorrentes focados exclusivamente em veículos elétricos.
Onde a BYD está investindo seu capital?
A empresa destinou 63,4 bilhões de yuans (cerca de R$ 46,5 bilhões ou US$ 9,17 bilhão) em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em 2025 — quase o dobro de seu lucro líquido. Esse valor representa um aumento de 17% em relação a 2024 e faz parte de uma estratégia contínua de reinvestimento em inovação. A BYD emprega mais de 120 mil engenheiros e detém mais de 42 mil patentes concedidas. Seu balanço patrimonial também melhorou, com o patrimônio líquido dos acionistas (ativos menos passivos) crescendo 30%.
Em março de 2026, a companhia lançou a segunda geração de sua bateria Blade Battery e inaugurou estações de carregamento ultrarrápido Flash Charging. Até 25 de março, já havia 4.990 dessas estações operando na China, superando o número total de estações rápidas NACS (incluindo Superchargers da Tesla) nos EUA, que é de 4.195. Testes independentes do site Yiche.com confirmaram que os novos modelos atingem as velocidades de carregamento anunciadas, ao contrário de alguns concorrentes.
A expectativa é que os resultados do primeiro trimestre de 2026 mostrem nova queda temporária de margens, influenciada pelo chamado “efeito Osborne” (antecipação de compras antes de lançamentos), renovação de modelos, sazonalidade e mudanças em incentivos fiscais para sucateamento de veículos antigos. A produção nas novas fábricas da Hungria e Indonésia deve começar no segundo trimestre, com expansão adicional na Tailândia e no Brasil. No caso brasileiro, a companhia mantém projetos industriais anunciados no país, o que dá peso local ao desempenho financeiro global da montadora.

