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BRB quer até R$ 4 bilhões de bancos após adiar balanço e buscar capitalização

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Banco de Brasília (BRB)
Banco de Brasília (BRB) Foto: Banco de Brasília (BRB) — EBC/Agência Brasil — CC BY 3.0 BR

O BRB informou que pretende pedir um empréstimo de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões a um sindicato de bancos após adiar a publicação de seu balanço de 2025, em meio à busca por reforço de capital depois de perdas relacionadas à compra de carteiras de crédito do Banco Master. A declaração foi feita pelo presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, em Brasília, na terça-feira, 31 de março de 2026. De acordo com informações da Folha de S.Paulo, a operação se soma a um pedido já apresentado ao FGC para capitalizar a instituição e atender exigências prudenciais do Banco Central.

Segundo o relato, o empréstimo seria estruturado por meio de um grupo de instituições financeiras que compartilhariam riscos e garantias. A proposta do BRB é usar imóveis do Governo do Distrito Federal como garantia. Souza também afirmou que o banco receberá uma capitalização do governo distrital até 30 de maio, antes do prazo de 180 dias dado pelo Banco Central para a conclusão do aporte de capital, que termina em 5 de agosto.

Por que o BRB busca novos recursos?

A necessidade de reforço no caixa ocorre após perdas associadas à compra de carteiras de crédito do Banco Master. O texto original informa que, segundo as investigações citadas pela reportagem, o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em créditos apontados como fraudulentos do Master, tendo recuperado apenas parte desse prejuízo.

Além do sindicato de bancos, o BRB já havia solicitado em 24 de março de 2026 um empréstimo de R$ 4 bilhões ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos), entidade privada mantida por instituições financeiras e conhecida por garantir depósitos e créditos dentro dos limites previstos em regulação. Paralelamente, o banco também vem vendendo carteiras de crédito para outras instituições, em uma tentativa de reforçar sua liquidez.

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O que mudou com o adiamento do balanço?

O banco anunciou a postergação da publicação do balanço de 2025, cujo prazo legal para companhias de capital aberto terminava em 31 de março de 2026. Sem a apresentação dos dados, permanece indefinido, segundo a reportagem, o tamanho do impacto financeiro provocado pelas operações feitas com o Master.

O BRB atribuiu o adiamento à necessidade de concluir os trabalhos de auditoria forense contratada para apurar fatos ligados à operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A apuração mencionada no texto levou à prisão de Daniel Vorcaro, dono do Master, por suspeitas de fraudes em carteiras de crédito, em novembro de 2025. O relatório, segundo o banco, seria entregue em 31 de março e ainda precisaria ser analisado pela administração da companhia e pelo auditor independente, a Grant Thornton.

Qual é o papel do governo do Distrito Federal e dos bancos públicos?

Souza disse que o BRB pedirá ao governo federal que a Caixa Econômica Federal e outros bancos públicos federais participem do consórcio de instituições que poderá conceder o empréstimo. O BRB é um banco controlado pelo Governo do Distrito Federal, o que ajuda a explicar o envolvimento do GDF nas negociações de capitalização e garantias. Segundo ele, há expectativa de que a governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão (PP), atue para viabilizar essa articulação junto ao governo Lula.

“Se o governo federal liberar essa conversa, ela abre para o Banco do Brasil, Caixa Econômica, BNB e BASA, abre todo mundo para nós”

Ao comentar o tema, o presidente do BRB também associou a busca por apoio ao ambiente político de ano eleitoral. Ele avaliou que uma politização do caso pode prejudicar a instituição financeira.

“Estamos num ano político, logicamente, que tudo é levado em consideração. O que a governadora disse é que ela tem que governar para todos e que para isso é preciso ter relacionamento com todos os Poderes. O Executivo Federal é um deles e que pode ajudar muito porque, se politizarmos, só quem se prejudica é o banco.”

Quais prazos e riscos estão no radar?

O BRB convocou uma nova assembleia para 22 de abril de 2026, quando os acionistas deverão votar a proposta de aumento de capital social. Ao mesmo tempo, o banco precisa concluir sua recomposição de capital dentro do prazo informado pelo Banco Central.

  • Pedido de R$ 4 bilhões ao FGC em 24 de março de 2026
  • Entrega do relatório de auditoria forense em 31 de março de 2026, segundo o banco
  • Assembleia de acionistas marcada para 22 de abril de 2026
  • Capitalização pelo GDF até 30 de maio de 2026, segundo Nelson Antônio de Souza
  • Prazo final do Banco Central em 5 de agosto de 2026

No cenário descrito pela reportagem, o banco enfrenta risco de medidas mais duras por parte do Banco Central caso não se adeque às regras prudenciais. Entre as possibilidades citadas estão regime de administração especial temporário, intervenção ou liquidação extrajudicial. Souza, porém, minimizou esse risco e afirmou que a não divulgação do balanço não significaria fechamento do banco.

“O fato de não divulgar o balanço, não existe essa coisa de fechar o banco, de ter Raet. Não existe nada disso”

Ele também declarou que, na avaliação dele, o Banco Central considera que o BRB tem ativos para sobreviver, diferentemente de outras instituições ligadas ao conglomerado Master mencionadas na reportagem.

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