O Banco de Brasília (BRB), instituição financeira controlada pelo Governo do Distrito Federal, programou para a semana do dia 6 de abril de 2026 a entrega do relatório final de uma auditoria forense à Polícia Federal e ao Banco Central. A investigação detalha as operações financeiras realizadas com o Banco Master, instituição que tem como proprietário o empresário Daniel Vorcaro. De acordo com informações do UOL Notícias, o documento deve apontar os possíveis envolvidos em transações bilionárias suspeitas.
A primeira etapa da apuração já havia sido compartilhada com as autoridades recentemente. O relatório preliminar foi remetido à Polícia Federal no dia 29 de janeiro e ao Banco Central no dia 2 de fevereiro. Segundo a própria instituição financeira brasiliense, esses documentos iniciais já continham achados considerados relevantes para o andamento do caso.
Como a auditoria do BRB investiga o Banco Master?
A análise independente está sob a responsabilidade do escritório Machado Meyer Advogados, que atua em conjunto com o suporte técnico da Kroll Associates Brasil. O foco central do levantamento é destrinchar a aquisição de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito classificadas como fraudulentas, originárias do Banco Master.
Além da transação bilionária, os auditores examinam a tentativa frustrada de compra da própria instituição gerida por Vorcaro. Essa operação específica acabou sendo formalmente vetada pelas autoridades financeiras do país durante o rigoroso processo de análise regulatória.
Quais medidas o governo do Distrito Federal determinou?
Em resposta aos desdobramentos da investigação técnica, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), solicitou ações imediatas ao atual presidente do banco público, Nelson de Souza. A chefe do Executivo distrital pediu o afastamento cautelar de todos os empregados que eventualmente sejam citados nominalmente no documento final da auditoria.
Para justificar a medida administrativa, a governadora emitiu um comunicado oficial ressaltando a necessidade de garantir a total transparência das apurações internas e externas, pontuando a importância de manter a isenção durante a checagem dos fatos relatados pelos auditores.
A decisão não antecipa qualquer julgamento e respeita o direito ao contraditório, mas assegura que as investigações ocorram com independência e responsabilidade.
Quem são os investigados na Operação Compliance Zero?
As investigações em torno do caso já resultaram em ações policiais significativas, conhecidas como Operação Compliance Zero (deflagrada pela Polícia Federal), que culminou na liquidação do Banco Master. O proprietário da instituição chegou a ser preso, além de ter se tornado alvo de mandados de busca e apreensão, sofrendo também ordens judiciais de bloqueio de bens e retenção do passaporte.
O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que comandava a instituição na época das transações, também figura entre os investigados e foi afastado da diretoria por 60 dias por determinação da Justiça. O reflexo interno atingiu outros ex-dirigentes importantes. Entre as mudanças confirmadas pelo banco, destacam-se:
- Dario Oswaldo Garcia Júnior: ex-diretor de finanças, afastado em novembro durante a primeira fase da operação e atualmente realocado em uma agência comum.
- Luana de Andrade Ribeiro: ex-diretora de controles e riscos, retirada da função gerencial em janeiro e também transferida para o atendimento direto ao público, embora não seja alvo direto da operação policial.
Até o momento, a direção não efetivou o afastamento de novos funcionários com base exclusiva no relatório forense. Na última terça-feira (31 de março), a gestão precisou enviar um comunicado interno aos servidores para desmentir uma lista não oficial que circulava com os nomes de 41 supostos implicados no esquema financeiro. Procurada para comentar os próximos passos processuais, a assessoria da estatal optou por não se manifestar publicamente sobre o andamento das investigações e a entrega do documento oficial.



