O Brasil e o Reino Unido firmaram um memorando de entendimento para ampliar a cooperação técnica no setor ferroviário. O acordo foi assinado em 12 de fevereiro de 2026, em Brasília, entre o Ministério dos Transportes e a Crossrail International Limited, ligada ao Departamento de Transportes britânico. De acordo com informações do Ministério dos Transportes, o objetivo é promover intercâmbio e colaboração em eficiência logística.
Quais são os objetivos do acordo?
O acordo estabelece diretrizes para a troca de conhecimento, experiências e boas práticas em áreas como planejamento, governança, regulação, sustentabilidade, segurança operacional e desenvolvimento de modelos de financiamento de infraestrutura. O documento também prevê a criação de um canal de interlocução com outras instituições públicas britânicas, como a UK Export Finance, o Office of Rail and Road, a Transport for London (TfL) e a Network Rail.
“Sinalizamos que nosso país está comprometido com boas práticas, planejamento responsável e ambientes regulatórios estáveis, elementos essenciais para atrair investimentos e viabilizar projetos estruturados”, destacou o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro.
Qual é a importância da parceria para o Brasil?
Segundo o diretor de desenvolvimento da Crossrail International, Mark Lench, a iniciativa marca o início de uma nova fase de parceria entre os dois países. O Reino Unido tem tradição em operação, regulação e financiamento ferroviário, o que ajuda a contextualizar o interesse brasileiro em cooperação técnica no setor.
“Nosso compromisso é assegurar que nosso conhecimento e experiência estejam disponíveis ao Governo do Brasil. Vemos este memorando como o início de uma parceria de longo prazo na malha ferroviária brasileira”, afirmou.
A aliança ocorre em um momento de expansão dos investimentos ferroviários no Brasil. A Política Nacional de Concessões Ferroviárias, lançada em novembro de 2025, estruturou uma carteira de projetos que soma mais de 9 mil quilômetros de ferrovias. A previsão é realizar oito leilões, com expectativa de atrair cerca de R$ 140 bilhões em investimentos e potencial estimado em até R$ 600 bilhões ao longo dos contratos.
Quais são os projetos estratégicos em andamento?
Entre os empreendimentos previstos estão o Anel Ferroviário do Sudeste (EF-118), a Ferrogrão, o Corredor Leste-Oeste, a Malha Oeste e corredores da Malha Sul.
“O setor ferroviário de carga passa por um excelente momento, com recorde de produção, redução de acidentes e maior eficiência operacional”, afirmou o diretor-presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Davi Barreto.
Além disso, a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) ultrapassou 35% de execução em 2025 e é considerada estratégica para o escoamento da produção agrícola, ao conectar Goiás a Mato Grosso e integrar-se à Ferrovia Norte-Sul, eixo logístico que corta o país de norte a sul. No transporte de passageiros, o Ministério dos Transportes identificou trechos com potencial para operação regular ou eventual e selecionou inicialmente seis projetos prioritários, incluindo o trecho Brasília (DF) – Luziânia (GO).
