Brasil e Colômbia estão entre os países com as maiores taxas de juros reais em seus títulos soberanos de dez anos, segundo dados da Lumen Economic Intelligence. De acordo com informações da Bloomberg Línea, essas taxas são superadas apenas por economias que enfrentam fortes tensões macrofinanceiras.
Por que os custos são tão altos?
As economias emergentes, como o Brasil e a Colômbia, costumam pagar taxas reais próximas a 4%, enquanto nas economias de alta renda, essas taxas geralmente ficam abaixo de 2%.
“O Brasil tem o mesmo problema da Colômbia, alto déficit e alta dívida”, disse Luis Fernando Mejía, CEO da Lumen Economic Intelligence.
Mejía também destacou que, sem ajustes fiscais, o custo do financiamento para o governo e a economia continuará elevado.
Como outros países se comparam?
Em janeiro de 2026, as taxas de juros reais dos títulos soberanos de dez anos são mais altas no Egito (10%), seguido pelo Brasil (8,7%) e Colômbia (7,1%). Outros países como México e Peru apresentam taxas mais compatíveis com suas economias de renda média alta.
“Buscar financiamento é caro por duas razões que se reforçam”, disse Emanoelle Santos, analista de mercados da XTB Latam.
Ela explicou que a falta de âncoras fiscais credíveis aumenta o custo do financiamento.
Qual é o impacto na região?
A dívida soberana na América Latina não conseguiu uma tendência sustentada de queda. O Brasil, por exemplo, verá sua dívida subir de 83,9% para 91,4% do PIB entre 2022 e 2025.
“A consolidação fiscal tornou-se mais difícil sem reformas estruturais”, concluiu Santos.
Isso destaca a necessidade de disciplina fiscal e reformas para estabilizar as economias da região.


