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Botafogo processa Lyon no Rio de Janeiro e cobra dívida de R$ 745 milhões

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Escudo do Botafogo centralizado em fundo texturizado nas cores preto e branco.
Foto: lmgadelha / flickr (by)

A Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo ingressou com duas ações na Justiça do Rio de Janeiro para cobrar uma dívida de R$ 745 milhões do Olympique Lyonnais (Lyon), tradicional equipe da primeira divisão do futebol francês (Ligue 1). As cobranças judiciais, movidas na sexta-feira (3 de abril de 2026), são referentes a empréstimos e repasses financeiros realizados durante o período em que ambos integravam o sistema de caixa único da rede Eagle Football, holding multiclubes liderada pelo empresário americano John Textor, que também gere equipes como o Crystal Palace, da Inglaterra.

De acordo com informações do GE Futebol, o montante total envolve transferências de quantias vultosas que não foram devolvidas pela equipe francesa após a ruptura do acordo de gestão colaborativa conhecido como “cash pooling”, que não está mais em vigor.

Como funcionam as duas ações judiciais movidas pelo clube carioca?

O primeiro processo movido pelo clube alvinegro tem caráter de execução extrajudicial. Isso garante à agremiação carioca o direito de execução imediata em até três dias. Este litígio específico corresponde a 21 milhões de euros, o equivalente a cerca de R$ 125 milhões. Os valores são oriundos de transferências efetuadas em março de 2025, embasadas em um contrato de empréstimo entre as empresas do grupo assinado em fevereiro do mesmo ano.

A segunda disputa judicial detalha 11 transferências financeiras do caixa brasileiro em favor da equipe francesa. O montante deste segundo bloco atinge aproximadamente R$ 573 milhões, movimentados entre março de 2024 e fevereiro de 2025. A defesa da SAF alega que os franceses não quitaram os empréstimos e se beneficiaram dos recursos sem realizar qualquer tipo de devolução.

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Há também a menção a uma Cédula de Crédito Bancário (CCB) firmada junto ao Banco XP. O crédito de R$ 323 milhões foi repassado à agremiação europeia, que teria assumido o compromisso de arcar com os juros de cerca de R$ 45 milhões da operação, fato que o clube brasileiro argumenta não ter ocorrido.

Qual é a origem da crise entre os clubes da Eagle Football?

O desgaste entre as diretorias escalonou desde que John Textor deixou o comando da equipe francesa em junho de 2025. Os novos controladores, nomeados logo em seguida, tentaram afastar o americano da administração da SAF brasileira no mês seguinte. O conflito societário resultou no rompimento unilateral do acordo de colaboração financeira.

Em uma nota oficial divulgada para explicar a ofensiva jurídica, o clube brasileiro apresentou os principais pontos de sua insatisfação e o impacto direto do calote europeu:

  • O modelo colaborativo salvou a equipe da França de um rebaixamento quase certo e a levou para a Liga Europa no primeiro ano de gestão.
  • Foram aportados mais de R$ 745 milhões estruturados como empréstimos com expectativa clara de reembolso.
  • O não pagamento comprometeu o planejamento financeiro no Brasil, afetando diretamente renovações e contratações de atletas.
  • A inadimplência resultou em um transfer ban imposto pela FIFA ao time do Rio de Janeiro no final de 2025.

Desde a instauração do referido conflito societário, o Lyon simplesmente rompeu com o acordo de cash pooling mantido entre os clubes integrantes do Grupo Eagle, sem promover a devolução das transferências de valores que haviam sido efetivadas pela SAF Botafogo. Ou seja, embora tenha sido manifestamente beneficiado com os recursos disponibilizados e emprestados pela SAF Botafogo, o Lyon optou por não honrar com os pagamentos de quase a totalidade dos valores.

O comunicado oficial também ressaltou que a rede multiclubes adquiriu a agremiação europeia em situação de insolvência no final de 2022. Naquela época, os bancos exigiam o pagamento de dívidas sênior e a organização enfrentava ameaça de sanções severas. Foi neste cenário que os aportes brasileiros começaram a ser realizados como estratégia de socorro e desenvolvimento conjunto.

Quais são os próximos passos na disputa internacional?

A diretoria brasileira entende que a Justiça do Rio de Janeiro possui jurisdição legal para julgar o caso, uma vez que a instituição europeia teria aceitado o foro jurídico carioca no momento da assinatura dos contratos de repasse. O posicionamento oficial garante que estão sendo tomadas medidas irreversíveis para recuperar de forma integral os valores em aberto e proteger os ativos do projeto esportivo na América do Sul.

A disputa judicial agrava o cenário de instabilidade gerencial na cúpula da rede multiclubes. Além das acusações recentes de que Michelle Kang, atual presidente do Lyon, e a credora Ares estariam por trás da punição desportiva imposta pela FIFA, John Textor também perdeu seus poderes como diretor na Eagle Bidco no final de março, após decisão da Justiça da Inglaterra. O empresário americano ainda pode enfrentar a remoção definitiva do comando do time carioca por meio de um Tribunal Arbitral da Fundação Getulio Vargas (FGV), que transcorre de maneira paralela ao caso.

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