A New York Build Expo destacou, em março de 2026, o protagonismo das bombas de calor no setor de construção civil, refletindo tendências emergentes para edificações em Nova York. O evento ocorreu no centro de convenções Javits Center e reuniu profissionais do segmento para debater inovações e desafios enfrentados na adoção de tecnologias limpas. De acordo com informações do CleanTechnica, o foco do evento esteve voltado para soluções práticas, eficiência energética e atendimento às exigências regulatórias recentes.
Embora o debate tenha como foco o mercado dos Estados Unidos, o tema também dialoga com o setor de climatização no Brasil, onde fabricantes globais como Midea, Gree, Daikin e Bosch também atuam com equipamentos de ar-condicionado e soluções de eficiência energética para edifícios residenciais e comerciais.
Empresas de destaque global, como Midea, GE/Haier, Gree, Daikin e Bosch, apresentaram suas versões de bombas de calor durante a exposição. Empresas tradicionalmente ligadas a aquecedores a gás, como a Navien, também passaram a investir em alternativas renováveis, acompanhadas por fabricantes inovadores, entre eles Ephoca, Global Energy Systems e Quilt, voltadas a soluções específicas para clientes.
Quais tecnologias e soluções inovadoras dominaram o evento?
No evento, foram apresentados diversos modelos de bombas de calor, com aplicações que variam de unidades portáteis para janela até sistemas industriais para grandes edifícios. Também foram expostos equipamentos focados no aquecimento de água, sistemas HVAC (Aquecimento, Ventilação e Ar-Condicionado) e produtos multifuncionais. Para construções mais antigas, carentes de espaço para dutos convencionais, fabricantes trouxeram opções adaptadas à realidade local, incluindo modelos que substituem radiadores tradicionais e que priorizam aspectos estéticos.
Além das bombas de calor, destaque foi dado a fornecedores de melhorias em infraestrutura, como novos tipos de tubulação, dutos de ar e sistemas de vedação, buscando aumentar a eficiência e integrando-se às exigências das tecnologias de baixo carbono. Soluções de isolamento térmico, como espuma spray e revestimentos especiais, também chamaram atenção pelo potencial de reduzir o consumo energético em prédios antigos e pouco isolados.
Quais desafios técnicos e regulatórios foram debatidos?
Entre os desafios apontados, a eficiência das bombas de calor em temperaturas extremas foi tema recorrente, com expositores defendendo o uso suplementar de combustíveis fósseis em situações excepcionais. A adaptação de sistemas de aquecimento existentes e a demanda adicional sobre a rede elétrica motivaram discussões sobre soluções integradas, incluindo o uso de painéis solares.
Foram ainda abordadas iniciativas de qualificação profissional, como os programas PowerUp 2030 e CUNY BPL, citados como fundamentais para preparar instaladores e técnicos diante da crescente adoção das novas tecnologias.
Como as políticas regulatórias e incentivos influenciam o avanço da tecnologia?
Grande parte da atenção voltada às bombas de calor se deve à Lei Local 97, legislação municipal de Nova York que impõe limites de emissões de carbono para prédios acima de 25 mil pés quadrados, com multas significativas para quem ultrapassa o teto estabelecido. Segundo estimativa da Save Energy Systems, multas anuais podem chegar a US$ 56 mil para edifícios que excedam em 25% o limite permitido.
Além da legislação, diversos expositores destacaram créditos fiscais, incentivos e subsídios disponíveis em diferentes esferas, que podem cobrir grande parte dos custos das reformas. Consultorias, sensores e softwares especializados também foram mostrados como ferramentas para otimizar projetos e garantir conformidade regulatória. Em termos mais amplos, regras desse tipo em grandes centros internacionais costumam influenciar fornecedores, projetos e padrões técnicos acompanhados pelo mercado global da construção, inclusive na América Latina.
Qual a perspectiva para sustentabilidade no setor de construção?
No palco dedicado à sustentabilidade da feira, cresceram debates sobre o uso de materiais de baixo carbono e técnicas como construção com madeira engenheirada (mass timber). Apesar das barreiras regulatórias, o interesse em materiais sustentáveis e produtos reciclados foi enfatizado, demonstrando que o debate no setor já se encaminha para novas vertentes além da mera eficiência energética.