O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) realizou, no início de abril, o primeiro repasse financeiro, no valor de R$ 26 milhões, para a Symbiosis Florestal S.A.. A operação ocorreu no sul da Bahia e tem como objetivo principal apoiar a expansão de um projeto de silvicultura focado no uso de espécies nativas para a restauração produtiva da Mata Atlântica, um dos biomas mais devastados do país.
De acordo com informações do Monitor Mercantil, o montante faz parte de uma operação total de R$ 77 milhões financiada pelo Fundo Clima, instrumento vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. A estrutura de garantias do financiamento conta com o apoio direto do banco Santander, que emitiu duas fianças bancárias para viabilizar o negócio voltado para a sustentabilidade ambiental e financeira.
Como o financiamento impacta a conservação da Mata Atlântica?
O projeto da companhia é o primeiro do setor de silvicultura com espécies nativas a ser integralmente financiado pela instituição pública de fomento. A área de atuação inicial compreende 1,5 mil hectares dedicados ao plantio no bioma, inseridos em uma propriedade que totaliza três mil hectares. O modelo de negócios tem o propósito de combinar a produção de madeira de alto valor comercial com a captura de carbono, visando diminuir a pressão sobre as florestas primárias e combater o desmatamento e a exploração ilegal de madeira no país.
A iniciativa governamental e privada está diretamente alinhada aos compromissos climáticos que o Brasil assumiu formalmente durante o Acordo de Paris. Entre as metas estabelecidas internacionalmente, consta a restauração e o reflorestamento de 12 milhões de hectares de áreas degradadas ao longo do território nacional.
O que dizem os representantes das instituições envolvidas na operação?
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, comentou sobre o impacto econômico e ambiental da ação na região nordestina.
“Esse projeto é um passo importante para a silvicultura de espécies nativas no Brasil e mostra como é possível aliar produção florestal, preservação da biodiversidade e geração de créditos de carbono. Ao financiar o cultivo de espécies nativas na Mata Atlântica, o Governo Federal por meio do BNDES fortalece a economia verde, estimula a restauração de um bioma crítico e cria empregos de qualidade no sul da Bahia, em linha com as diretrizes de desenvolvimento formuladas pelo Presidente Lula”, afirmou.
Pelo lado do setor financeiro privado, o foco do discurso recaiu sobre a viabilidade econômica de projetos de baixo carbono.
“Projetos como o da Symbiosis demonstram como a restauração florestal pode estar alinhada à geração de valor socioambiental e econômico. Ao apoiar essa operação, o Santander contribui para ampliar soluções que combinam produção sustentável, remoção e captura de carbono, além da conservação da biodiversidade”, explicou Leonardo Fleck, chefe de sustentabilidade da instituição bancária.
Já o diretor financeiro da companhia beneficiada pelo repasse, Alan Batista, ressaltou a inovação do modelo produtivo adotado no sul da Bahia.
“A Symbiosis desenvolve uma solução inovadora ao combinar a silvicultura de espécies nativas ameaçadas com um modelo produtivo sustentável e rastreável. Trabalhamos com espécies de alto valor, como o jacarandá-da-bahia, historicamente associado à exploração predatória e hoje símbolo da necessidade de transformação no uso do solo na Mata Atlântica”, pontuou.
Quais são os resultados recentes da estratégia de conservação florestal?
A política pública funciona como um sistema amplo de instrumentos integrados para fomento ambiental. Nos últimos três anos, o banco mobilizou R$ 7 bilhões destinados à manutenção e à reconstrução de biomas brasileiros. Essa articulação interinstitucional envolve acesso a crédito direto, recursos não reembolsáveis, sistema de garantias e concessões florestais com foco em manejo sustentável.
Os impactos estimados da estratégia governamental até o presente momento incluem fatores produtivos expressivos em todo o país:
- Plantio equivalente a cerca de 280 milhões de árvores.
- Recuperação de aproximadamente 168 mil hectares de áreas degradadas.
- Geração de mais de 70 mil postos de trabalho no setor.
- Captura projetada de 54 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) equivalente.

