A prefeitura de Porto Alegre iniciou o processo de modernização do transporte coletivo municipal. Já está disponível o acesso para que os cidadãos participem do desenvolvimento de um modelo mais atualizado para o pagamento de passagens de ônibus. De acordo com informações do Diário do Transporte, a administração pública abriu um período de recebimento de contribuições que visa estruturar uma nova plataforma eletrônica de venda de bilhetes na capital gaúcha.
O prazo para o envio de sugestões pela internet segue até o dia 25 de abril de 2026. Os interessados podem acessar o portal oficial do município para enviar ideias e analisar a proposta do edital de licitação. O novo projeto será estruturado por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), garantindo uma concessão do sistema de bilhetagem eletrônica pelo período de dez anos, que poderão ser renovados por igual período de operação.
Como funcionará a nova licitação da bilhetagem eletrônica?
O valor estimado para o contrato de concessão, com data-base estabelecida em 1º de janeiro de 2026, é de R$ 97,8 milhões. Para definir a empresa ou o consórcio vencedor do certame, o poder público utilizará como critério principal, embora não exclusivo, o menor preço de contraprestação mensal. Esse valor máximo de repasse estará limitado ao teto de R$ 825 mil durante o primeiro ano de vigência do acordo assinado.
Após a definição da concessionária e a respectiva assinatura do contrato de prestação de serviços, haverá um planejamento estratégico específico para a transição tecnológica. A implantação total do novo sistema acontecerá de maneira gradual, com um prazo máximo estipulado em até 12 meses para que todas as novas funcionalidades estejam plenamente operacionais nos coletivos municipais.
Quais inovações tecnológicas chegarão aos ônibus de Porto Alegre?
O principal objetivo da gestão municipal é implementar uma plataforma que facilite a rotina dos passageiros, ampliando significativamente os métodos de pagamento. A atualização coloca a capital gaúcha em sintonia com uma tendência nacional de mobilidade, já observada em metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro, que buscam modernizar a arrecadação e reduzir o uso de dinheiro em espécie no transporte público. Entre as mudanças previstas no novo formato, destacam-se os seguintes avanços tecnológicos na frota urbana:
- Inclusão de pagamento via cartões de crédito e débito diretamente nos validadores das catracas;
- Instalação de mecanismos de biometria facial para a prevenção rigorosa contra fraudes na utilização de gratuidades;
- Utilização de serviços modernos de computação em nuvem para o armazenamento seguro de dados de viagens e dos usuários.
A estruturação da PPP está sendo conduzida de forma conjunta pelas secretarias municipais de Mobilidade Urbana e de Parcerias, contando ainda com o suporte técnico especializado da Fundação Getulio Vargas (FGV), tradicional instituição brasileira de pesquisa e assessoria econômica. O secretário de Mobilidade Urbana, Adão de Castro Júnior, ressaltou a importância da participação da população nesta fase embrionária do projeto.
“O lançamento da consulta pública é uma etapa fundamental para que a Capital avance na construção de um sistema de bilhetagem mais moderno, transparente e alinhado às melhores práticas. Queremos ouvir a sociedade para definir um modelo que amplie os meios de pagamento, incorpore novas tecnologias e, principalmente, estabeleça regras mais claras para gestão, fiscalização e arrecadação, trazendo mais segurança e confiabilidade ao sistema.”
Por que a mudança de gestão do sistema é necessária?
A alteração no formato de administração das passagens não é apenas uma busca por modernidade, mas atende a uma exigência legal imposta pela Lei Complementar Municipal nº 808/2016. A legislação em vigor determina explicitamente que as concessionárias atuais do transporte público transfiram a gestão e a administração completa da bilhetagem eletrônica diretamente para o controle do Executivo Municipal.
Além do rigoroso cumprimento legal e do controle da arrecadação financeira, o projeto também foca em melhorar o deslocamento diário na região metropolitana. Sobre a visão de longo prazo para a mobilidade urbana, o secretário pontuou os benefícios da conexão com outras redes de transporte de massa que operam no estado, incluindo a Trensurb, empresa operadora de trens urbanos que interliga a capital a diversos municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre.
“Estamos preparando a cidade para o futuro da mobilidade, com uma plataforma que permita integração entre diferentes modais de transporte, especialmente com a rede metropolitana e a Trensurb. Trata-se de um passo estratégico para qualificar o transporte coletivo, melhorar a experiência do usuário e tornar o sistema mais eficiente e sustentável.”



