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Big techs lucram com misoginia nas redes, diz editorial do EcoDebate

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As big techs transformaram a misoginia em um modelo de negócio nas redes sociais, segundo editorial publicado em 23 de março de 2026 pelo EcoDebate. O texto afirma que algoritmos, monetização e afinidade política ajudam a sustentar conteúdos de ódio contra mulheres em plataformas digitais, em um cenário marcado por episódios recentes de misoginia e feminicídio no Brasil. De acordo com informações do EcoDebate, especialistas apontam que esse processo não seria acidental, mas parte da lógica de funcionamento dessas empresas.

O artigo sustenta que grupos misóginos deixaram de ocupar espaços marginais da internet e passaram a atuar de forma economicamente viável nas plataformas. A remuneração baseada em engajamento é apresentada como um dos fatores centrais desse processo, já que conteúdos que despertam indignação, ressentimento e hostilidade tendem a gerar audiência e, consequentemente, receita publicitária.

Como a misoginia se torna rentável nas plataformas?

Segundo o editorial, a dinâmica de monetização das redes sociais favorece a circulação de conteúdos que mantêm usuários conectados por mais tempo. Nesse contexto, discursos que defendem a submissão feminina ou exploram ressentimentos masculinos não apenas difundem uma ideologia, mas também geram retorno financeiro para as plataformas que os hospedam.

A professora e ativista feminista Lola Aronovich é citada no texto para explicar que esses grupos perceberam que não eram impedidos de agir nas redes e passaram a receber dinheiro por isso. O editorial usa essa avaliação para reforçar a ideia de que a misoginia passou a operar como atividade lucrativa dentro do ambiente digital.

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Qual é a dimensão desse conteúdo nas redes?

O texto destaca pesquisa do NetLab, laboratório da UFRJ, que mapeou mais de 130 mil canais misóginos apenas no YouTube. O NetLab é vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro, uma das principais instituições federais de ensino e pesquisa do país. Esse dado é apresentado como evidência de que não se trata de um fenômeno isolado ou restrito a poucos perfis, mas de uma estrutura ampla de produção e circulação de conteúdo.

De acordo com o editorial, a entrada nesse universo pode ocorrer por caminhos aparentemente banais, com vídeos e postagens sobre temas como sedução, relacionamentos, questões jurídicas e timidez. Esses assuntos funcionariam como portas de acesso para conteúdos cada vez mais radicais, em um processo descrito como gradual.

  • Monetização de conteúdos de ódio com base em engajamento
  • Uso de algoritmos para manter usuários expostos por mais tempo
  • Expansão de canais misóginos em grande escala
  • Entrada por conteúdos aparentemente comuns antes da radicalização

O que o texto aponta sobre moderação e política?

O editorial afirma que a moderação das plataformas não seria neutra. Como exemplo, cita a comparação feita por Lola Aronovich entre a derrubada de conteúdos feministas ligados a direitos reprodutivos e a permanência de canais que defendem violência contra mulheres. A argumentação sustenta que há uma assimetria na aplicação das regras.

Além da dimensão econômica, o texto associa a permanência desse ambiente digital a afinidades ideológicas de líderes dessas empresas com posições da extrema-direita. O caso de Elon Musk, dono da rede X, é mencionado como exemplo. A socióloga Bruna Camilo é citada para afirmar que projetos políticos reacionários se beneficiam de ideais de masculinidade associados à submissão das mulheres.

Quais lacunas legais e sociais são apontadas?

O editorial menciona a Lei nº 13.642/2018, que determina a investigação de crimes praticados na internet que difundam conteúdo misógino, definidos como aqueles que propagam ódio ou aversão às mulheres. Na avaliação apresentada, ainda há lacunas no país, entre elas a ausência de criminalização específica da misoginia, o que contribuiria para uma sensação de impunidade que alimenta a continuidade dessas práticas.

O texto também chama atenção para o recrutamento gradual de meninos e adolescentes por comunidades online. Segundo a análise reproduzida no editorial, esse processo pode começar em conversas sobre jogos e temas cotidianos, com a introdução progressiva de expressões misóginas até a cooptação para espaços de ódio.

Na conclusão, o artigo afirma que a violência contra as mulheres é anterior à internet e está ligada a estruturas históricas do patriarcado. Ainda assim, sustenta que plataformas digitais encontraram nesse cenário uma fonte de lucro e, em alguns casos, um instrumento de poder político. Para o EcoDebate, tratar cada caso como episódio isolado impede a compreensão da engrenagem mais ampla descrita no texto.

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