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Benefícios sociais superam renda do trabalho em 895 mil famílias, diz estudo

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Um estudo baseado em milhões de dados públicos identificou que 894.900 famílias no Brasil recebiam, ao fim de 2025, ao menos um salário mínimo líquido por mês em benefícios sociais, valor usado como referência para apontar casos em que a renda com auxílios supera o ganho do trabalho formal. O levantamento foi feito pela DataBrasil e divulgado pelo Poder360 em 11 de abril de 2026. De acordo com informações do Poder360, o salário mínimo líquido considerado no fim de 2025 era de R$ 1.404,15.

Segundo a reportagem, o acúmulo de benefícios pode ocorrer de forma legal ou ilegal. O texto afirma que parte desses casos envolve indícios de ocultação de vínculos familiares, o que permitiria o recebimento duplicado de benefícios em uma mesma residência. O levantamento também ressalta que o total encontrado não representa todo o universo de beneficiários, porque Estados e municípios nem sempre disponibilizam dados completos.

Como o estudo chegou a esse número?

O cruzamento de dados tomou como base famílias aptas ao trabalho que recebiam mais de um salário mínimo líquido em auxílios. Dentro desse grupo, havia 259.800 núcleos familiares com recebimentos entre R$ 2.000 e R$ 2.785. Em outros 39.200 casos, o montante ultrapassava R$ 2.786, valor que, segundo a reportagem, é superior à renda de metade dos trabalhadores formais do país.

O texto informa ainda que esse contingente de 894.900 famílias é apenas uma parcela da base analisada. Também ficaram fora da conta pessoas sem idade ativa para o trabalho, como idosos incapacitados para atividades econômicas ou pessoas que declararam doença grave.

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Quais irregularidades foram apontadas?

A reportagem diz que a DataBrasil encontrou dezenas de milhares de indícios de fraudes em auxílios, e que parte dos casos foi confirmada pelo Poder360 no Portal da Transparência. Entre as irregularidades mais comuns, estão o acúmulo ilegal de benefícios, cadastros feitos em cidades diferentes e alterações em CPF e NIS para duplicação de registros.

Também há casos de acúmulo de bolsas estudantis com benefícios federais, elevando a renda mensal acima do salário mínimo. Um dos exemplos citados é o de um beneficiário de Goiatins, no Tocantins, que recebia Bolsa Família, Pé-de-Meia, bolsa de ensino superior, bolsa permanência e ainda salário como funcionário do Estado. Outro caso mencionado é o de uma estudante da UnB que recebeu auxílio permanência da universidade e Bolsa Família ao mesmo tempo. A reportagem observa que, nesse segundo exemplo, não há formalmente ilegalidade conhecida, porque a composição familiar não foi detalhada.

  • Acúmulo de benefícios sociais de forma irregular
  • Cadastros em municípios distintos
  • Possíveis alterações em CPF e NIS
  • Sobreposição de bolsas estudantis e auxílios federais

Que problema distributivo o estudo aponta?

O levantamento relaciona esses pagamentos à forma como os programas são desenhados e distribuídos. Com base em dados do IBGE, a reportagem afirma que o Brasil tinha, em 2024, cerca de 15 milhões de domicílios entre os 20% mais pobres do país, com rendimento per capita de até R$ 381, já incluídos os auxílios.

“Se uma família recebe benefícios sociais que somam mais que esse valor per capita, ela passa a ter renda superior à média dos mais pobres. Do ponto de vista distributivo, seria melhor limitar o valor de benefícios recebidos per capita e realocar para as famílias que ainda estão entre as mais pobres”

O texto também cita exemplos de regras que, segundo a reportagem, podem gerar distorções. Em uma simulação apresentada, uma pessoa com renda de R$ 217 mensais teria acesso a Bolsa Família e Gás do Povo, enquanto outra, com R$ 219 por mês, ficaria sem benefício. Nesse cenário, a diferença de R$ 2 na renda impediria o acesso ao programa.

O que isso pode significar para o mercado de trabalho?

De acordo com a nota técnica mencionada na reportagem, o desenho atual de parte dos programas pode criar barreiras involuntárias à mobilidade econômica, especialmente entre adultos aptos ao trabalho. O texto afirma que esse efeito seria mais perceptível entre os chamados “superbeneficiários”, para os quais os valores recebidos em transferências se aproximariam da remuneração do trabalho formal.

“Em especial para este grupo de “superbeneficiários”, o desincentivo ao trabalho formal tende a ser importante, pois os valores recebidos pelos benefícios sociais, que são mais seguros e garantem mais tempo livre (para cuidados com a casa, família e lazer), são parecidos com o recebimento do mercado de trabalho formal”

A reportagem também menciona que 19 Estados e o Distrito Federal mantêm programas locais de transferência de renda, muitas vezes com regras distintas e menor transparência. Segundo o texto, isso dificulta o controle e amplia a possibilidade de acúmulos.

O que diz o governo sobre a fiscalização?

O Ministério do Desenvolvimento Social afirmou ao Poder360 que adota iniciativas para identificar fraudes, mas a reportagem diz que o órgão não detalha amplamente como esses procedimentos são executados. Em resposta citada no texto, o ministério declarou que não cruza, por exemplo, informações de beneficiários com movimentações de cartões de crédito ou posse de veículos automotores.

“Havendo indícios de fraude, como a prestação intencional de informações falsas ou a omissão de dados relevantes no Cadastro Único, são adotadas as medidas administrativas cabíveis, assegurados o contraditório e a ampla defesa, conforme previsto na legislação vigente”

Segundo a pasta, a depender da irregularidade identificada, pode haver ajuste, suspensão ou cancelamento do benefício, além da apuração de eventuais responsabilidades legais. Casos de suspeitas podem ser informados pelo Disque 121 ou pelo site fala.br, canal de ouvidoria do governo federal.

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