Entre os dias 16 e 19 de abril de 2026, a capital paraense, Belém, recebe a III Semana dos Povos Indígenas no Parque da Cidade. O evento, realizado sob o lema “Onde a ancestralidade vira decisão”, é organizado pela Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Sepi) em parceria com a Federação dos Povos Indígenas do Pará (Fepipa), reunindo mais de 600 lideranças de diversos territórios. O objetivo central é promover diálogos estratégicos sobre políticas públicas, gestão territorial e o fortalecimento de direitos fundamentais das populações originárias da região Norte.
De acordo com informações da Agência Pará, o encontro consolida-se como um espaço de construção coletiva que integra dimensões políticas, culturais e socioeconômicas. A abertura oficial contará com a participação de autoridades de esferas estaduais e federais, incluindo representantes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e do Ministério dos Povos Indígenas, reforçando a cooperação institucional necessária para o avanço das pautas indigenistas no país.
Quais os principais temas debatidos na programação técnica?
A agenda da III Semana dos Povos Indígenas prioriza debates técnicos e seminários voltados para a governança. Um dos destaques é o seminário da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI). Este fórum busca ampliar o protagonismo das comunidades na administração de suas terras, garantindo a sustentabilidade ambiental e a proteção das fronteiras culturais. Durante os quatro dias, encontros institucionais e oficinas de formação abordarão temas como a governança hídrica e os desafios enfrentados por indígenas que residem em contextos urbanos.
Além da discussão política, o evento oferece uma série de serviços práticos voltados à cidadania e ao bem-estar social dos participantes. A estrutura montada no Parque da Cidade permitirá o acesso a direitos básicos que muitas vezes são de difícil alcance em territórios isolados. Entre as ações previstas, destacam-se:
- Emissão de documentos fundamentais, como RG, CPF e certidão de nascimento;
- Regularização de cadastros em programas de assistência social do governo;
- Atendimento jurídico especializado para questões fundiárias e de direitos humanos;
- Suporte social e orientações sobre saúde e educação pública.
Como o evento integra cultura, economia e a participação de convidados?
A valorização da ancestralidade não se restringe aos debates políticos, manifestando-se também na economia e nas artes. O encontro sediará feiras de etnobioeconomia ancestral e gastronomia típica, onde artesãos poderão comercializar produtos tradicionais e fortalecer cadeias produtivas sustentáveis. A influenciadora Isabelle Nogueira, conhecida por sua atuação como dançarina e sua participação em reality shows, marcará presença como convidada, auxiliando na ampliação do alcance das pautas indígenas para o grande público nacional.
A programação cultural é diversificada e inclui apresentações de grupos tradicionais e artistas populares. Estão confirmadas atrações como o Arraial do Pavulagem, DJ Eric Terena, aparelhagem Crocodilo, a banda Fruto Sensual, além de ícones da música paraense como Pinduca e Cássio Costa. No âmbito esportivo, haverá competições interculturais de futebol, futsal, vôlei e cabo de força, promovendo a integração entre diferentes povos por meio do esporte.
Qual o impacto institucional das ações realizadas pela Sepi?
A III Semana dos Povos Indígenas também servirá de palco para avanços administrativos significativos no Pará. Está prevista a cerimônia de posse do Conselho Estadual de Política Indigenista (Consepi), um órgão fundamental para a fiscalização e sugestão de diretrizes governamentais. A criação da Sepi em 2023 é um marco na gestão estadual, demonstrando um compromisso formal com a garantia de direitos e o reconhecimento da diversidade étnica presente no território paraense.
Para o público infantil, o evento reserva espaços educativos e recreativos, focados na transmissão de saberes e na valorização cultural desde cedo. Essa abordagem holística garante que o encontro não seja apenas uma reunião de cúpula, mas um festival de celebração da identidade indígena. O governo estadual reafirma, assim, seu papel na construção de um estado mais inclusivo, onde as decisões sobre o futuro dos territórios são tomadas com a participação direta de quem os habita há gerações.