Policiais da Base Integrada Fluvial Candiru, localizada no município de Óbidos, no oeste paraense, identificaram o transporte irregular de uma carga superior a 52 toneladas de açaí na madrugada de 22 de março de 2026. A operação, que integra os esforços contínuos de monitoramento das rotas hidroviárias na região amazônica, foi coordenada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup). O flagrante ocorreu durante uma fiscalização de rotina em embarcações que navegavam sem a documentação interestadual exigida pela legislação brasileira.
De acordo com informações da Agência Pará, as equipes de segurança abordaram as embarcações identificadas como Genésio e Marios Barros. No momento da interceptação, os veículos fluviais operavam em velocidade reduzida pelo Rio Amazonas. A carga havia partido originalmente do município de Codajás, no estado do Amazonas, e tinha como destino final a cidade de Abaetetuba, no Pará, atravessando fronteiras estaduais sem o devido suporte fiscal e sanitário. Como o açaí é um produto de amplo consumo no país e relevante para a cadeia alimentar e econômica da Amazônia, a fiscalização documental e sanitária busca evitar a circulação irregular de alimentos e preservar a rastreabilidade da mercadoria.
Como foi realizada a identificação da carga irregular de açaí?
A abordagem ocorreu durante o patrulhamento preventivo realizado pela unidade fluvial em pontos estratégicos do rio. Ao submeterem os porões das embarcações à vistoria detalhada, os agentes de segurança constataram a presença massiva do fruto. A carga totalizava aproximadamente 52 toneladas, distribuídas da seguinte forma:
- Aproximadamente 50 mil quilos de açaí in natura (em frutos);
- Cerca de dois mil quilos do produto já processado para consumo ou transporte.
A ausência de notas fiscais e da documentação sanitária interestadual levantou suspeitas imediatas sobre a procedência e a legalidade da carga. O trânsito de produtos de origem vegetal entre estados brasileiros exige autorizações específicas para garantir a rastreabilidade e a qualidade fitossanitária dos alimentos que chegam ao consumidor.
Quais órgãos foram acionados para a fiscalização técnica e sanitária?
Imediatamente após a constatação da irregularidade documental, os policiais da Base Candiru acionaram a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará). Como órgão responsável pela defesa sanitária e pelo controle do trânsito de produtos vegetais no estado, a Adepará enviou técnicos especializados para avaliar as condições da carga e confirmar a infração administrativa. A falta da documentação obrigatória impede que o produto seja comercializado legalmente em território paraense, medida voltada à proteção sanitária e ao controle da circulação de mercadorias.
As duas embarcações e seus respectivos carregamentos permanecem sob fiscalização enquanto os procedimentos legais cabíveis são adotados pelas autoridades competentes. Os responsáveis pelo transporte podem enfrentar sanções administrativas e multas, além da necessidade de regularização documental para que se defina a destinação final do material apreendido durante a operação.
Qual a importância das bases fluviais para a segurança do território paraense?
A atuação nessas unidades integradas é considerada estratégica pelo governo estadual para manter o controle do território e combater ilícitos em regiões de difícil acesso. O secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Pará, coronel PM Ed-Lin Anselmo, destacou que o trabalho conjunto é o diferencial para o sucesso dessas operações nas águas amazônicas. Segundo o secretário:
As bases fluviais atuam de forma estratégica não apenas no combate a crimes, mas também no apoio aos órgãos de fiscalização, garantindo que o transporte de cargas ocorra dentro da legalidade e com segurança sanitária.
Além da fiscalização de cargas e da verificação de tributos, a Base Integrada Fluvial Candiru atua no combate direto ao tráfico de entorpecentes, pirataria fluvial e outros crimes transfronteiriços. Óbidos fica em um trecho estratégico do Rio Amazonas, rota logística relevante para a circulação de pessoas e mercadorias no Norte do país. O reforço da presença do Estado no oeste paraense contribui para a regularização das atividades comerciais e para a proteção da economia do açaí, um dos principais pilares do desenvolvimento regional. As ações de monitoramento seguem intensificadas em toda a malha hidroviária do Pará para coibir novas infrações e garantir a segurança nas rotas de navegação.


