Uma equipe de pesquisadores da Universidade Tecnológica de Nanyang (NTU), em Singapura, desenvolveu baratas ciborgues equipadas com câmeras e sensores para inspecionar dutos subterrâneos e identificar vazamentos. Os insetos modificados, baseados na espécie barata-de-madagascar, carregam dispositivos miniaturizados que permitem controle remoto e transmissão de imagens em tempo real. A iniciativa, liderada pelo professor Hirotaka Sato, busca aplicar a tecnologia em infraestruturas envelhecidas, especialmente em sistemas de tubulação urbanos. Em cidades brasileiras, onde redes subterrâneas de água, esgoto e drenagem também exigem manutenção constante, soluções desse tipo podem ajudar a inspecionar trechos de difícil acesso sem a necessidade de escavações extensas.
De acordo com informações do UOL Notícias, os insetos já foram testados em operações de busca e resgate após o terremoto de magnitude 7,7 em Mianmar, em 2025, que matou mais de 3.300 pessoas. Embora não tenham localizado sobreviventes na ocasião, a experiência impulsionou melhorias técnicas no sistema de controle e autonomia energética dos dispositivos.
Como funcionam as baratas ciborgues?
As baratas são equipadas com uma “mochila” ou carruagem contendo bateria, câmera, lanterna e circuitos eletrônicos. Pequenos pulsos elétricos são enviados ao sistema nervoso do inseto por meio de eletrodos fixados em suas costas, direcionando seus movimentos sem causar dor. O modelo mais recente consome 25% menos voltagem que versões anteriores, aumentando a duração da bateria e reduzindo o impacto sobre o animal.
A escolha da barata-de-madagascar se deve à sua robustez, tamanho (comprimento similar ao de um polegar adulto) e capacidade natural de navegar por espaços apertados — vantagens evolutivas que superam as limitações atuais dos microrrobôs artificiais.
Por que usar insetos em vez de robôs?
A principal vantagem está na agilidade biológica: milhões de anos de evolução dotaram as baratas de flexibilidade e resistência incomparáveis para rastejar em ambientes complexos. Além disso, a equipe de Sato automatizou o processo de acoplamento dos dispositivos, reduzindo o tempo de instalação de cerca de uma hora para pouco mais de 60 segundos por inseto.
- Dispositivos com bateria maior e câmera para inspeção contínua
- Controle remoto via sinal elétrico não doloroso
- Aplicação inicial em dutos de transporte urbano em Singapura
Após cumprir sua missão, as baratas são aposentadas em recipientes com alimentação diária de folhas frescas de alface, segundo os pesquisadores. O projeto tem fins exclusivamente civis: “As baratas são apenas para fins pacíficos”, afirmou Sato, descartando qualquer interesse militar.
Enquanto isso, uma startup alemã, a Swarm Biotactics, anunciou o desenvolvimento de baratas ciborgues com sensores para uso em reconhecimento bélico — contraponto que reforça o compromisso singapuriano com aplicações não militares.
