A Polícia Federal (PF) colheu depoimentos recentes, no início de 2026, que aprofundam as investigações sobre possíveis irregularidades financeiras. Funcionários do Banco de Brasília (BRB), instituição financeira controlada pelo Governo do Distrito Federal, confirmaram aos investigadores que houve falhas graves e indícios de fraude intencional em transações realizadas com o Banco Master. O caso envolve a compra suspeita de carteiras de crédito que totalizam aproximadamente R$ 12 bilhões, levantando questionamentos sobre a governança do banco público.
De acordo com informações do UOL Notícias, o inquérito tramita, em abril de 2026, no Supremo Tribunal Federal (STF). Os servidores do banco estatal, ouvidos na condição de testemunhas, relataram que as inconsistências na operação bilionária já haviam sido identificadas e alertadas previamente por auditorias internas, mas os avisos teriam sido negligenciados.
Como as normas de controle do BRB foram ignoradas?
Os profissionais que prestaram depoimento à corporação policial eram subordinados diretos a Dario Oswaldo de Garcia Junior, que ocupava o cargo de diretor de Finanças e Controladoria do banco. Segundo os relatos presentes na apuração, o ex-diretor é suspeito de contornar e desrespeitar os critérios básicos de compliance e de segurança interna exigidos para transações de grande porte. Essa conduta relatada pelas testemunhas enfraquece a tese inicial de que teria ocorrido apenas um erro administrativo, fortalecendo a linha de investigação voltada para o suposto cometimento de crimes financeiros.
Em uma fase anterior do processo, Garcia Junior prestou esclarecimentos à Polícia Federal. Na ocasião, o antigo chefe da controladoria argumentou que não possuía um conhecimento detalhado sobre a exata composição dos ativos que estavam sendo adquiridos junto à instituição privada. Além disso, ele declarou não compreender os motivos pelos quais a transação abrigava um volume tão elevado de créditos considerados problemáticos ou de difícil recuperação.
Quais foram as medidas determinadas pela Justiça Federal?
Apesar das justificativas apresentadas pelo antigo gestor, o juiz federal Ricardo Leite, da 10ª Vara Criminal da Justiça Federal do Distrito Federal, avaliou o cenário apontando a existência de indícios contundentes de gestão fraudulenta e de possível associação criminosa. Com base nessas evidências preliminares, o magistrado determinou o afastamento de Garcia Junior de suas funções, uma medida cautelar executada em novembro de 2025.
A decisão judicial que fundamentou as medidas cautelares trouxe apontamentos específicos sobre a condução dos negócios. Entre os principais pontos destacados pelo magistrado, estão:
- A incapacidade do ex-diretor e do então presidente do banco, Paulo Henrique Costa, de comprovar a real validade técnica das carteiras de créditos adquiridas.
- A classificação de parte significativa desses ativos financeiros como insubsistentes.
- A necessidade de intervenção para proteger a integridade patrimonial do banco.
Qual é o cenário atual da diretoria após a operação?
Após a deflagração da investigação e o avanço das apurações conduzidas pelas autoridades competentes, o Banco de Brasília precisou passar por mudanças institucionais. O BRB promoveu uma reestruturação completa em toda a sua diretoria, com o objetivo de reformular seus mecanismos de governança corporativa e evitar que as alegadas falhas de controle voltem a ocorrer.
Até o início de abril de 2026, a defesa técnica de Dario Oswaldo de Garcia Junior não se manifestou publicamente a respeito do teor dos novos depoimentos prestados pelos servidores. A Polícia Federal continua analisando a documentação probatória para instruir o inquérito em andamento no STF.

