Documentos encaminhados pela Receita Federal à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Congresso Nacional revelam movimentações financeiras atípicas. O Banco Master, de propriedade do empresário Daniel Vorcaro, realizou pagamentos milionários a escritórios de advocacia e empresas de consultoria. Os beneficiários destas transferências estão ligados a figuras centrais da política nacional, ex-ministros de Estado e familiares de magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF).
O levantamento fiscal detalha movimentações financeiras expressivas, que ocorreram predominantemente entre os anos de 2022 e 2025. O montante global revelado pelas investigações ultrapassa a casa das centenas de milhões de reais e alcança nomes de diferentes matizes políticos e esferas de poder. As informações vieram a público após a análise de dados fiscais pelos parlamentares que investigam ações de organizações criminosas e movimentações financeiras atípicas no país. De acordo com informações do Metrópoles, os relatórios expõem uma ampla teia de prestação de serviços a autoridades e seus familiares.
Quais ex-presidentes e ex-ministros aparecem nos relatórios do Banco Master?
O ex-presidente Michel Temer (MDB) é um dos principais citados no escrutínio da Receita Federal. Segundo a documentação apresentada, o escritório de advocacia ligado a ele teria recebido R$ 10 milhões no ano de 2025. Contudo, há divergências sobre os valores exatos repassados. O ex-mandatário confirmou a prestação de serviços, mas contestou o montante ao ser questionado. Segundo informações apuradas, Temer afirmou que o valor real recebido foi de R$ 7,5 milhões e que a contratação se deu exclusivamente para “uma atividade jurídica de mediação”.
A lista de ex-titulares do Ministério da Fazenda também é extensa e contempla nomes que atuaram em governos de variadas correntes ideológicas. O ex-ministro Guido Mantega, figura forte nas gestões do Partido dos Trabalhadores (PT), possui uma empresa denominada Pollaris Consultoria, que foi destinatária de R$ 14 milhões pagos pelo banco. Outro ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que assumiu a economia no governo Temer e também presidiu o Banco Central durante as gestões anteriores de Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu R$ 8 milhões por serviços prestados à instituição financeira de Daniel Vorcaro.
Como o Supremo Tribunal Federal e o Ministério da Justiça são mencionados?
A intersecção financeira entre o Banco Master e figuras ligadas ao Poder Judiciário chamou a atenção dos investigadores da CPI. O escritório Lewandowski Advocacia, pertencente à família de Ricardo Lewandowski, ex-ministro do STF e atual ministro da Justiça e Segurança Pública do governo federal, figura na lista de repasses. Os dados mostram diferenças sutis entre os registros dos veículos de imprensa: enquanto a análise veiculada aponta depósitos de R$ 6,1 milhões iniciados no mês de novembro de 2023, outros documentos registram um montante de R$ 5,93 milhões entre os anos de 2023 e 2025. Lewandowski deixou a referida sociedade advocatícia em janeiro de 2024, pouco tempo antes de assumir a pasta no Poder Executivo.
Ainda mais expressivos são os valores financeiros associados ao núcleo familiar do ministro Alexandre de Moraes, integrante da Corte Suprema. Conforme relatado nos dados da Receita e referenciado pelo portal de notícias CNN Brasil, foram informados à comissão parlamentar repasses no valor de R$ 80,2 milhões ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado. Os pagamentos teriam ocorrido entre os anos de 2024 e 2025.
Que outros líderes partidários e familiares de políticos compõem a lista?
O espectro de pagamentos realizados pelo Banco Master não se restringe a juristas e economistas, alcançando também dirigentes partidários de peso, além de familiares de gestores estaduais e senadores da República. Entre os beneficiários notórios listados nos relatórios do Fisco estão:
- Antônio Rueda: O atual presidente nacional do partido União Brasil teve escritórios ligados ao seu nome recebendo R$ 6,4 milhões no ano de 2023.
- ACM Neto: O ex-prefeito da cidade de Salvador e figura central do partido União Brasil no cenário político baiano, recebeu um total de R$ 5,4 milhões por meio de sua empresa de consultoria, em pagamentos distribuídos ao longo dos anos de 2023 a 2025.
- Família de Ratinho Jr.: Duas empresas que integram o grupo da família Massa, liderado pelo apresentador de TV Ratinho — pai do atual governador do estado do Paraná, Ratinho Jr. (PSD) —, receberam a soma de R$ 24 milhões entre 2022 e 2025. Desse expressivo valor, R$ 21 milhões foram direcionados exclusivamente para a empresa Massa Intermediação.
- Família de Jaques Wagner: O órgão fiscalizador também identificou repasses na ordem de R$ 12 milhões à empresa de Bonnie Bonilha. A empresária é casada com o enteado do líder do governo Lula no Senado Federal, o senador Jaques Wagner (PT-BA).
Além desses nomes, o relatório do órgão federal cita nominalmente o ex-ministro da Secretaria de Comunicação da gestão de Jair Bolsonaro, Fabio Wajngarten. O documento afirma que ele integra a relação de pessoas ligadas a empresas beneficiárias dos pagamentos da instituição financeira, embora os recortes dos relatórios divulgados até este momento não tenham detalhado o valor exato repassado a ele ou à sua firma de consultoria empresarial.


